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terça-feira, 16 de junho de 2009

Porque um dia voltaremos



Gostava de partilhar convosco um poema muito especial para mim. Aconteceu na última aula de Português de uma das minhas turmas de 10º Ano. Um poema da autoria de todos os alunos, tocados pela magia da palavra poética, neste último mês de aulas. Um texto que poetiza momentos do percurso escolar, deles e meu. Um texto cheio de reminiscências, minhas e deles. Um texto/poema que dá resposta a um dos desafios que lhes lancei - enquanto escrevemos, permanecemos...

Obrigada a eles por aceitarem o desafio, obrigada a vós por os receberem neste espaço dedicado à poesia e protegido pelos poetas...



Um dia cheguei
não sei bem como, ainda,
e permaneci.


sou escritor de mim.
enquanto escrevo
permaneço.


e houve um tempo em que escrevi
sob baloiços de outono,
passando pelos contos
até ao poema,
aquele que cresce na carne.

nas páginas de uma aula
aprendi a voar.

reencontramo-nos (intrinsecamente)
num abrir de asas.

Porque um dia voltaremos.



Alunos da Turma D/E, Colégio Luso-Francês

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O berço

Enterneci-me com o poema da Sara, o poema
de mãe e filha, o poema de filha e mãe.
Lembrei-me de misturar estas sensações
com os lugares especiais em que alguns de nós
se descobrem, revelando sentimentos, emoções
e ao mesmo tempo resguardando-se numa
certa névoa de mistério.
Este poema coloca dois lugares especiais
de uma outra forma, os lugares dentro das
pessoas. Por isso fala de forma simples e
singela, do berço que embala
e do colo de mãe!



O berço

O berço é de pau-santo;
uma perna mais pequena.
Treme o bébé de surpresa
no jeito que lhe dá
transforma em brincadeira
num baloiço o problema!

Vai e vem na nossa alma
nos precalços da vida
um sentir de mais além;
quando se era feliz
nos braços da nossa mãe!

Canto (do lugar especial)

Tenho um canto que me acolhe,
lá na praia do Molhe.

Atrás de um milhão de anos
de uma rocha gladiadora,
uma cova encantada enrola-me,
o mar alisa-me o passado,
o sol aquece-me os pés
e a Terra lambe-me as feridas.

O canto, canta baixinho.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Aqui e agora

Quando lançaram o desafio do lugar especial veio-me logo à ideia um refrão do Gilberto Gil que diz:
"O melhor lugar do mundo é aqui e agora".

Não consegui descolar da ideia e colei, como pude, o que queria dizer:

Aqui, onde o mar arranca.
Agora, quando a água tinge.
O tempo de tez tão triste.
A pele de cor tão branca.
Aqui, onde o mar abraça.
A terra nos braços cinge.
Aqui, onde a vida passa.
Agora onde o amor existe.
O lugar onde tudo mora
os meus - aqui e agora

um outro olhar...(8)

foto: José Figueira
“na ilha terceira…”

uma montanha feita de verde, tão diferente, tão distante
junto do céu e do infinito
tão longe de tudo… tão perto do essencial

chegados lá, cansados, sentimos que valeu a pena
na ilha terceira, nessa montanha feita de verde, perdida no meio do oceano
sempre com o mar, azul, a abraçar a floresta, verde
sentimos que estamos no centro do mundo
e por momentos estamos sós, com a origem da vida

o mar selvagem de um lado
a floresta virgem do outro
e nós lá no meio

tão longe de tudo… tão perto do essencial

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Nesse lugar especial

Tenho nome de princesa
quando me chamas
e sabor a ambrósia
quando me provas
sou o mais frágil cristal
quando me tocas
e a essência mais rara
quando respiras
sou poderosa Circe
quando me enfeitiças
e o mais doce bago
quando me beijas

...mas na tua ausência torno-me eclipse.

Guardei uma praia no fundo de um frasco de vidro com tampa

A praia pegou fogo
O sol deixou o céu azul
Alaranjado
As chamas de fim de tarde
Pintaram o areal.

O mar cantou uma canção para mim
Dancei com as ondas
Embalada pelas marés.

Mergulhei com as baleias brancas
Flutuei com as algas
Hesitando
Entre o destino da areia
Certo
E a linha do horizonte
Ao fundo
Onde se escondem as sereias e os capitães
Outras praias e outras coisas
Que não vejo.

Quis agarrar o momento
Como se faz a um punhado de areia nas mãos
Mas desfazia-se, todas as vezes,
Como a espuma que quebra nos rochedos
E desaparece
Como só num sonho pode ser.

Mas eu teimei.
Trouxe o salitre
Agarrado à minha pele
Trouxe o tom doirado
Dos raios límpidos da tarde
Do sol que me aqueceu a infância.

Trouxe os pedaços das conchas
Que o mar esculpiu
E búzios
Para me cantarem a canção do mar
Junto ao ouvido
Nas tardes longas e húmidas
Do Inverno da minha vida.

Guardei pedaços de uma praia
No fundo de um frasco de vidro.
E tapei-o.

Mas as coisas nunca são como as sentimos.

Na praia deixei,
Espalhados,
Restos de mim.

Por entre os cactos nas dunas,
Na ponta do anzol
Dos pescadores
Que se abrigam nas rochas,
Nas pegadas da areia
Que o mar escondeu,
No voo das gaivotas
Assustadas,
Em cada pôr-do-sol,
No riso das crianças,
No fundo de um balde
De caranguejos, lapas e mexilhões.

A vida é feita de pedaços.
De papel
De palavras
De pessoas
De encontros e desencontros
De música, vento e sal
De outras coisas
De lugares
De uma praia como esta.

Deixei o meu coração na praia
Que chorou por mim
No orvalho das manhãs frias e distantes.

Guardei a praia num frasco
Para não me perder de mim.

Por vezes,
Olho-a na estante,
Apertada no vidro do frasco com tampa,
Mas não me encontro.

É que afinal:
Mergulhei,
Agarrei,
Trouxe pedaços da praia comigo
Que guardei no fundo de um frasco de vidro com tampa,
Mas deixei lá
Nessa praia
Fragmentos de mim
Também.

É na linha do horizonte
De um céu rosado de final de tarde
Que estão guardados
Todos os sonhos da minha alma.

Elza

Obrigada Nuno, o outro, e Raquel, e José, e afinal, também, todos os outros poetas deste blog, por me terem inspirado a "poesiar" sobre um "lugar especial" muito meu. Obrigada Ana Luisa por ser o grande motor deste grupo de poetas e projecto de poetas e, sobretudo, de ensinar, e de ensinar a descobrir! (Ponto de exclamação, sem dúvida, e reticências, mas só imaginárias, para mim, por tudo aquilo que gostaria de escrever, mas fica ainda por dizer.)

Lugares Especiais

Olá a todos. Foi inaugurada uma nova etiqueta - ou, se quisermos, um novo tema - que surgiu de um desafio que o Nuno colocou no espaço de comentário ao seu poema "Um outro olhar... (7)". O convite é muito bonito e diz assim:
«Hoje, antes de regressar "ao asfalto", lembrei-me deste "lugar especial" onde tenho de ir mais vezes. A propósito, este também é um tema interessante. Quais são os vossos "lugares especiais"? Que escreveram acerca deles? Fica o desafio...»
Eu já respondi! E para todos os que queiram embarcar é só usar a etiqueta 'Lugares Especiais', para que possamos todos visitar os lugares especiais uns dos outros.
Até breve,

Raquel Patriarca
vinteeoito.novembro.doismileoito

Eu Estive Lá

eu estive lá, toquei e cheirei…
o planalto de Gizé, as ilhas do Pacífico, o cume do Everest, o deserto do Saára, as margens do Amazonas e do Mississipi, o Pólo Sul, o Jardim do Éden, a Terra Média, a Lua…

eu conheci…
Platão, Cleópatra, Gagarin, o Papa Bórgia, o Rei Artur, Alexandre Magno, a Madre Teresa, Romeu e Julieta, D. Quixote, Sherlock Holmes, Harry Potter…

eu vi, eu senti…
a Cidade de Deus de Santo Agostinho, os Astros de Galileu, a Monalisa de Da Vinci, a Nona do Bethoven, a Utopia de Thomas Morus, a estratégia de Maquiavel, o Beijo de Klimt, o Nome da Rosa de Umberto Eco…

eu vivi, eu chorei e ri…eu li…


Raquel Patriarca

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um outro olhar...(7)


“a praia do molhe…”

seria uma praia como outra qualquer
se não fosse a minha praia
aquele lugar especial
aquele lugar que não esquecemos nunca

seria uma praia como outra qualquer
se não tivesse sido aqui que cresci
e aprendi a gostar das pequeninas coisas da vida
olhar para o sol de inverno, molhar os pés na água fria

seria uma praia como outra qualquer
se não fosse aqui que eu volto sempre
para chorar ou para rir
para sonhar ou simplesmente para estar

seria uma praia como outra qualquer
se não fosse a minha praia
aquele lugar especial onde eu volto sempre
para recordar

seria uma praia como outra qualquer