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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

sobre o lado esquerdo - um poema de Carlos de Oliveira




De vez em quando a insónia vibra com a nitidez
dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma:
partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua
harpa insuportável.

No segundo caso, o homem que não dorme pensa:
«o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim,
deslocando todo o peso do sangue sobre a metade
mais gasta do meu corpo, esmagar o coração».


Carlos de Oliveira in Sobre o lado esquerdo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

entra pela janela o anjo camponês - um poema de Carlos Oliveira


Charles Curran

Entra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores de cereal,
aos utensílios
que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore,
a chama do candeeiro.


Carlos de Oliveira In Entre Duas Memórias