quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

que rompam as águas: é de um corpo que falo - um poema de Eugénio de Andrade




Que rompam as águas:
é de um corpo que falo.
Nunca tive outra pátria, nem outro espelho,
nem outra casa.

É de um rio que falo, desta margem onde soam ainda,
leves,
umas sandálias de oiro e de ternura.

Aqui moram as palavras;
as mais antigas,
as mais recentes:
mãe, árvore,
adro, amigo.

Aqui conheci o desejo
mais sombrio, 
mais luminoso,
a boca
onde nasce o sol, 
onde nasce a lua.

E sempre um corpo,
sempre um rio;
corpos ou ecos de colunas, 
rios ou súbitas janelas
sobre dunas;
corpos:
dóceis, doirados montes de feno;
rios:
frágeis, frias flores de cristal.

E tudo era água,
água,
desejo só
de um pequeno charco de luz.

De luz?
Que sabemos nós
dessas nuvens altas,
dessas agulhas
nuas
onde o silêncio se esconde?
Desses olhos redondos,
agudos de verão,
e tão azuis
como se fossem beijos?

Um corpo amei,
um corpo, um rio,
um pequeno tigre de inocência,
com lágrimas esquecidas nos ombros,
gritos
adormecidos nas pernas,
com extensas,
arrefecidas
primaveras nas mãos.

Quem não amou
assim? Quem não amou?
Quem?
Quem não amou
está morto.

Piedade,
também eu sou mortal.
Piedade
por um lenço de linho
debruado de feroz melancolia,
por uma haste de espinheiro
atirada contra o muro,
por uma voz que tropeça
e não alcança os ramos.

De um corpo falei:
que rompam as águas.


Eugénio de Andrade In Mar de Setembro

domingo, 27 de janeiro de 2013

escrevo-te (VII) - os silêncios chegam nos maiores ruídos


                          Man Ray

escrevo-te porque é a noite depois do dia
e há uma ausência no jardim escurecido.
uma ausência de átomos que saíram e largaram a linha
uma linha fechada que rodeava  o corpo
no aperto de um ar afastado e comprimido.
resta a camélia, órfã, da compostura de uma pintura
uma ordem lateral sem centro sem regras de ouro do renascimento.
é um lugar comum dizer que a perfeição não existe
e depois há milhões de cabeças, milhares de  milhares de jardins
de milenares árvores orientais onde se criam silêncios.
e os silêncios não escolhem horas nem luminosidades
chegam com olhos fechados e com batimentos, com cintilações etéreas
com o espanto das cores num quadro símbolo
com o insulto e com o elogio; os silêncios chegam mesmo no maior ruído –

escrevo-te com estes olhos ausentes do teu vestido e do teu brinco
da madrepérola luminosa e da pulseira  azul
do decote escondido e das botas pretas de couro
do joelho magoado na marca de terra e folhas, folhas e terra
terra e folhas junto ao limoeiro –

escrevo-te com estes olhos persistentes na busca dos oceanos
com estes olhos de cordas de guitarra e melodias
com estes olhos que negam os lugares comuns
que te seguram o rosto na envoltura dos cabelos
e falam da perfeição, uma perfeição que existe, que é sublime

quando as camélias afirmam –

josé ferreira 27 janeiro 2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

a eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas













Paul Delvaux


Mas mesmo assim, de repente, mas devagar, devagar, 
Atravessando todas estas coisas modernas e presentes, 
Vindo naturalmente através de todas estas coisas e estes ruídos, 
Como se tudo isto fosse um vidro fosco transparente a essa luz, 
Através do ruído dos guindastes, pelos interstícios do marulhar dos barcos, 
Coando pelas frinchas dos assobios dos comboios, 
Misteriosamente repassando, ensopando a faina das gentes, 
Torna, através do moderno e do actual, a eterna voz marítima,  
A eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas, 

Álvaro de Campos in In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002 lido aqui

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Teu Riso -Um poema de Pablo Neruda

                                           imagem daqui
Tira-me o pão, se quiseres, 
tira-me o ar, mas 
não me tires o teu riso. 

Não me tires a rosa, 
a flor de espiga que desfias, 
a água que de súbito 
jorra na tua alegria, 
a repentina onda 
de prata que em ti nasce. 

A minha luta é dura e regresso 
por vezes com os olhos 
cansados de terem visto 
a terra que não muda, 
mas quando o teu riso entra 
sobe ao céu à minha procura 
e abre-me todas 
as portas da vida. 

Meu amor, na hora 
mais obscura desfia 
o teu riso, e se de súbito 
vires que o meu sangue mancha 
as pedras da rua, 
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos 
como uma espada fresca. 

Perto do mar no outono, 
o teu riso deve erguer 
a sua cascata de espuma, 
e na primavera, amor, 
quero o teu riso como 
a flor que eu esperava, 
a flor azul, a rosa 
da minha pátria sonora. 

Ri-te da noite, 
do dia, da lua, 
ri-te das ruas 
curvas da ilha, 
ri-te deste rapaz 
desajeitado que te ama, 
mas quando abro 
os olhos e os fecho, 
quando os meus passos se forem, 
quando os meus passos voltarem, 
nega-me o pão, o ar, 
a luz, a primavera, 
mas o teu riso nunca 
porque sem ele morreria. 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda lido aqui

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

sempre essa pressa de tempo


Erica Hopper


sempre  essa pressa de tempo,  de minutos cessantes
de uma  vida de fluxo, de rio, de correnteza, de frio e estios
e, subitamente, os segundos ausentes de um resto de mundo.
sim, não é desperdício deixar voar segundos vazios
não, não é o subterfúgio da desatenção
não, não é um  assobio extenso,  em direcção ao Sul –

o sossego do pensamento é sempre a paragem  do pêndulo
a passagem para um outro lugar
como se uma mão imensa segurasse as cataratas e terminassem os ruídos
e só os pássaros, nas árvores, os pássaros
dessem por isso –

josé ferreira 22 janeiro 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013


O teu rosto torna-se periódico às vezes
e persiste 
em oráculo 
a querer saber do meu
e dessa certa quantidade de gente à procura de gente:


É um enlace nos olhos dos bichos
uma energia claríssima
um fogo em artificio de espelhos 
com tendência para rios 

a cobrir devagar,
atrás de cada passo
acordando cada cão que se espreguice ao sol
transparente a cada mão, tão liquida 
(como a música 
mas menos horizontal)
e no entanto move-se 
como se ainda na sombra de uma luz que nos amedronta

e vai levando gente 
para a clareira mais provável
ao nível das nuvens dos átomos 
quando ainda se tocavam

alinha olhares inteiros de bicho
na inclinação certa de se imitarem 

é uma energia claríssima que depois se vem a saber 

sábado, 19 de janeiro de 2013

escrevo-te (VI) - e talvez não seja poesia

                                     Erica Hopper


escrevo-te pela noite em pensamento
é possível inscrever os sentimentos olhando o escuro
e nada vendo
daquilo que faz parte do escuro à volta do mundo –

é possível fugir para um quarto de dentro
para um lugar sem vento
para  um lugar onde não chova tão intensamente –

são palavras simples, as minhas, bem sei
vestidas de um sentido de clareza
e talvez não seja poesia.
nascem sem a pressa do tempo
porque é noite e não durmo
nascem pelas raízes do cabelo e inscrevem-se de néon
no escuro do mundo
um escuro sem paralelo, substantivo e único,
porque cada um tem o seu escuro
da mesma forma que a luz pode ter muitas cores
claras e escuras –

sabes, escrevo-te, e é tudo
és o meu mundo, vejo perfeitamente o teu rosto
os teus olhos que se fecham e abrem, janelas de brilho
e estendo as minhas palmas maduras para que caiam pétalas
de sedas e púrpura, de aromas de lume
um lume brando
um lume sem ciúme
um lume instantâneo, puro
um lume, um lume, um lume

pela noite calma, sem escuro –

josé ferreira 19 janeiro 2013



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

escrevo-te (V) - antes que o ano acabe


                                Eliseu Visconti

escrevo-te antes que o ano acabe
antes que cesse o último minuto de uma lua branca
e branca permaneça pelo ano que inicia –
não é tarde dizem os sinos das aldeias, não é tarde
não é tarde diz a onda que preenche a areia
não é tarde dizem os barcos parados nas cordas dos rios –
as noites alcançam sempre a longitude dos dias
uma rotação contínua , um rodar de rodas de madeira
e rodas de moinhos –
há zumbidos de abelhas nos meus ouvidos
uma não sintonia de botões de rádios antigos
ruídos, ruídos, ruídos –
mas mesmo assim escrevo-te
antes que ano acabe e um outro se inicie
um ano luz um ano de todas as luzes
um mimetismo de melodias
uma parábola de mãos cheias como um sol acendido
e os dedos fora das mãos e dentro do corpo
e os dedos como leme de navios
e os dedos como películas sobre os medos
como fios de chuva, lúcidos, transparentes
para eliminar a cor escura das nuvens
e iluminar os dias –

 josé ferreira 31 dezembro 2012




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

E não é que a Abelha Zarelha já dá entrevistas?...

A Abelha Zarelha deu uma entrevista ao Rodrigo Ferrão do Clube de Leitores e foi assim:


Entrevista a Raquel Patriarca, uma das autoras do livro infantil «A Abelha Zarelha»
 .
A Raquel foi cliente de uma livraria onde trabalhei. A Raquel é amiga de amigos e minha amiga também.

Outro dia descobri que tem um livro com a ilustradora Marta Jacinto. Chama-se «A Abelha Zarelha» e foi publicado no final de 2012 pela QuidNovi Editora.
Não resisti... Preparei umas perguntas e é com imenso prazer que hoje partilho! Espero que gostem!
.

.
RF: Talvez comece pela pergunta mais complicada (ou até a mais simples): como surgiu a ideia de escreveres um livro Infantil?

RP: A Abelha Zarelha, a Barata Patarata e todos os amigos nasceram com histórias de memória, que ia inventando e repetia para mim mesma e decorava, e depois contava ou cantava, vezes sem conta ao Pedro quando era um bebé que ainda nem falava. Ele reagia sobretudo aos sons, aos gestos, aos meus olhos muito abertos, às vozes diferentes que eu ia fazendo e ao vento que eu lhe soprava no cabelo a fazer os Vuuummmms. É por isso que as histórias são assim relativamente pequenas e vivem muito da brincadeira com as palavras e da alegria das personagens.

«Como as maçãs, os livros com bicho são os mais doces». O que são livros com bicho?

Livros com Bicho são os dez livros que compõem a colecção com esse nome. São dez histórias protagonizadas por pequenas bichezas bem dispostas como a Abelha Zarelha, A Barata Patarata, o Escaravelho Trolaró e por aí fora.

«A abelha Zarelha» é um livro para os mais pequeninos. Tens memória de alguém te ler histórias quando eras pequena? Alguma preferida?

As primeiras memórias que tenho de nos contarem histórias, a mim e às minhas irmãs, são da minha avó que nos contava episódios da Bíblia. Era engraçado porque nós não tínhamos (eu, pelo menos, não tinha) a noção de onde vinham aquelas aventuras. Para mim o David era um verdadeiro herói que derrotava o Golias porque tinha o coração puro e era inteligente, que acaba por estar muito perto do Frodo do Senhor dos Anéis. Eu, por exemplo, gostava particularmente da história de Sansão e Dalila, talvez por ser uma história de amor com perigo e traição que acaba em tragédia, tipo Romeu e Julieta.

Sempre tiveste vontade de escrever? Ou és uma leitora «viciada» que agora resolveu tentar a sua sorte? Vês-te a contar histórias para adultos?

Eu em criança tinha uma relação muito pouco próxima dos livros. Ler parecia-me um desperdício de tempo havendo muros para saltar, árvores para subir e grilos para apanhar e guardar em gaiolinhas de plástico. Agora parece-me um desperdício o tempo que não estou a ler e sinto-me angustiada quando penso que ainda não li todos os clássicos que queria. A escrita é uma coisa diferente. Escrevo há muito tempo mas nem sempre com a noção ou a intenção de partilhar ou publicar. Escrevo porque me sinto bem a escrever. Gosto e pronto. Não sei se estou a tentar a sorte, mas suponho que todos devemos a nós próprios a descoberta daquilo que somos capazes, de nos desafiarmos àquilo que achamos que a humanidade tem de melhor. A questão dos adultos é complicada porque não sei se consigo definir ‘adulto’ ou ‘histórias para adultos’. As histórias têm uma vontade própia e, às vezes, o que pensamos ser um conto para crianças mais pequenas, acaba noutro registo porque uma personagem de outra faixa etária acabou por tomar conta das coisas, ou porque algo acontece que muda completamente o ambiente de tudo. Não sei dizer o que vou escrever no futuro, mas não fecho nenhuma porta e nenhuma janela… há sempre muros para saltar e árvores para subir.

As ilustrações são uma parte importante dos livros. Sentes que a Marta Jacinto conta uma história através do que pinta?

Ó sim, a Marta reconta as histórias todas. Tudo fica diferente depois da Marta! Na Abelha Zarelha eu imaginei o som do zumbido como sendo gerado pelo bater das asas e a Marta apresenta a Abelha, logo numa das primeiras ilustrações, a assobiar o zumbido. Para mim foi uma releitura da história e uma redescoberta da personagem que já não era só minha. Uma das forças do texto é a alegria e a Marta consegue imprimir um registo visual muito leve e cómico que me agrada muito.

Dizes que «se fosses um animal serias um ornitorrinco». Alguma razão especial? 

O ornitorrinco é um animal estranho porque parece uma espécie de ursito e tem cauda de castor e um enorme bico de pato. É mal definido o que me parece uma boa metáfora. Nós também não somos uma coisa só. Eu sou historiadora pelo menos na perna esquerda e nos cotovelos. A Bibliotecária em mim deve ocupar parte do tronco. A cabeça e as pontas dos dedos brincam com as palavras e contam histórias. O resto não sei, ainda falta descobrir.
Nasceste em Angola. Tens alguma recordação de lá? Pensas um dia voltar a cruzar oceanos?

Não tenho qualquer memória consciente de Benguela ou de Angola. As memórias que guardo não são minhas, são dos meus pais e avós. Vim para Portugal com um ano e meio de idade, durante a ponte aérea que em 75 marcou parte da descolonização portuguesa de África. Tenho planos de cruzar muitos oceanos mas não sinto uma viagem a Angola como um regresso a casa. Esse sentimento de regresso tenho-o em relação a outros lugares e até em relação a pessoas, onde e com quem construí laços e raízes e cujas memórias fazem parte de mim.

Certamente tens algumas referências na literatura infantil. Quem são os teus ídolos? Gostas de ler um pouco de tudo ou és "especialista" nalgum género?

Quando eu era pequenina não havia a quantidade, variedade ou qualidade de livros infantis que há hoje. Éramos só raparigas e, claro, havia livros da Anita, mas havia também as colecções dos contos clássicos dos irmãos Grimm, de Perrault e de Anderson, os clássicos juvenis como o Tom Sawyer, a Alice no País das Maravilhas, a Ilha do Tesouro, as Vinte Mil Léguas Submarinas e as Viagens de Gulliver, e também algumas histórias tradicionais como a História do Macaco do Rabo Cortado que eu obrigava a minha irmã mais velha a contar-me vezes e vezes sem conta. Como consumidora ainda jovem, confesso que gostava especialmente dos contos clássicos. Tínhamos uma colectânea de mais de sessenta contos que eu adorava ouvir contar e ficava fascinada com palavras como Rumpelstiltzkin ou Jorinda e Joringel. Depois, o meu maior herói passou a ser o Manuel António Pina. Estou convencida que tudo isto começou verdadeiramente quando conheci o escaravelho Bocage no dia em que me ofereceram o livro Gigões e Anantes. Tinha seis anos e fiquei muito admirada quando, anos mais tarde, vim a descobrir que havia um poeta com nome de escaravelho. Já na escola preparatória tive uma professora que nos contava as histórias da Sophia de Mello Breyner e nunca mais a esqueci… à professora e à Sophia. Hoje sou uma consumidora compulsiva de livros infantis e penso que vivemos tempos muito interessantes para quem gosta de livros para crianças. Tanto faz que sejam portugueses ou estrangeiros, de todos os tipos e géneros, ilustrados ou não, com texto ou sem ele, mas confesso que gosto especialmente de poesia. Os autores de que mais gosto e que se transformam nas referências que uso, consciente ou inconscientemente, podem vir de todo o lado e não só da literatura infantil. Ainda assim, tenho as estantes bem forradas… Do Manuel António Pina, claro, entre mim e o meu Pedro, temos quase tudo, tal como da Sophia de Mello Breyner e do Aquilino Ribeiro. Encanta-me a forma de escrever de A. A. Milne e a beleza ideológica de Saint-Exupéry. Gosto dos monstros de Maurice Sendak e da irreverência de Peter Newell. Entre os autores mais recentes sigo de perto os livros de autores como o Valter Hugo Mãe, a Carla Maia de Almeida, a Rita Taborda Duarte ou o Afonso Cruz. Na poesia o manancial é interminável e vai de Fernando Pessoa a Mário Cesariny, passando pelos textos de Ana Luísa Amaral, Jorge de Sousa Braga, Nuno Higino, Álvaro de Magalhães, João Pedro Mésseder, Mário Henrique Leiria, Luísa Costa Gomes, António Torrado, Luísa Ducla Soares, Leo Leoni, Fran Alonso e de certeza que me estou a esquecer de muitos.

Numa frase: porque é que as pessoas devem comprar e ler o teu livro?

Não sei se devem comprar o meu livro, diz-me tu se devem ou não… direi apenas que, no fundo, é uma história sobre alegria e perseverança, que penso serem das ferramentas mais válidas que podemos dar a nós próprios e aos outros, independentemente da idade.
.

.
*A não perder brevemente: a entrevista à ilustradora deste mesmo livro, Marta Jacinto.
.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Ano Novo - um poema de José Almeida da Silva




ANO NOVO

Andou o ano todo
a envelhecer –

As noites e os dias
desnudados
e enxertados na vida
distraída

E o caminho a fazer-se
momento a momento
como se fosse único

A luz e a sombra
cresciam
como a Lua e o Sol

O choro e o riso
repetiam-se
e o sofrimento
e também a alegria

E como por magia
as doze badaladas
a soarem repetidas

E como o crepúsculo
se faz noite levemente
a madrugada desvela
da alegria a luz

Andou o ano todo
a envelhecer –

O tempo sempre outro
não cessa de nascer –

2012.12.28
José Almeida da Silva