John Wiliam Waterhouse
pode ter a pele eriçada de ondas que se aproximam da praia
e pode ter ao mesmo tempo o sol, o céu, o vento
escrevendo histórias
mágicas
de peixes, algas e
águas
e sereias –

Sinto que hoje novamente embarco Para as grandes aventuras, Passam no ar palavras obscuras E o meu desejo canta --- por isso marco Nos meus sentidos a imagem desta hora. Sonoro e profundo Aquele mundo Que eu sonhara e perdera Espera O peso dos meus gestos. E dormem mil gestos nos meus dedos. Desligadas dos círculos funestos Das mentiras alheias, Finalmente solitárias, As minhas mãos estão cheias De expectativa e de segredos Como os negros arvoredos Que baloiçam na noite murmurando. Ao longe por mim oiço chamando A voz das coisas que eu sei amar. E de novo caminho para o mar.
Sophia de Mello Breyner Andresen (lido aqui)