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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

um poema de Emily - A Noite - a alguns dada


Paul Delvaux "O amanhecer" 1943

Morning is due to all
To some - the Night
To an imperial few
The Auroral light

Emily Dickinson

A Manhã é de todos -
A Noite - a alguns dada -
Para os poucos do império -
A luz da Madrugada.

Trad. de Ana Luísa Amaral em "Cem Poemas" Relógio d'Água 2010

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um poema de Emily - Vou dizer-te como nasceu o Sol


Annie Leibovitz

Vou dizer-te como nasceu o Sol -
Uma Fita de cada vez -
Os Campanários nadando em Ametista -
As Notícias corriam, como Esquilos -
Os Montes desatavam os Chapéus -
As tristes-Pias - começavam a cantar -
E eu disse baixinho, para mim -
"Há-de ter sido o Sol!"
Mas como ele se pôs - isso não sei -
Parecia ser escada carmesim
Que meninos e meninas de Amarelo
Estivessem a subir e a subir -
Até que chegando do outro lado,
Um Pastor todo vestido de Cinzento -
Erguesse suave as Trancas da noitinha -
E levasse consigo o seu rebanho -

Emily Dickinson "Cem Poemas" Relógio D'água Trad. Ana Luísa Amaral

domingo, 5 de junho de 2011

um poema de Emily


Isabelle Adjani

By a departing light
We see acuter, quite,
Than by a wick that stays.
There's something in the flight
That clarifies the sight
And decks the rays.

Emily Dickinson

A uma luz evanescente
Vemos mais agudamente
Que à da candeia que fica.
Algo há na fuga silente
Que aclara a vista da gente
E aos raios afia.

(Trad. Ana Luísa Amaral)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Um poema de Emily


Marc Chagall

A sepal, petal, and a thorn
Upon a common summer's morn --
A flask of Dew -- A Bee or two --
A Breeze -- a caper in the trees --
And I'm a Rose!

Emily Dickinson


Sépala, pétala, espinho.
Na vulgar manhã de Verão –
Brilho de orvalho – uma abelha ou duas –
Brisa saltando nas árvores –
- E sou uma rosa!

Trad. Ana Luísa Amaral

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Emily


David Hamilton


A word is dead
When it is said,
Some say.

I say it just
Begins to live
That day.


Está morta a palavra
Dizem alguns
Mal é proferida.

Eu digo que só
Então nesse dia,
Ela começa a vida.


Emily Dickinson "Cem Poemas" Trad. Ana Luísa Amaral, Relógio d'Água 2010

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Emily 657


David Hamilton


657

I dwell in Possibility—
A fairer House than Prose—
More numerous of Windows—
Superior—for Doors—

Of Chambers as the Cedars—
Impregnable of Eye—
And for an Everlasting Roof
The Gambrels of the Sky—

Of Visitors—the fairest—
For Occupation—This—
The spreading wide of narrow Hands
To gather Paradise—

Emily Dickinson


Habito na possibilidade -
Uma Casa mais bela do que a Prosa -
Em Janelas mais numerosa -
Em Portas - superior -

De Quartos como Cedros -
Impregnáveis ao Olhar -
E por Telhado Duradouro
Os Telhados do Céu -

De Visitantes - a mais bela -
Isto - para a Ocupar -
O abrir largo as minhas Mãos estreitas -
Para colher o Paraíso -

"Cem Poemas" Trad. Ana Luísa Amaral Relógio D'Água 2010

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Emily


Hughie Lee Smith 1970


Não pintarei - um quadro -
Queria antes ser Aquele
Habitando-lhe - em delícia -
No impossível brilho
Pensando o que os dedos sentem
Seu toque - divino - raro -
Evoca doce Tormento -
Sumptuoso - Desespero -

Não falarei, como Trombeta -
Antes queria ser Aquela
Docemente erguida aos Tectos -
E, leve, para além deles -
Por Aldeias feitas de Éter -
Um Balão dotado só
De uma ponta de Metal -
O cais para o meu Pontão -

Nem queria ser Poeta -
Melhor é - ter o Ouvido -
Amante - frouxo - contente -
Licença de venerar,
Terrível privilégio
Que legado seria,
Tivesse eu a Arte de me atordoar
Com Raios de Melodia!

Emily Dickinson "Cem poemas" Relógio D'Água Trad. Ana Luísa Amaral 2010

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Emily


Annie Leibovitz

Fame is a bee
It has a song -
It has a sting -
Ah, too, it has a wing.


A fama é uma abelha.
Tem uma canção -
Tem um ferrão -
Ah, tem asa, também.

Emily Dickinson "Cem poemas" Relógio D'Água 2010 (Trad. Ana Luísa Amaral)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Inebriada de Ar - eu sou


Toulouse Lautrec "La toilette" 1889

Provo bebida jamais fermentada –
De Canecas em Pérola esculpidas –
Nem os Tonéis todos que há no Reno
Conseguem produzir um Álcool tal!

Inebriada de Ar – eu sou –
E Devassa de Orvalho –
Tonta – em dias de Verão que nunca findam –
Saindo de tabernas de Azul da Cor do céu –

Quando os «Taberneiros» expulsarem
Da Dedaleira a Abelha embriagada –
E as Borboletas – seu «trago» recusarem –
Hei-de beber e beber sem parar!

Até que os Serafins acenem os Chapéus de neve
E os Santos todos – corram as janelas –
Para verem a pequena Ébria
Escorando-se no – Sol –

Emily Dickinson "Cem poemas" Relógio d'Água Trad. Ana Luísa Amaral

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Morri pela Beleza





Morri pela Beleza – mas mal estava
Ajustada no Túmulo
Um Outro que morreu pela Verdade,
E jazia no Quarto adjacente –

Me disse docemente «Porque morrera eu»?
«Pela Beleza», respondi –
«Pela Verdade – eu – que Ambas O Mesmo são – »
Disse Ele «Então somos Irmãos» –

E tal como Parentes se encontram numa Noite –
Assim falámos de Quarto para Quarto –
Até que o Musgo nos chegou aos lábios –
Cobrindo – os nossos nomes –

Emily Dickinson Trad. Ana Luísa Amaral "Cem poemas" Relógio d´Água

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I died for Beauty – but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One who died for Truth, was lain
In a adjoining Room –

He questioned softly “ Why I failed”?
“For Beauty”, I replied –
“ And I – for Truth – Themself are One
We Brethen, are”, He said –

And so, as Kinsmen , met a Night –
We talked between the Rooms –
Until the Moss had reached our lips –
And covered up – our names –

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Wild nights







Wild Nights – Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be
Our luxury!

Futile – the winds –
To a heart in port –
Done with the compass –
Done with the chart!

Rowing in Eden –
Ah, the sea!
Might I moor – Tonight –
In thee!


Noites Bravias - Noites Bravias!
Estivesse eu contigo
Tais Noites o nosso
Deleite seriam!

Fúteis - os Ventos -
A Coração em porto -
Inútil a Bússola -
Como o Mapa inútil!

Remando em Éden -
Ah, o Mar!
E eu ancorar - Esta Noite -
Em Ti!

Emily Dickinson "Cem Poemas" Relógio d´Água 2010
Trad. Ana Luísa Amaral

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo


Patrick Hourihan "Fantastic Duet"

Demasiada Loucura é o mais divino Juízo -
Para um Olhar criterioso -
Demasiado Juízo - a mais severa Loucura -
É a Maioria que
Nisto, como em Tudo, prevalece -
Consente - e és são -
Objecta - és perigoso de imediato -
E acorrentado -

Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de Nuno Júdice

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Emily Dickinson


"I dwell in possibility -
A fairer House than Prose"

Emily Dickinson

657


Habito na possibilidade -
Uma casa mais bela do que a prosa –
Com mais janelas –
E portas - maiores

Salas como Cedros –
Que o Olhar não alcança –
E como Tecto Imperecível
Os limites do Céu –

Visitantes – os mais belos –
Ocupação – Esta –
Abrir ao máximo as minhas Mãos finas
Para colher o paraíso -



Emily Dickinson – tradução de Nuno Júdice

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Os dois poemas da minha confusão

1.
inscription for the ceiling of a bedroom

daily dawns another day;
I must up, to make my way.
though I dress and drink and eat,
move my fingers and my feet,
learn a little, here and there,
weep and laugh and sweat and swear,
hear a song, or watch a stage,
leave some words upon a page,
claim a foe, or hail a friend-
bed awaits me at the end.
though I go in pride and strength,
I'll come back to bed at length.
though I walk in blinded woe,
back to bed I'm bound to go.
high my heart, or bowed my head,
all my days but lead to bed.
up, and out, and on; and then
ever back to bed again,
Summer, Winter, Spring, and Fall-
I'm a fool to rise at all!

Dorothy Parker

2.
a book

there is no frigate like a book
to take us lands away,
nor any coursers like a page
of prancing poetry.
this traverse may the poorest take
without oppress of toll;
how frugal is the chariot
that bears a human soul!

Emily Dickinson




e daqui se depreende que gosto de ler e de dormir...


Raquel Patriarca