Hoje fui com uns poucos (Liliana, Elza, Nuno e Raquel) ao café progresso, ouvir declamação de poesia de Jorge de Sena. Fomos brindados com uma hora de atraso e uma introdução googleana à poesia do dito autor. Quando eu pensei que não podia piorar, ouço uma voz orgástica a declamar - diria melhor, a esfrangalhar - um poema. A pachorra não aguentou e pouco depois viemo-nos embora.
Falo disto aqui agora e aqui porque já não é a primeira vez que vou a este tipo de tertúlias e encontro, da parte de quem declama, uma certa pedantice de pseudo intelectual que me dá uma certa urticária. Como se se julgassem o centro do mundo, a classe pensante da sociedade.
Nestes momentos, vem-me à memória o que uma vez alguém me disse: que aqueles que escrevem sem terem qualquer tipo de formação superior na área da Literatura acabam tornando-se mais humildes, escudando-se assim da sua (suposta) ignorância. Como todas as generalizações, contém a sua margem de erro e espaço para excepções (a Ana, por exemplo). E dei por mim a agradecer baixinho, no meio dos berros da personagem, o ter-vos conhecido. Porque somos humildes, despretensiosos, sem malícia ou falsos pudores; porque temos a coragem de mostrar a nossa intimidade na poesia e a boa vontade de criticar o trabalho dos outros. no fundo, por sermos pessoas com um enorme respeito e amor à poesia, um amor simples, que não se reveste de trejeitos ou cigarros de angulo recto na mão.
Um bem haja a nós, companheiros de viagem, de descobrimento, de partilha.