segunda-feira, 29 de dezembro de 2014


"ESCRITA CRIATIVA - WORKSHOP – por Ana Luisa Amaral

Destina-se a todos os interessados na escrita de poesia, nos seus contextos de produção e nos seus processos. Partindo de vários textos (teóricos e poéticos), que cobrirão não só diferentes períodos literários e diferentes estilos, mas ainda questões relativas ao sexo de quem escreve, pretende-se sensibilizar os participantes para os diversos tipos de escrita literária, incentivando ainda a escrita da poesia."

Biblioteca Almeida Garrett

5 sessões à 3.ª feira das 18h30 às 21h30
Jan: 13,20, 27
Fev.: 03 e 10

Informação e inscrições: 22 6081000; bib.agarrett@cm-porto.pt
 — em Biblioteca de Almeida Garrett.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sonhos de Natal

É frio o tempo, e há que aconchegar-nos,
Agora os dias são de vento anunciador –
E haja o que houver, a ternura que circula
No sangue do amor vai trazer de volta
Sonhos e calor – e a Mãe sorrindo já foi
Para a cozinha, e no balcão, fervido o leite, o óleo,
A casca de limão e o sal fino, juntou-lhe a farinha
E amassou-a com as mãos de afetos, e o coração
Alegre esperou pela massa a arrefecer. Juntou, depois,
Os ovos, um a um, como aos filhos da sagrada união.
O calor do amor subiu, e as colheradas de massa muito fina
Fizeram-se nuvens bem douradas, polvilhadas com açúcar
Em pó e com canela – ouro de estrelas muito belas a piscar.
O brilho dos olhares e os sorrisos invadiram, então, a casa toda
(Ah o bem-estar que vem de dentro desta dulcíssima memória!) –

O vento do Natal faz circular o cheiro quente dos sonhos a frigir
Nos corações, uma espécie de música que toca o verbo amar –


José Almeida da Silva, 2014.12.20

Poema de Natal



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes