Parabéns Auxília!
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
O azul líquido do Grand Canal

O azul líquido do Grand Canal
O azul líquido do Grand Canal
Em Veneza incendiada.
O vestido de cetim branco
Num corpo de Angeline
Debruçado sobre a noite.
Lustres de luz de murano
Num palácio outrora habitado
Balzac ou Proust?
O olhar enganador de cândido
O vilão que não era.
Pontes e canais e gôndolas
Um nevoeiro nocturno
A dissipar-se.
O amanhecer de ouro
Na cidade que flutua
E sabe
De um “cristal clear”
Que há lábios em todas as gôndolas.
Olho em volta
O escuro de uma sala
O momento escondido que se deixou
Atravessar de cenários, belezas de cinema
E um ecrã, perto, perto de mim.
Auxília Ramos
O azul líquido do Grand Canal
Em Veneza incendiada.
O vestido de cetim branco
Num corpo de Angeline
Debruçado sobre a noite.
Lustres de luz de murano
Num palácio outrora habitado
Balzac ou Proust?
O olhar enganador de cândido
O vilão que não era.
Pontes e canais e gôndolas
Um nevoeiro nocturno
A dissipar-se.
O amanhecer de ouro
Na cidade que flutua
E sabe
De um “cristal clear”
Que há lábios em todas as gôndolas.
Olho em volta
O escuro de uma sala
O momento escondido que se deixou
Atravessar de cenários, belezas de cinema
E um ecrã, perto, perto de mim.
Auxília Ramos
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Intrusa
Mal entrou, o ar encheu-se de um forte cheiro a volúpia que confundiu o religioso aroma dos nossos cachimbos. Violentamente, a pacatez morna do clube foi sacudida pelo estouvamento atrevido e delicioso da sua voz. Foram poucas as palavras, mas todas deixaram adivinhar uma vida sem morada certa, com errâncias inesgotáveis pelo sentir. O andar firme, os gestos desleixados, o vestido que mais parecia uma segunda pele e que despertaria inveja a um qualquer olhar feminino, não deixaram nenhum de nós indiferente. Diria mais. Incendiaram os mais adormecidos desejos. Provocaram as mais disfarçadas intumescências. Profanaram os mais puros sentires. Que destino lhe (nos) estaria reservado?
domingo, 12 de outubro de 2008
O lado oculto das coisas
Alguma falta de tempo à qual se acrescentam trabalho q.b. e uma “pitada” de intranquilidade levam-me a cumprir com este novo desafio da Ana Luísa, de uma forma facilitada.
A leitura do texto de Saramago, que transcrevo a seguir, forneceu-me a solução para o «trabalho de casa».
“o olho humano escondido”! É isso! A poesia acontece como a escuridão acontece – “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”.
E não é também Garcia Lorca que diz “Todas as coisas têm o seu mistério. E a poesia é o mistério de todas as coisas.”?
O outro lado
Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade (ou da minha estupidez, segundo alguma opinião mais radical) e me dariam a única resposta que nunca me poderia convencer: “As coisas, quando não olhamos para elas, são iguais ao que parecem quando não estamos a olhar”. Sempre achei que as coisas, quando estavam sozinhas, eram outras coisas. Mais tarde, quando já havia entrado naquele período da adolescência que se caracteriza pela desdenhosa presunção com que julga a infância donde proveio, acreditei ter a resposta definitiva à inquietação metafísica que atormentara os meus tenros anos: pensei que se regulasse uma máquina fotográfica de modo a que ela disparasse automaticamente numa habitação em que não houvesse quaisquer presenças humanas, conseguiria apanhar as coisas desprevenidas, e desta maneira ficar a conhecer o aspecto real que têm. Esqueci-me de que as coisas são mais espertas do que parecem e não se deixam enganar com essa facilidade: elas sabem muito bem que no interior de cada máquina fotográfica há um olho humano escondido… Além disso, ainda que o aparelho, por astúcia, tivesse podido captar a imagem frontal de uma coisa, sempre o outro lado dela ficaria fora do alcance do sistema óptico, mecânico, químico ou digital do registo fotográfico. Aquele lado oculto para onde, no derradeiro instante, ironicamente, a coisa fotografada teria feito passar a sua face secreta, essa irmã gémea da escuridão. Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.
Outubro 7, 2008, 10:26 pm, O Caderno de Saramago.
A leitura do texto de Saramago, que transcrevo a seguir, forneceu-me a solução para o «trabalho de casa».
“o olho humano escondido”! É isso! A poesia acontece como a escuridão acontece – “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”.
E não é também Garcia Lorca que diz “Todas as coisas têm o seu mistério. E a poesia é o mistério de todas as coisas.”?
O outro lado
Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade (ou da minha estupidez, segundo alguma opinião mais radical) e me dariam a única resposta que nunca me poderia convencer: “As coisas, quando não olhamos para elas, são iguais ao que parecem quando não estamos a olhar”. Sempre achei que as coisas, quando estavam sozinhas, eram outras coisas. Mais tarde, quando já havia entrado naquele período da adolescência que se caracteriza pela desdenhosa presunção com que julga a infância donde proveio, acreditei ter a resposta definitiva à inquietação metafísica que atormentara os meus tenros anos: pensei que se regulasse uma máquina fotográfica de modo a que ela disparasse automaticamente numa habitação em que não houvesse quaisquer presenças humanas, conseguiria apanhar as coisas desprevenidas, e desta maneira ficar a conhecer o aspecto real que têm. Esqueci-me de que as coisas são mais espertas do que parecem e não se deixam enganar com essa facilidade: elas sabem muito bem que no interior de cada máquina fotográfica há um olho humano escondido… Além disso, ainda que o aparelho, por astúcia, tivesse podido captar a imagem frontal de uma coisa, sempre o outro lado dela ficaria fora do alcance do sistema óptico, mecânico, químico ou digital do registo fotográfico. Aquele lado oculto para onde, no derradeiro instante, ironicamente, a coisa fotografada teria feito passar a sua face secreta, essa irmã gémea da escuridão. Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.
Outubro 7, 2008, 10:26 pm, O Caderno de Saramago.
domingo, 5 de outubro de 2008
tpc 2
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
trabalho para casa - 3
É
imagem, artefacto, marcação…
pedra.
Últimos desenhos de baleia.
Caçadas esculpidas como cenas feitas de anos.
Mil lâminas, restos de marfim, partidas…
Três dias…
e um livro aberto.
imagem, artefacto, marcação…
pedra.
Últimos desenhos de baleia.
Caçadas esculpidas como cenas feitas de anos.
Mil lâminas, restos de marfim, partidas…
Três dias…
e um livro aberto.
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