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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Meninas

Menina princesa
De porte altivo
Brilha toda em ouro
Tem o mundo em volta
Para deslumbrar

Menina menina
De rosto cansado
Vive para dar
Uma vida ao lado
Menina sem luz

Cai a névoa densa
Que o pintor desenha
Cai sobre princesa
Cai sobre menina
Cai como num sonho
A querer transformar
Menina ou princesa
- Em criança

domingo, 4 de janeiro de 2009

Diz Vélasquez às Meninas

Espelho meu
Espelho meu
Há algum quadro mais belo do que o meu?

O espelho em 5 tempos

Cena Um
Palco cheio.
O pintor hesita junto à luz
Olha para trás
Talvez para nós.

Cena Dois
Palco vazio.
O pintor olha a sua obra
Olha em frente.
Talvez para nós.

Cena três
Centro do palco
A menina posa e é a luz
Olha o espelho
Talvez para nós.

Cena quatro
Primeiro plano.
O cão olha para baixo.
Talvez para nós.

Cena cinco
Palco duplo
Eu olho para o quadro
Talvez para mim.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A partir de As Meninas de Velásquez

As rendas e os tules tendem a entediar
Por isso vou até ao fundo, à porta aberta onde reluzem escadas
Que não sei onde vão dar
Trazem luz e um homem de bigode que periclita entre degraus
Por que é que o cão não ladra ou morde a anã?
Por que é que o pintor não deixa cair a paleta no veludo do vestido?
Ver num instante tudo em alvoroço, ah –
Braços a gesticular, pernas no ar, cabeças a rodar entre mãos e pés,
O espelho malogradamente partido
uma anã gigante em cima da mesa
que a roda das saias esconde
E os tapetes? Telas de Pollock.
Mas o mais espaventoso era o pintor pegar na tela
com a ajuda dos criados ou sem ela e especá-la à frente das meninas,
do cão, do espelho, da anã, da porta que dá para as escadas
de tudo. E… nada…
de repente, o esplendor –
um cavalete e a estrutura de madeira que sustenta a tela comprida e larga
Um Velásquez às avessas
Vazio e de costas ao léu

sábado, 27 de dezembro de 2008

sobre(a) a menina

Que não te apague a luz -
que nunca;
sombra, nata de névoa escorre
cega no espelho do império, nas
cataratas espessas da madeira.
Dobram os olhos do pintor real -
no espaço trata uma obcessão,
bando de súplicas para que os teus dias
dialoguem com o sol de uma bandeira.

Que não te canse o lume -
que nunca;
na cauda de menina-luz a cozer ditados
ao animal cioso que cuida belezas.
Bichos quase caseiros - a lareira costurando
o fogo. Que todos te acendam rendados
em pregas de claras cores, modelos
de olhos caprichosos de menina;
esboços e estudos a gris, namorando
a tela-luz do contraste que dominas.

Que nunca! Futuros modernos?
Prendam esses ladrões de ares de altivez,
pois nunca é muito como te vês.
Que nenhum lobo marinho
venha ao sul secar o teu sangue
azul.

Um firme raio - um passo do sol
pincelado séculos atrás, passeia na
na moldura digital na alçada
do hall de entrada do T2.
Pilhas inventam pixels onde sois
princesa, à grande e à castela,
pilhas alcalinas para perpetuar
as meninas,

e a tristeza
de te ver presa
na casa real da
incerteza.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008




Olhares esguicham
furam-lhe as fendas.
Composto
bidimensional,
esmagado a céu aberto.


Imposto,
centro massivo
velho e excessivo,
pelas bordas quer fluir
o foco exige abrir.

Tenta o anão,
escorrega
no pé da criança,
agarra-se
ao hábito da fé,
mas cai
entre nós e o cão.

Silêncio.

Regressa pelo espelho,
ao fundo
reflecte o passado.

Pousa o pincel,
sai pela porta.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Carícia de pantufa

Las Meninas, or The Family of Felipe IV

Não está quieta a Princesa?
Culpa dela?
A aia que lhe fala
do menino junto ao bobo.

O pincel sem ter tempo.

"É de ouro o cabelo!
Tão brilhante fino moço" - diz a mãe
- "Mas agora está diferente!"

O pincel no óleo mudo
e o cão escutando calmo
que o tempo saia, solte o dorso
e a carícia de pantufa
afaste a pulga.

Tão quieta a Menina:

Da janela cega a luz
o corpete fino as argolas
do vestido. A pergunta do porquê?
do que pensa?
a inclinação indiferente da cabeça.

Na rosto algo vazio
o olhar ausente na Princesa.

Os reis de cinturas ao fundo no espelho
vendo tudo -

Metafísicas caninas



Vestido de orelhas e focinho

Na pele de cão

Alheado dos cuidados, caracóis e volteios

À volta, Arte, Nobreza e Fé

Pintam surdinas e presságios futuros.

Na quietude deste canto

Farejo reflexões filosóficas

Rosno baixinho transcendências metafísicas

Ai...aquele osso suculento do almoço

E o pé de seda no meu dorso!

Teresa Almeida Pinto, António Luíz e Marlene

As meninas




Atrás de cada porta há um fantasma
e por baixo das saias da pequena infanta erguem-se castelos com escadas de açúcar
não levam a lado nenhum porque nada leva a lado algum.
Velásquez vê as notícias em tela de marca - Portugal foi perdido e das Américas vêm pouco ouro,
a seguir dá "apocalipse now" depois de umas quantas guerras
A História Universal é de um tédio avassalador e
o tempo não é passageiro porque o tempo não existe,
se existisse também não seria passageiro
Velásquez e as meninas hão de ver com pouco interesse agora num plasma
é perigoso desenhar
no quarto ao lado as infantas brincam no hi5 e alisam os cabelos tristemente.