Ouvi-te os passos em palavras de regressos.
Pontuava-te,
Na esperança de que em versos
A tua cosmogonia não me falhasse.
Conhecia-te a poeira do cansaço,
as batalhas perdidas e os moinhos que enfrentaste.
Soubesses tu, cavaleiro,
Traçar-nos em linhas mais certas
Deixar-me em portas abertas
Com a certeza do regresso.
Confesso
não te amar talvez inteiro
Apenas parte das viagens e as palavras de cativeiro.
Mas sei-te nas cores da audácia
e em traços de ousadia
as sombras soltas de glórias
e as horas de maresia.
E agora nobre soldado
Repousa nas madrugadas
e em espadas
e horas distantes.
Nas armaduras antigas liberta os moinhos gigantes.
E nas batalhas de areia
refaz o mundo em avesso
Que eu espero-te, Dulcineia,
Nos versos do teu regresso.
Maria Inês Beires
(queria ter dado um a toda a gente não por achar que é um bom poema mas por ser o mais recente e para se lembrarem de mim. de qualquer maneira, depois de ter desistido de passar um a um a limpo, resta-me deixar-vos aqui no blog e desejar-vos um bom natal e uma vida repleta de cavaleiros e Dulcineias.)
feliz natal!
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Retrato em luzes.
Quereria pintar-te só, pequena Margarida,
Mas tão pequena, tão bem vestida
não serias tu gravura de criança.
O meu pincel reclama, bela infanta
que te rodeiam luzes e expressões
Que as cores se vão em longas ilusões
E o branco recai puro sobre ti.
Em verdade a luz me engana aqui tão perto.
São muitos os esboços que te cercam
Como então pintar-vos para que não vos percam?
Pintei-vos então branca, como sois,
Como vos sinto hoje e vos hão de encarar depois.
Pois se a pureza se confunde em quadro aberto
Cercar-te em canto escuro e companhia
E pelas cores traçar-te bela e tão pequena
que o branco só te torne mais serena
E de ti se desvanessa a demasia.
Maria Inês Beires
22/12/2008
Metafísicas caninas

Vestido de orelhas e focinho
Na pele de cão
Alheado dos cuidados, caracóis e volteios
À volta, Arte, Nobreza e Fé
Pintam surdinas e presságios futuros.
Na quietude deste canto
Farejo reflexões filosóficas
Rosno baixinho transcendências metafísicas
Ai...aquele osso suculento do almoço
E o pé de seda no meu dorso!
Teresa Almeida Pinto, António Luíz e Marlene
desejo de princesa
- diz-me princesa,

o que mais desejas ?
correr e gritar, corada e descalça,
o palácio de ponta a ponta.
ser menina de faz-de-conta.
despentear a brincadeira,
sem rendas e sem laços.
ter o riso e a chuva nos braços.
- não pode ser princesa,
que ainda te descompões.
Raquel Patriarca
vinteedois.dezembro.doismileoito
As meninas

Atrás de cada porta há um fantasma
e por baixo das saias da pequena infanta erguem-se castelos com escadas de açúcar
não levam a lado nenhum porque nada leva a lado algum.
Velásquez vê as notícias em tela de marca - Portugal foi perdido e das Américas vêm pouco ouro,
a seguir dá "apocalipse now" depois de umas quantas guerras
A História Universal é de um tédio avassalador e
o tempo não é passageiro porque o tempo não existe,
se existisse também não seria passageiro
Velásquez e as meninas hão de ver com pouco interesse agora num plasma
é perigoso desenhar
no quarto ao lado as infantas brincam no hi5 e alisam os cabelos tristemente.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Vontade
“a medo vivo, a medo escrevo e falo”
António Ferreira, 1528-1569
António Ferreira, 1528-1569
E se é
verdade o que dizem
sobre o amor não ser eterno.
É devolver o que se sente
ou se pensa que sente,
já sem certeza de nada,
e guardar apenas a memória
de um mundo enganado de
sobre o amor não ser eterno.
É devolver o que se sente
ou se pensa que sente,
já sem certeza de nada,
e guardar apenas a memória
de um mundo enganado de
perfeições inventadas.
E aquele a quem se ama,
E aquele a quem se ama,
composição de
conceitos
próprios,
torna-se entidade livre
de à força ser
imagem e significado
de quem
precisa de o amar.
E se é
verdade que o amor não é eterno.
Pouco importa,
que hei-de
manter as perfeições inventadas
por teimosia de
vontade,
que não escondo nem calo.
Mas entretanto,
a medo escrevo, a medo vivo e falo.
que não escondo nem calo.
Mas entretanto,
a medo escrevo, a medo vivo e falo.
Raquel Patriarca
dezasseis.dezembro.doismileoito
A hora mais exacta
Imagens
que voltavam devagar,
se encostavam a ela sem pudor.
E no silêncio, a esfinge impenetrável,
sabendo-lhe de cor o coração:
desistente dos barcos,
depondo pelo chão de outros palácios
as armas mais preciosas.
“Não posso”, acrescentara,
sentindo aproximar-se a hora
exacta.
Ana Luísa Amaral (Lisboa, 1956-)
in Imagens (2000)
que voltavam devagar,
se encostavam a ela sem pudor.
E no silêncio, a esfinge impenetrável,
sabendo-lhe de cor o coração:
desistente dos barcos,
depondo pelo chão de outros palácios
as armas mais preciosas.
“Não posso”, acrescentara,
sentindo aproximar-se a hora
exacta.
Ana Luísa Amaral (Lisboa, 1956-)
in Imagens (2000)
Carta de Natal a Murilo Mendes
Querido Murilo: será mesmo possível
Que você este ano não chegue no verão
Que seu telefonema não soe na manhã de Julho
Que não venha partilhar o vinho e o pão
Como eu só o via nessa quadra do ano
Não vejo a sua ausência dia-a-dia
Mas em tempo mais fundo que o quotidiano
Descubro a sua ausência devagar
Sem mesmo a ter ainda compreendido
Seria bom Murilo conversar
Neste dia confuso e dividido
Hoje escrevo porém para a Saudade
- Nome que diz permanência do perdido
Para ligar o eterno ao tempo ido
E em Murilo pensar com claridade -
E o poema vai em vez desse postal
Em que eu nesta quadra respondia
- Escrito mesmo na margem do jornal
Na baixa - entre as compras de Natal
Para ligar o eterno e este dia.
Lisboa, 22 de Dezembro de 1975
Sophia de Melo Breyner Andresen (Porto, 1919-2004)
in O Nome das Coisas (1977)
Que você este ano não chegue no verão
Que seu telefonema não soe na manhã de Julho
Que não venha partilhar o vinho e o pão
Como eu só o via nessa quadra do ano
Não vejo a sua ausência dia-a-dia
Mas em tempo mais fundo que o quotidiano
Descubro a sua ausência devagar
Sem mesmo a ter ainda compreendido
Seria bom Murilo conversar
Neste dia confuso e dividido
Hoje escrevo porém para a Saudade
- Nome que diz permanência do perdido
Para ligar o eterno ao tempo ido
E em Murilo pensar com claridade -
E o poema vai em vez desse postal
Em que eu nesta quadra respondia
- Escrito mesmo na margem do jornal
Na baixa - entre as compras de Natal
Para ligar o eterno e este dia.
Lisboa, 22 de Dezembro de 1975
Sophia de Melo Breyner Andresen (Porto, 1919-2004)
in O Nome das Coisas (1977)
O poeta ausente o poema ao lado

Pintura a pastel de José Ferreira
Dissecar. Abrir o poema.
Os versos despidos.
O autor presente.
A procura de caminhos da Nascente
entre fragas e salgueiros, a água
corrente, degelo estalado, caldo
e as gotas do orvalho no acordar
da manhã, estremunhado.
O poeta ao lado.
As letras, metáforas, suspensão
parada de segundos e de novo
vários eles descendo a encosta,
passando junto à casa de tábuas
sem portas; a escada por fora
janelas na entrada.
Alguém diz: - São mais bonitos
os cadernos, as argolas mais
a jeito. Não há quadriculado.
Brancas as folhas, os poetas.
Lembram-se: A Tabacaria.
O poema ao lado.
Aliviado. O poeta diz:"- Não é
costume desmontá-lo." Mas tenta-se,
desfia-se, desaperta o cordão
assenta as emendas nas linhas,
"âncora",alisa a renda, caricia
o bordado.
O poeta revelado.
Aguém se acomoda, foge a cadeira,
o guizo dos ruídos interrompe o
juízo. A sala é de ideias régias
a mesa oval, na pintura da parede
desvela-se um pedaço de tela,
a falha no óleo granizado.
E o poeta alheado.
Olha para o chão, escuta, procura,
a ínfima partícula, a premonição:
não ter usado a palavra certa;
a estrofe manca, a ideia fraca,
as reticências, um ponto final.
A vela acesa.
Não é távola nem redonda, mas há quem mande.
Não há malhas, nem elmos, nem espadas.Os
cadernos, as canetas, nas mãos ao lado
e os espaços brancos das palavras moças.
Dez mais dez
ouvidos pendurados, no elevador dos guardanapos;
sobem e descem nos lábios dos versos,
à mesa dos poetas.
E ele ausente.
Guardando um pouco o segredo,
da musa e da semente!
José Ferreira
27 Novembro 2008
Adeus
Partiu o comboio
Vi-o dançar no trilho
Despenteado
As árvores ao lado
Caindo as folhas
Como em mim
O comboio desapareceu
E as árvores ali despidas
Como eu
Em pé
Eu na estação
E a solidão
E eu nua de ti
Comboios partem, comboios vão
E o sentimento cresce lentamente
Um resto um sedimento
Comboios chegam
E eu na estação
O vento varre os medos dos outros
Eu sou transparente
Fico ali
Como tronco de árvore
Despida de ti
A Primavera há de vestir
As árvores de todas as flores
Mas eu sem nada
Ali na estação
Sei que há comboios que vêm e que vão
Mas é certa esta dor
E eu já não te visto, nem te tenho visto
Nem Outono, nem Inverno, nem Verão
Visto sempre e só a solidão
E a longa certeza dos dias compridos
Vi-o dançar no trilho
Despenteado
As árvores ao lado
Caindo as folhas
Como em mim
O comboio desapareceu
E as árvores ali despidas
Como eu
Em pé
Eu na estação
E a solidão
E eu nua de ti
Comboios partem, comboios vão
E o sentimento cresce lentamente
Um resto um sedimento
Comboios chegam
E eu na estação
O vento varre os medos dos outros
Eu sou transparente
Fico ali
Como tronco de árvore
Despida de ti
A Primavera há de vestir
As árvores de todas as flores
Mas eu sem nada
Ali na estação
Sei que há comboios que vêm e que vão
Mas é certa esta dor
E eu já não te visto, nem te tenho visto
Nem Outono, nem Inverno, nem Verão
Visto sempre e só a solidão
E a longa certeza dos dias compridos
Guernica - O Cavalo
domingo, 21 de dezembro de 2008
O Touro

É força do poder e morde como um lacrau
Olha o homem olho nos olhos
Vendo-o sempre como escolhos à sua santa vontade.
E sabe como fazer da liberdade prisão e do amor brutalidade
E não se deixa seduzir pelo olhar de uma criança
Antes prefere uma trança – o seu cavalo-marinho –
Tanta força e tanto medo, tanto sangue e tanta morte,
E tanto crime branqueado
Não tem dúvida metódica – é pontual o seu terror –
tem uma roda dentada no lugar do coração.
Tem um capote vermelho com que lida a vida humana
e tem um cavalo alado com bandarilhas de morte
Corre o sangue na arena do crime organizado – morrem homens
revoltados de tanta submissão
Deixam-nos viva a memória
António Roma e José Almeida da Silva
Olha o homem olho nos olhos
Vendo-o sempre como escolhos à sua santa vontade.
E sabe como fazer da liberdade prisão e do amor brutalidade
E não se deixa seduzir pelo olhar de uma criança
Antes prefere uma trança – o seu cavalo-marinho –
Tanta força e tanto medo, tanto sangue e tanta morte,
E tanto crime branqueado
Não tem dúvida metódica – é pontual o seu terror –
tem uma roda dentada no lugar do coração.
Tem um capote vermelho com que lida a vida humana
e tem um cavalo alado com bandarilhas de morte
Corre o sangue na arena do crime organizado – morrem homens
revoltados de tanta submissão
Deixam-nos viva a memória
António Roma e José Almeida da Silva
o regresso do filho(a) pródigo(a).
Caros poetas e poetisas:
Antes de mais, as minhas GIGANTESCAS desculpas por não ter aparecido nas duas últimas sessões (com uma incomensurável pena minha), mas não deu mesmo para ir. Das duas vezes mandei mensagem à Ana Luisa a avisar que não poderia estar presente, mas da última vez ficou pendente - o meu velho telemóvel tem-se recusado um pouco a entregar recados!
A verdade é que, nestas duas últimas semanas, transformei a faculdade na minha casa, uma vez que as entregas de projecto e de tudo se aproximavam (todas ao mesmo tempo, graças a uma excelente organização em beneficio dos alunos). E quando digo que a faculdade foi a minha casa, digo-o literalmente, porque só ia a casa (a outra que eu já mal conhecia!) tomar banho e buscar comida para aguentar os dias seguintes. Estou hoje a escrever porque só ontem entrei de ferias às 9 da noite (depois de ter passado uma hora extra na faculdade a recuperar os pedaços da minha vida espalhados, o que inclui colheres, candeeiros, vitaminas e objectos artísticos do mais variado leque) e a minha tremenda felicidade resumiu-se em chegar a casa cair na cama vestida e recuperar das 4 directas que fiz esta semana e que me causaram uma média de 8 horas de sono por semana (o que seria normal ter por dia).
Portanto, tenho a confessar que o que escrevi se resume a legendas de pisos e diferenças de pavimentos e tenho imensas saudades das sessões. Será que alguem me poderia iluminar sobre o conteúdo das sessões a que eu faltei e trabalhos de casa respectivos se fosse possivel? Assim sempre escrevinhava qualquer coisa...
AH! tenho a dizer que foi uma fantástica experiência entrar no blogue e ler os últimos poemas, porque acho que se para alguma coisa o meu afastamento serviu foi para vos poder dizer que depois de duas semanas já se nota uma grande diferença na profundidade e musicalidade dos poemas. Se já eram bons, estão cada vez melhores! Muitos parabéns!
Um beijinho enorme e muitas desculpas a nossa "prezada" ana luisa e a todos os magníficos poetas que as sessões me permitiram conhecer.
ps: Segunda feira lá estarei sem falta para matar saudades!
Maria Inês Beires
Antes de mais, as minhas GIGANTESCAS desculpas por não ter aparecido nas duas últimas sessões (com uma incomensurável pena minha), mas não deu mesmo para ir. Das duas vezes mandei mensagem à Ana Luisa a avisar que não poderia estar presente, mas da última vez ficou pendente - o meu velho telemóvel tem-se recusado um pouco a entregar recados!
A verdade é que, nestas duas últimas semanas, transformei a faculdade na minha casa, uma vez que as entregas de projecto e de tudo se aproximavam (todas ao mesmo tempo, graças a uma excelente organização em beneficio dos alunos). E quando digo que a faculdade foi a minha casa, digo-o literalmente, porque só ia a casa (a outra que eu já mal conhecia!) tomar banho e buscar comida para aguentar os dias seguintes. Estou hoje a escrever porque só ontem entrei de ferias às 9 da noite (depois de ter passado uma hora extra na faculdade a recuperar os pedaços da minha vida espalhados, o que inclui colheres, candeeiros, vitaminas e objectos artísticos do mais variado leque) e a minha tremenda felicidade resumiu-se em chegar a casa cair na cama vestida e recuperar das 4 directas que fiz esta semana e que me causaram uma média de 8 horas de sono por semana (o que seria normal ter por dia).
Portanto, tenho a confessar que o que escrevi se resume a legendas de pisos e diferenças de pavimentos e tenho imensas saudades das sessões. Será que alguem me poderia iluminar sobre o conteúdo das sessões a que eu faltei e trabalhos de casa respectivos se fosse possivel? Assim sempre escrevinhava qualquer coisa...
AH! tenho a dizer que foi uma fantástica experiência entrar no blogue e ler os últimos poemas, porque acho que se para alguma coisa o meu afastamento serviu foi para vos poder dizer que depois de duas semanas já se nota uma grande diferença na profundidade e musicalidade dos poemas. Se já eram bons, estão cada vez melhores! Muitos parabéns!
Um beijinho enorme e muitas desculpas a nossa "prezada" ana luisa e a todos os magníficos poetas que as sessões me permitiram conhecer.
ps: Segunda feira lá estarei sem falta para matar saudades!
Maria Inês Beires
sábado, 20 de dezembro de 2008
Sessão Extra Seguida de Ceia
.

nota importante: por (magnífica) sugestão da Teresa,
cada um é convidado a levar um poema - de preferência seu - para trocarmos como se de prendinhas se tratassem
até breve

só para lembrar...
é com todo o prazer e imbuídos do mais profundo espírito poético, que vimos fazer o seguinte anúncio:
no próximo dia 22 de Dezembro pelas 19.45h
na Reitoria da Universidade do Porto
no próximo dia 22 de Dezembro pelas 19.45h
na Reitoria da Universidade do Porto
terá lugar uma sessão de extra do curso de escrita criativa em poesia
à qual poderão comparecer todos os alunos aprendizes de poetas da primeira e/ou segunda edição
do supracitado curso a sessão decorrerá sob a orientação da poeta mestre de todos nós
Ana Luísa Amaral
do supracitado curso a sessão decorrerá sob a orientação da poeta mestre de todos nós
Ana Luísa Amaral
e será seguida de uma ceia em lírico e saudável convívio
no Papagaio
(cantinho acolhedor e simpático que fica na rua atrás do Piolho e onde já contam com a nossa presença)
no Papagaio
(cantinho acolhedor e simpático que fica na rua atrás do Piolho e onde já contam com a nossa presença)
nota importante: por (magnífica) sugestão da Teresa,
cada um é convidado a levar um poema - de preferência seu - para trocarmos como se de prendinhas se tratassem
até breve
.
.

.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Não devias Não devias
Não devias ter olhado o meu vestido
curto as pernas cruzadas
fruto do acaso e à vontade.
Perdi-me nos teus olhos
antes um segundo
vendo que gostavas.
Não devia ter sorrido ao rubor
do teu sentido, tímido ímpeto
de menino, nesse coro tão
exposto tão despido.
Deu na troca de cadeiras
no mesmo tampo de vidro
nas mãos que a medo se tocaram
e se deram num passeio
à Primavera.
Deu nas flores do jardim junto
ao postigo, nas formigas sacudidas
do vestido, nos torrões de raízes
protegidas, nas cores nos aromas
dos futuros vasos e nos lábios
que de sorrisos foram fartos -
passaram aos actos
moraram ternuras
ombros juntos
no mesmo casaco
braços cinturas.
Não devias ter fugido
na vazia madrugada
só por te queria amigo
deitado no meu sofá
adormecido
no fim do filme mudo
da poesia falada
sossegado
e a meu lado.
Não devias Nâo devias
Maria -
curto as pernas cruzadas
fruto do acaso e à vontade.
Perdi-me nos teus olhos
antes um segundo
vendo que gostavas.
Não devia ter sorrido ao rubor
do teu sentido, tímido ímpeto
de menino, nesse coro tão
exposto tão despido.
Deu na troca de cadeiras
no mesmo tampo de vidro
nas mãos que a medo se tocaram
e se deram num passeio
à Primavera.
Deu nas flores do jardim junto
ao postigo, nas formigas sacudidas
do vestido, nos torrões de raízes
protegidas, nas cores nos aromas
dos futuros vasos e nos lábios
que de sorrisos foram fartos -
passaram aos actos
moraram ternuras
ombros juntos
no mesmo casaco
braços cinturas.
Não devias ter fugido
na vazia madrugada
só por te queria amigo
deitado no meu sofá
adormecido
no fim do filme mudo
da poesia falada
sossegado
e a meu lado.
Não devias Nâo devias
Maria -
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