Bahia
É lata
É bairro
É barro
É borra
E café
Mulher da manhã
Com dança no pé
Bahia
Dos carros
Dos ossos
Dos pobres
Dos podres
De amores
Que bebem as dores
Num copo sem fundo
Bahia é o guincho
Que acorda
O sono profundo
Bahia é o bicho
Que morde
E mia no escuro
Bahia é o mundo
Que segue
De passo
Inseguro
A coxear
Um Futuro
Manco
Bahia segue
De perto
O seu Orixá
Bahia do preto
Perdida de branco
Devota a Iemanjá
Bahia é pra já
Bahia imediata
Sem espera ou data
Sem plano de acção
Bahia canção
Multidão
Temores
De tambores
E dança
Balança
Sem esperança
Só samba
Só mar
Só morte e criança
Com fome na pança
Bahia bamba
De pernas compridas
Bahia descalça
Que salta
Ou assalta
Mostrando
As feridas
terça-feira, 5 de maio de 2026
I.R.S (Investida Ruidosa ao Silêncio IMPOSTO)
Que farei quando tudo arde
Sá de Miranda (1481-1558)
Sobem protestos
Em alto som
Esmagas o grito
Abafas o tom
Asfixias
Trazes de volta
O silêncio imposto
Volta a revolta
Medos no rosto
Angustias
Tua existência
Numa fogueira
Tua insistência
Queimar inteira
Nós queremos
Teus olhos surdos
Sinal de aviso
Os teus discursos
Sem improviso
Queimaremos
Tua arrogância
Numa lareira
Pôr-te à distância
De que maneira,
Em alto som
Esmagas o grito
Abafas o tom
Asfixias
Trazes de volta
O silêncio imposto
Volta a revolta
Medos no rosto
Angustias
Tua existência
Numa fogueira
Tua insistência
Queimar inteira
Nós queremos
Teus olhos surdos
Sinal de aviso
Os teus discursos
Sem improviso
Queimaremos
Tua arrogância
Numa lareira
Pôr-te à distância
De que maneira,
Nós faremos?
Talvez assim
Neste poema
Ardas por fim
Saias de cena!
Ardas por fim
Saias de cena!
Aqui e agora
Quando lançaram o desafio do lugar especial veio-me logo à ideia um refrão do Gilberto Gil que diz:
"O melhor lugar do mundo é aqui e agora".
Não consegui descolar da ideia e colei, como pude, o que queria dizer:
Aqui, onde o mar arranca.
Agora, quando a água tinge.
O tempo de tez tão triste.
A pele de cor tão branca.
Aqui, onde o mar abraça.
A terra nos braços cinge.
Aqui, onde a vida passa.
Agora onde o amor existe.
O lugar onde tudo mora
os meus - aqui e agora
"O melhor lugar do mundo é aqui e agora".
Não consegui descolar da ideia e colei, como pude, o que queria dizer:
Aqui, onde o mar arranca.
Agora, quando a água tinge.
O tempo de tez tão triste.
A pele de cor tão branca.
Aqui, onde o mar abraça.
A terra nos braços cinge.
Aqui, onde a vida passa.
Agora onde o amor existe.
O lugar onde tudo mora
os meus - aqui e agora
Um inédito pretexto
Um poema começa de forma imprecisa
Irrompe de um choro contido
de sal sobre a pele
Até deixar de saber o sabor
do verbo
E o poema atinge com a força de um ferro
Porque há na escrita uma dor latente
Uma coisa insidiosa que lateja
sobre a pele
E é sol, e é sal e é só o poema
E é só um poema que pulsa
na pele
O poema persiste de forma improvável
Inunda o olhar de choro composto
só sal no papel
E um poema no rosto
A perder de sentir o sentido
do verbo
E o poema é quem t(f)inge de cor
Porque há no Autor um inédito desejo
de exibir a pele
E o poema é só
um pretexto
Irrompe de um choro contido
de sal sobre a pele
Até deixar de saber o sabor
do verbo
E o poema atinge com a força de um ferro
Porque há na escrita uma dor latente
Uma coisa insidiosa que lateja
sobre a pele
E é sol, e é sal e é só o poema
E é só um poema que pulsa
na pele
O poema persiste de forma improvável
Inunda o olhar de choro composto
só sal no papel
E um poema no rosto
A perder de sentir o sentido
do verbo
E o poema é quem t(f)inge de cor
Porque há no Autor um inédito desejo
de exibir a pele
E o poema é só
um pretexto
Dizem que não sabiam quem era
what’s in a name?
"William Shakespeare, in "Romeo and Juliet" (c. 1595)
Usava roupa como a noite escura
Voltava a tempo do telejornal
Passava pelos rostos com candura
Sonhava em morar na marginal
Pintava a cara logo de manhã
Subia a saia como quem procura
No pescoço a velha marca da maçã
No peito um só rasto de ternura
Soltava a dor só pela ranhura
Prendia o olho de escorrer de sal
Fingia ser actriz de uma aventura
Diferente ou de frente e tal e qual
Sorria os lábios feitos de amanhã
Tardava um sorriso ao fim do dia
Trincava quatro amores e uma maçã
Trazia restos de uma noite vazia
Foi vista última vez no tal café
Cruzava a perna em laço de presente
E antes que alguém dela desse fé
Gastou-se no meio de toda a gente
Vertia roupa como a noite fria
Trazia os lábios postos na manhã
Despia a saia como quem queria
Adão e a velha marca da maçã
Brindava à dor só por mais um dia
Fechava o olho a escorrer de sal
Pisava os restos com melancolia
Pintava a cara no último ritual
Mordia os beijos gastos no divã
Tardia num sorriso inacabado
Tomava quatro amores e uma manhã
Soltava a dor com cheiro a guardado
Foi vista última vez com o tal batom
Atava a perna em laço de presente
E antes que alguém emitisse um som
Calou-se no tal café de tanta gente
Subscrever:
Mensagens (Atom)