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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Falas comigo ao ritmo da tua respiração - um poema de Gérard de Cortanze




Encho a minha boca
com o teu intenso odor sagrado:
azul de pavões azuis, cordilheira
e búzios volutas de anéis.
Falas comigo
ao ritmo da tua respiração.
Tornas-te exacta,
cascata de mel e de meio-dia.
Respeito a tua atenção.

Gérard de Cortanze "O movimento das coisas", Campo de Letras, 2002

quinta-feira, 21 de julho de 2011

De um lado, o amor intuitivo da carícia


Fotografia de David Dawson no estúdio de Lucian Freud (neto do inventor da psicanálise falecido ontem, 21 de Julho de 2011)

De um lado, o amor intuitivo
da carícia. Do outro,
toda esta vida cheia, esta força que transborda.
De um lado, a madrugada,
que desperta no teu ventre.
Do outro a noite que
através de nós germina
nas plantas, na voz,
na veemência das plantas,
na veemência da voz,
na ternura que contagia o erotismo
com a sua veemência, o seu peso
de gritos e de camélias distintos.

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Caminhei ao longo
de uma praia
de margens irregulares
e de pássaros lisos. Ansiava
que hoje pudesses tocar
nesta rede que palpita,
se abre e se fecha.

Poderás para sempre correr
ao longo desta areia,
debruada, como pedaços de tecido,
insustentável?

Poderás estender-te
a este sol, surpreendida
por esferas de nuvens
e de luz?

Gérard de Cortanze "O Movimento das Coisas" Campo das Letras, 2002

terça-feira, 3 de maio de 2011

Porque ela nada mais teme


Cindy Sherman

......
Porque ela nada mais
teme, a mulher
das ancas de mosaico;
nem a espada
nem o touro
nem o medo:
a fonte está lá e
segreda-lhe ao ouvido
que ela é eterna,
que o seu ser possui
a nascente,
a sua sede, a sua perenidade,
um busto de alabastro,
uma memória de gaio.

Gérard de Cortanze " O movimento das Coisas"

domingo, 17 de abril de 2011

Borboleta, tu despedaças


Fotografia retirada da internet

Borboleta, tu despedaças
o voo
sussurrante
do cinzento.

Gérard de Cortanze "O movimento das coisas"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nem brutal nem severa


Fotografia retirada da internet

Nem brutal
nem severa,
experimentas
a estranha euforia
e o ardor
do vento;
alta
e calma
e silenciosa,
por vezes perdida na
realidade resistente, sob
a resistência da luz,
para caminhares no meio da poeira,
na plena matéria viva.

Gérard de Cortanze " O movimento das coisas "

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Há gritos inúteis.
Por isso, devo sondar
os movimentos,
as aventuras,
as intuições,
as montanhas verdes desdobradas...
Hoje, senti
nos meus ossos
cinco almas ferozes e confusas.
Mas não te despertei.
Dormias, entre
lençóis de tesouras entrançadas.
Dormias.
Não me atrevi a tocar-te.
As chamas e os olhares
destas cinco almas ferozes
e confusas teriam
jantado à tua mesa- e o drama
da obscuridade deve escapar-te.

Gérard de Cortanze "O movimento das coisas"