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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Haikai

e-lia@lusa.pt

Ilíada e líamos
nos Lusíadas
as lusas idas


Leonor

São as fontes Leonor
os verdes frutos nos cântaros
- nas rodilhas o equilíbrio

José Ferreira

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

(Des)inspiração

Andei a manhã toda pela cidade.
Entrei e saí vezes sem conta
De casas de comércio adiado –
Quis desistir mas já não tenho idade –
A procurar metáforas e hipérboles
Imagens e antíteses, oxímoros e quiasmos:
– Não temos, era a resposta pronta,
E eu pensava, mas aonde se meteram
Agora todas essas figuronas tontas?
Não creio que tenham ido para o Brasil,
A viagem é cara, e já não há pilim.

Nas casas de comércio ofereciam-me
– Era só o que tinham em stock – vírgulas,
Pontos, telas e agulhas de croché,
Os fios tinham esgotado e não tinham
Palavras disponíveis no mercado
E não sabiam aonde ir encomendá-las –
Era denso o nevoeiro. Sim, o mesmo nevoeiro
Com que a noite inteira me tinha debatido
Quando quis escrever e o travesseiro
Me usurpou as poucas ideias que ainda tinha,
Trouxera-as da guerra em 73 da longínqua Cabinda.

Andei a manhã toda pela cidade. E quase ao meio-dia
Dei de caras com as palavras que então procurava:
Estonteadas e em desequilíbrio precipitaram-se
No abismo. E eu sem cordas para poder içá-las
E nem um só fio para as entrelaçar – um mar opaco
Para desvendar, e eu sem Barco, sem Remos, sem Luar.
2009.11.15


Haikai

Denso o nevoeiro
O longe sem horizonte
– Sem boieiro a fonte.

José Almeida da Silva

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Haikai

"O haikai é uma composição poética japonesa
que pretende sugerir um máximo de sensações
através de um mínimo de palavras. Na sua
forma clássica, apresenta apenas 17 sílabas,
organizadas em terceto, com uma métrica de
sete sílabas no segundo verso e de cinco sílabas
no primeiro e terceiro versos"
(Da ficha de trabalho da última sessão)

Ex.

Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizu no oto

Matsuô Bashô (1644-1694)

Traduções:

Ah!o velho poço!
uma rã salta
som da água.

Armando Martins Janeira (1914-1988)



Quebrando o silêncio
do charco antigo a rã salta
n'água - ressoar fundo.

Jorge de Sena (1919-1978)


Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...

Wenceslau Moraes (1854-1929)


Ah! o velho lago
...o baque na água.

Paulo Murillo Rocha (publicada em 1970)

Exercício na Sala:

Foi submetido a apreensão o seguinte haikai, famoso, de Ezra Pound (1913)

"The apparition of these faces in the crowd:
Petals, on a wet, black bough"

(este poema é sobre o Metro)


Os meus primeiros haikai

Sombras são faces na cor da pedra
Os braços são ramos no chão.


Crescem faces húmidas na escuridão
Fora cai chuva no chão.

sábado, 7 de novembro de 2009

Caminho de casa em dia de chuva


Robert Doisneau "Musician in the rain"



Nos dias de chuva as cidades ficam paradas
os carros oscilam num castelo de lagos
as gotas inclinam em maior número
em trajectos mais longos, de curvas
enquanto caem nas faces, nas montras
nos plásticos.

Nos dias de chuvas esquecem-se os chapéus
encostam-se os muros e aqui e aonde
a protecção das varandas, os rostos de água
sem desenho.

Nos dias de chuva atravessam-se as ruas
de passos largos, quais Nosferatus sem capas
na procura de motivos - os sons, as palavras
os poemas de rio
as estrofes molhadas quando a água cai -


Poema "Haikai" no mesmo motivo:

Se a chuva preta as pessoas cinzentas
uma rede de peixes em linha recta
e os dias sem vento.