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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Espantalho

O espantalho voou com os pássaros e enjoado em diagonal - braços em cruz
larga vómito lagarta papoila
daquelas muito vermelhas e com pinta
gota a gota
torto da boca
ácida indisposição
que fertiliza
a palha espalhada
em espantosa desintegração

Que desplante!

Ana Janeiro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ressaca



Dali 1914

Sobre o fim
do fundo do alicerce
no "underground".
caíram duas torres de vidros partidos.
das veias sobra a seiva de tom negro.
inócua de fora. nas labaredas de um inferno
gravítico ao centro.
"chumbático" sob os pés de um Pteriodáctilo
na "marmórica" tumba de uma arca perdida.

Quantos assim. quantos dias assim.
sobre o fim
de olhos "larângicos" e garras de facas
nos retalhos de um corpo íngreme.
o alpinista imprudente caído
branco cisne abatido
à distância breve de um paraíso

e a impune impossibilidade
de uma raiz -

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

elevo-me

elevo-me
acima das nuvens
pairo dormente
e corpo
e mente
ausente

nem vivo
nem morto
nem nada

anestesia
ilusão
intervalo

vida que não quero
ser que não sou

enfeito-me
de Natal
efémero no brilho
que não dura
que não muda

nem vivo
nem morto
nem nada

Regresso ao Desassossego

Agora que te penso e que te deixo
Lembro-me da letargia que me davas
– Esse aconchego tão estonteante –
Mergulhado em mil delírios, sonhos
Mil, sem ânimo viril para o caminho.

Agora, companheiro de infortúnio,
Viajo de regresso ao desassossego,
E não nego que não é fácil este viver
Sem ti – trago o mundo todo sobre mim
E por isso atiço o teu fantasma em mim.

Como era tão mais fácil ter-te à mão
Apagando a minha solidão e a noite
Sempre a trespassar-me. Tu eras o afago
Que eu não tinha, a sensação etérea
Que eu buscava para transpor o meu
Deserto – agonia a corroer-me a alma.

Agora que sou senhor do sofrimento,
E embora pense em ti, ópio aliado,
E nesse tempo aturdido que me deste,
Ensaio outra luz, outro deslumbramento –
Pés firmes no chão experimentando a vida.

2009.12.15
José Almeida da Silva

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sobre(leva) as asas de cera



Sobreleva o sol de inverno
sem arbustos de mistério
de contíguas sombras.
Clara a manhã azul claro.
Abertas as asas brancas longe
longe de ópios de "Opiários"
de Orientes de "Clepsidra"
de anos vinte parisienses
entre longas cigarrilhas
e os líquidos absintos.

Mas mesmo assim sobreleva
a luz louca dos artistas
inspiração de génios
"surpassados" de limbos.

Não esqueço, não se esquece
mas sobreleva o ar frio
compartido ou vazio
dentro ou fora de um
um quintal homónimo das cores.

Qual jardineiro de abas largas que passeia sobre
o asseio das flores na manhã de inverno
um bom dia mais branco e brilhante de terras
onde houve ervilhas, de cheiro, das outras
a postura deitada dos melões
o crescimento dos feijões.

Qual jardineiro na surpresa dos ramos verdes de laranjeira
e alguns frutos de cascas prontamente desbulhadas
em aromas, sabores e sumos. doçuras.

Sobreleva o sol de inverno
só, e sente-se a ténue aragem de sorrisos;
rostos "surpassados" nos seus limbos;
ares lunáticos de Dali
geometrias de Klee
guitarras coloridas de Juan Gris
imaginárias fantasias -

Sobreleva as asas de cera, inseridas
sem lugares marcados de cinzas
sem chamas, sem pavios, lisas
macias, com alma branca e solta
sem os olhos injectados de quadrículas

Sobre(leva) acima, acima, acima -

domingo, 13 de dezembro de 2009

ar vo r ar

de orgãos portáteis
passados a ferro
a alta velocidade
em dia de TGV
e aquele verde atrasado
pasmado à janela -

os homens têm vergonha das árvores

sem mãos de algemas
à mostra à terra

à noite
os homens choram
e injectam-nas

de olhos verdes enormes
riem lá em cima, quietos
à procura de raízes no ar

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Drogas

Olá a todos!

O 7º trabalho de casa para a última sessão é sobre drogas. Como base de apoio foram fornecidos os seguintes textos:

"Como um deserto imenso,
Fez-se em redor de mim.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso...
Que delícia sem fim!

A dor, deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente imenso,
Foi um deslumbramento.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Num doce esvaimento.
Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?
(...)

Camilo Pessanha "Branco e vermelho" (1867-1926)

(...)
Nem ópio, nem morfina. O que me ardeu,
Foi o álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante -
Manhã tão forte que me anoiteceu.

Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)


É antes do ópio que a minh'alma é doente
sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.
(...)

Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa) (1888-1935) " Opiário " 1915



EUA/Angola:«Parceria Estratégica» discute tráfico de drogas e de pessoas
17 de Novembro de 2009 03:02

Washington, 17 Nov (Lusa) - O tráfico de drogas e de pessoas foram discutidos na primeira sessão do "Diálogo de Parceria Estratégica" entre Angola e os Estados Unidos, refere uma declaração do Departamento de Estado norte-americano.

Delegações dos dois países reuniram-se na segunda-feira pela primeira vez no quadro desse "Diálogo" acordado durante a visita que a secretária de Estado, Hillary Clinton, efectuou a Angola em Agosto.

O acordo prevê encontros regulares de grupos de trabalho para discutir "questões de preocupação mútua".