Minhas amigas e meus amigos,
As minhas desculpas pelo silêncio de mais de uma semana, mas ando aflita a escrever uma conferência e uma comunicação para o Brasil. Parto no Sábado logo de manhã e ainda não acabei. Também por isso não consegui comentar os trabalhos: preciso de tempo, e tenho tido muito pouco nestes dias. Por isso também peço desculpa. Mas todos os dias espreito o blogue e leio os textos, e fico feliz e grata por termos criado um espaço de partilha, de amizade, de confiança - e de qualidade.
Não nos "deslarguemos", como diz a Teresa! Eu, por mim, prometo não o fazer.
Um abraço para todas e para todos. E obrigada.
ana luísa
P.S. Dia 19 de Novembro está óptimo! Não sei o que acham.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Espantos
Sinto que te encontrei
no fim de semana passado
na casa da praia dos ventos,
das memórias soltas!
O planar das mãos
que nas tuas terminava,
tornava leves os passos,
aliviava cansaços,
causava de novo,
riso, alegria, espantos...
na cor laranja das flores,
nos brancos violetas
agapantos!
p.s. com muita pena não me foi possível ouvir o Sax do Nuno, nem rever
os sensíveis companheiros das poesias emergentes, fica para a próxima!
Cheers to you all!!
no fim de semana passado
na casa da praia dos ventos,
das memórias soltas!
O planar das mãos
que nas tuas terminava,
tornava leves os passos,
aliviava cansaços,
causava de novo,
riso, alegria, espantos...
na cor laranja das flores,
nos brancos violetas
agapantos!
p.s. com muita pena não me foi possível ouvir o Sax do Nuno, nem rever
os sensíveis companheiros das poesias emergentes, fica para a próxima!
Cheers to you all!!
Correcção do 2º TPC
Alterei o último verso, por sugestão da Ana Luísa.
O próximo artigo de aves terríveis
percorresse ar, origem, isoladamente…
Elo mais interior de penas de ar leves
resto de linhagem de aves recente
Esses ocos 0ssos-de-ar-do-rio aéreos!
O elefante de peles de invadidos
ou calor de penas de aves, excesso ar…
o novo ar a libertar desse ar primo!
(2º Trabalho para Casa – Escrita Criativa 2008)
Anabela Couto Brasinha
O próximo artigo de aves terríveis
percorresse ar, origem, isoladamente…
Elo mais interior de penas de ar leves
resto de linhagem de aves recente
Esses ocos 0ssos-de-ar-do-rio aéreos!
O elefante de peles de invadidos
ou calor de penas de aves, excesso ar…
o novo ar a libertar desse ar primo!
(2º Trabalho para Casa – Escrita Criativa 2008)
Anabela Couto Brasinha
Não sei como dizer-te
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
– eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
– E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
– não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Helder
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
– eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
– E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
– não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Helder
Ainda a importância das palavras
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Obrigada
Prezados,
obrigada a todos e faço das palavras da teresa as minhas.
Agora fica uma "PREZADA" homenagem.
p.s - espero que reconheçam e gostem
filinta
obrigada a todos e faço das palavras da teresa as minhas.
Agora fica uma "PREZADA" homenagem.
p.s - espero que reconheçam e gostem
filinta
Não nos deslarguemos
Caríssimos/as
Foi, é e espero que continue a ser um prazer, esta vossa companhia.
Não nos deslarguemos.
Hoje tentei criar um grupo de “discussão” no Google, para passarmos a receber, via email a informação, sempre que o nosso blog for actualizado, mas a opção é má, porque obriga a usar emails do @gmail (onde no meu caso e sei que mais alguns) vamos raramente.
Se alguém tiver alguma sugestão/ideia brilhante de como receber “lembretes” via email, para passar no blog, pf coloque em acção.
Nem sempre me lembro de vir a este espaço, onde me faz bem vir, e quase nunca contribuo para o seu crescimento saudável e inspirador. Por isso agradeço duplamente aos culpados habituais que alimentam com todo o carinho a alma, este filho-blog que é de todos. Por favor (oh! Pedido egoísta!), continuem a esse trabalho, por estou certa que não sou só eu a agradecer.
Quanto ao Jantar que tal uma sexta-feira - dia 19 de Novembro, pelas 20:30, algures, isto se a Ana Luísa estiver disponível.
Um abraço e até já !
Teresa (AP)
Foi, é e espero que continue a ser um prazer, esta vossa companhia.
Não nos deslarguemos.
Hoje tentei criar um grupo de “discussão” no Google, para passarmos a receber, via email a informação, sempre que o nosso blog for actualizado, mas a opção é má, porque obriga a usar emails do @gmail (onde no meu caso e sei que mais alguns) vamos raramente.
Se alguém tiver alguma sugestão/ideia brilhante de como receber “lembretes” via email, para passar no blog, pf coloque em acção.
Nem sempre me lembro de vir a este espaço, onde me faz bem vir, e quase nunca contribuo para o seu crescimento saudável e inspirador. Por isso agradeço duplamente aos culpados habituais que alimentam com todo o carinho a alma, este filho-blog que é de todos. Por favor (oh! Pedido egoísta!), continuem a esse trabalho, por estou certa que não sou só eu a agradecer.
Quanto ao Jantar que tal uma sexta-feira - dia 19 de Novembro, pelas 20:30, algures, isto se a Ana Luísa estiver disponível.
Um abraço e até já !
Teresa (AP)
Jantar Adiado
Olá o jantar ficará adiado, porque algumas pessoas não vão poder ir,
Depois de dia 12 quando a Ana Luisa voltar, combinamos uma data,
A teresa sugeriu dia 19 de Outubro que é uma quarta-feira, é uma boa data
Saudações Poéticas
Depois de dia 12 quando a Ana Luisa voltar, combinamos uma data,
A teresa sugeriu dia 19 de Outubro que é uma quarta-feira, é uma boa data
Saudações Poéticas
Olá...
Olá...
Sou o outro Nuno do nosso curso... aquele que não se devia ter inscrito porque esteve... mas não esteve... queria participar mas não participava... nem os trabalhos de casa cumpria!... enfim, não adianta falar de desculpas (aulas, falta de tempo, blablabla mais blablabla)... foi assim porque tinha de ser assim (ponto final). E para terminar ainda pior... hoje não vai dar mesmo para ir ao jantar. Lamento mas não dá!
Por isso envio-vos a todos um abraço... e um até qualquer dia...
Nuno CA
PS - A minha relação com a poesia é um pouco como a minha participação neste curso... irregular, por ondas... sobretudo quando tenho "espaço mental" e aí as palavras saem. Apesar de agora não estar com "espaço mental" para a poesia, foi bom estar lá e ouvir-vos. Eu já sabia que não era poeta e que de poesia sabia... zero! Percebi melhor isso ao ouvir a Ana Luisa (obrigado...) e todos vocês... Gostei de vos conhecer e gostava de ter partilhado o que tenho escrito assim como gostava que fosse possível partilharmos todos o que temos feito... Por culpa minha não participei mais... ficará para outra altura. Espero mesmo que o blogue continue. Continuarei a espreitar e o mais certo será participar também... um dia... quando a inspiração chegar...
Sou o outro Nuno do nosso curso... aquele que não se devia ter inscrito porque esteve... mas não esteve... queria participar mas não participava... nem os trabalhos de casa cumpria!... enfim, não adianta falar de desculpas (aulas, falta de tempo, blablabla mais blablabla)... foi assim porque tinha de ser assim (ponto final). E para terminar ainda pior... hoje não vai dar mesmo para ir ao jantar. Lamento mas não dá!
Por isso envio-vos a todos um abraço... e um até qualquer dia...
Nuno CA
PS - A minha relação com a poesia é um pouco como a minha participação neste curso... irregular, por ondas... sobretudo quando tenho "espaço mental" e aí as palavras saem. Apesar de agora não estar com "espaço mental" para a poesia, foi bom estar lá e ouvir-vos. Eu já sabia que não era poeta e que de poesia sabia... zero! Percebi melhor isso ao ouvir a Ana Luisa (obrigado...) e todos vocês... Gostei de vos conhecer e gostava de ter partilhado o que tenho escrito assim como gostava que fosse possível partilharmos todos o que temos feito... Por culpa minha não participei mais... ficará para outra altura. Espero mesmo que o blogue continue. Continuarei a espreitar e o mais certo será participar também... um dia... quando a inspiração chegar...
O Mar Parece Azeite: jantar
Caro Nuno:
Um abraço e um obrigada pelo seu contributo no melhoramento do blogue, na sua "actualização " de acordo com as aulas e na vida social do grupo.
Será que hoje já sabe se a Prof.ª Ana Luisa pode ir ao jantar?
Eu estarei disponível, mas gostaria de ver o presépio com o "menino Jesus".
Abraço
Tersa Ribeiro
Um abraço e um obrigada pelo seu contributo no melhoramento do blogue, na sua "actualização " de acordo com as aulas e na vida social do grupo.
Será que hoje já sabe se a Prof.ª Ana Luisa pode ir ao jantar?
Eu estarei disponível, mas gostaria de ver o presépio com o "menino Jesus".
Abraço
Tersa Ribeiro
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Arco-íris cristal de velas acesas
Podias ser tu a bater hoje
não o granizado na cúpula de ferro
branca melodia em pausas rítmicas.
podia ser o som leve de nós de dedos
ecoando pela sala, amortecendo no tapete
cor tela lã de Arraiolos no leve rufo
de tambor, reciclando as notícias tolas,
de gente tola em vidas tolas...
e de uma só vez despisse a noite toda,
te trouxesse toda à minha porta tola!
Saltaria do sofá, acrobacia de mola,
esquecido dos minutos vagos,
escoando metros largos,
no desejo insano de um trinco que
se abre, uma aresta que aparta e
desvenda a silhueta, o riso aberto,
puro realce transparente,
arco-íris cristal de velas acesas,
candelabro arte nova de gente
nos passos ténues de encosto de lados,
de faces, de lábios, saciando
os húmidos sonhos de vãs intensidades!
Podias ser tu do outro lado
mas não eras... nem tu nem nada...
para lá da porta, o silêncio...
e... só agora reparo um bago de uva
caído do cesto da vizinha
junto à porta
e quanto ao ruído surdo
era o trinco da outra que fechava!
não o granizado na cúpula de ferro
branca melodia em pausas rítmicas.
podia ser o som leve de nós de dedos
ecoando pela sala, amortecendo no tapete
cor tela lã de Arraiolos no leve rufo
de tambor, reciclando as notícias tolas,
de gente tola em vidas tolas...
e de uma só vez despisse a noite toda,
te trouxesse toda à minha porta tola!
Saltaria do sofá, acrobacia de mola,
esquecido dos minutos vagos,
escoando metros largos,
no desejo insano de um trinco que
se abre, uma aresta que aparta e
desvenda a silhueta, o riso aberto,
puro realce transparente,
arco-íris cristal de velas acesas,
candelabro arte nova de gente
nos passos ténues de encosto de lados,
de faces, de lábios, saciando
os húmidos sonhos de vãs intensidades!
Podias ser tu do outro lado
mas não eras... nem tu nem nada...
para lá da porta, o silêncio...
e... só agora reparo um bago de uva
caído do cesto da vizinha
junto à porta
e quanto ao ruído surdo
era o trinco da outra que fechava!
Noites sem medos ( e sem estereotipagem)
Fantasma, de voz rouca sem percalço,
já moribunda quase a desfalecer,
porque vens de novo em meu encalço,
Se eu jamais te irei acolher ?
Não queiras fadiga, turbulência ou guerra,
goza teu exílio p'ra que eu não vocifere;
não sei quem tu és, eu pertenço à terra,
Qu' importa quem és p'ra que eu te venere?
Larga-me, solta-me para a vida,
desprende-me de teu louco jugo,
pois minh' alma de ti se quer desjungida!
Liberta-me, quero brincar e sorrir,
caminhar em frente, olhar o meu burgo,
gritar paz, liberdade , mas sem lhes mentir!
( António Pinto Oliveira - 2008 )
já moribunda quase a desfalecer,
porque vens de novo em meu encalço,
Se eu jamais te irei acolher ?
Não queiras fadiga, turbulência ou guerra,
goza teu exílio p'ra que eu não vocifere;
não sei quem tu és, eu pertenço à terra,
Qu' importa quem és p'ra que eu te venere?
Larga-me, solta-me para a vida,
desprende-me de teu louco jugo,
pois minh' alma de ti se quer desjungida!
Liberta-me, quero brincar e sorrir,
caminhar em frente, olhar o meu burgo,
gritar paz, liberdade , mas sem lhes mentir!
( António Pinto Oliveira - 2008 )
Guerra

fotógrafo: Douglas Kirkland
Entro no teu olhar
Abrigo-me na tua alma
Enrosco-me no seu silêncio
Protejo-me das minhas tempestades
Deparo-me com os teus receios
Montamos um exército e combatemos
Lado a lado por terra vão caindo os inimigos
Paramos, guio o teu olhar na viagem da minha alma
Esgotados da guerra que nos alucina
Largamos as armas e amamo-nos.
filinta
bilhete
quero outra vez desculpar-me. esqueço que os preliminares devem durar todas as horas de todos os dias. não é que não te tenha carinho. só não sei como to hei-de entregar. a tensão faz-me cobrar-te aquilo que não devo. sempre foste o melhor desta minha vida confusa e cinzenta e preciso de sentir que ainda me pertences. quero sentir-me em controlo, segurança, em paz. quero ser quem mereces. a maior parte dos dias sinto apenas cansaço, desencanto, abandono. não desisti mas já não tenho expectativas. já reparaste que nos transformámos em lugares comuns? não tem importância. continuo a amar-te como antes. talvez não como antes, mas tu és ainda a minha verdadeira casa. logo chego tarde. janta e não esperes por mim.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Lumes Vivos
Deslarga-me...
deixa-me respirar outros perfumes
sem enjoos de almas gémeas,
livros mesmos, poemas vários,
gestos iguais, horas certas,
campainhas de madrugada
recolhendo escamas, restos de pele,
fios claros de sol e cor de ébano,
genéticas de setas e cruzes
nos símbolos dos mesmos quadros negros
em gritos de giz!
Deslarga-me...
fecha os olhos num instante,
abre horizontes, outras praias,
outro mar,
afoga-te na onda, nas espumas
da revolta,
reincide no sonho,
desflora sinfonias,
desmaia em pedaços no chão,
abraça basaltos na calçada,
respira o sentir das pedras,
reanima, oxigena-te,
deslumbra-te de evidências,
atmosferas perdidas...
presentes!
Deslarga-me...
de amor que atormenta
em golpes de cutelo
nas cadeias ferrugentas
de memórias,
afasta as quadrículas
de grades,
insulta-me de lágrimas,
arrasa-me de dor,
dança de palavras duras.
enrola-te dentro de ti
nas gotas de sal
em quedas de cataratas,
alargando círculos
de infinito.
Solta as amarras dos lençóis,
descobre-te,
e larga-te
de asas abertas
engolindo nuvens,
amigando aves de vistas
laterais,
rasga os céus
atraindo borboletas,
sem nortes, sem as vozes
cardeais,
mesmo sem vestes
desaperta esses botões...
E larga-te
para que se cruzem os fumos,
os espíritos da mudança,
ao som dos búzios,
num sono justo de ombros
omissos.
para que se soltem
âncoras de lentes,
recolhendo sóis,
lumes vivos
cruzando almas...
E larga-te...
Deslarga-me...
Abraça-me!
Neste poema quis ser dual, num discurso duplo de sentido... dele...dela...de emoções!
deixa-me respirar outros perfumes
sem enjoos de almas gémeas,
livros mesmos, poemas vários,
gestos iguais, horas certas,
campainhas de madrugada
recolhendo escamas, restos de pele,
fios claros de sol e cor de ébano,
genéticas de setas e cruzes
nos símbolos dos mesmos quadros negros
em gritos de giz!
Deslarga-me...
fecha os olhos num instante,
abre horizontes, outras praias,
outro mar,
afoga-te na onda, nas espumas
da revolta,
reincide no sonho,
desflora sinfonias,
desmaia em pedaços no chão,
abraça basaltos na calçada,
respira o sentir das pedras,
reanima, oxigena-te,
deslumbra-te de evidências,
atmosferas perdidas...
presentes!
Deslarga-me...
de amor que atormenta
em golpes de cutelo
nas cadeias ferrugentas
de memórias,
afasta as quadrículas
de grades,
insulta-me de lágrimas,
arrasa-me de dor,
dança de palavras duras.
enrola-te dentro de ti
nas gotas de sal
em quedas de cataratas,
alargando círculos
de infinito.
Solta as amarras dos lençóis,
descobre-te,
e larga-te
de asas abertas
engolindo nuvens,
amigando aves de vistas
laterais,
rasga os céus
atraindo borboletas,
sem nortes, sem as vozes
cardeais,
mesmo sem vestes
desaperta esses botões...
E larga-te
para que se cruzem os fumos,
os espíritos da mudança,
ao som dos búzios,
num sono justo de ombros
omissos.
para que se soltem
âncoras de lentes,
recolhendo sóis,
lumes vivos
cruzando almas...
E larga-te...
Deslarga-me...
Abraça-me!
Neste poema quis ser dual, num discurso duplo de sentido... dele...dela...de emoções!
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