quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Não nos deslarguemos

Caríssimos/as

Foi, é e espero que continue a ser um prazer, esta vossa companhia.
Não nos deslarguemos.
Hoje tentei criar um grupo de “discussão” no Google, para passarmos a receber, via email a informação, sempre que o nosso blog for actualizado, mas a opção é má, porque obriga a usar emails do @gmail (onde no meu caso e sei que mais alguns) vamos raramente.
Se alguém tiver alguma sugestão/ideia brilhante de como receber “lembretes” via email, para passar no blog, pf coloque em acção.
Nem sempre me lembro de vir a este espaço, onde me faz bem vir, e quase nunca contribuo para o seu crescimento saudável e inspirador. Por isso agradeço duplamente aos culpados habituais que alimentam com todo o carinho a alma, este filho-blog que é de todos. Por favor (oh! Pedido egoísta!), continuem a esse trabalho, por estou certa que não sou só eu a agradecer.

Quanto ao Jantar que tal uma sexta-feira - dia 19 de Novembro, pelas 20:30, algures, isto se a Ana Luísa estiver disponível.
Um abraço e até já !
Teresa (AP)

Jantar Adiado

Olá o jantar ficará adiado, porque algumas pessoas não vão poder ir,

Depois de dia 12 quando a Ana Luisa voltar, combinamos uma data,

A teresa sugeriu dia 19 de Outubro que é uma quarta-feira, é uma boa data


Saudações Poéticas

Olá...

Olá...

Sou o outro Nuno do nosso curso... aquele que não se devia ter inscrito porque esteve... mas não esteve... queria participar mas não participava... nem os trabalhos de casa cumpria!... enfim, não adianta falar de desculpas (aulas, falta de tempo, blablabla mais blablabla)... foi assim porque tinha de ser assim (ponto final). E para terminar ainda pior... hoje não vai dar mesmo para ir ao jantar. Lamento mas não dá!
Por isso envio-vos a todos um abraço... e um até qualquer dia...

Nuno CA

PS - A minha relação com a poesia é um pouco como a minha participação neste curso... irregular, por ondas... sobretudo quando tenho "espaço mental" e aí as palavras saem. Apesar de agora não estar com "espaço mental" para a poesia, foi bom estar lá e ouvir-vos. Eu já sabia que não era poeta e que de poesia sabia... zero! Percebi melhor isso ao ouvir a Ana Luisa (obrigado...) e todos vocês... Gostei de vos conhecer e gostava de ter partilhado o que tenho escrito assim como gostava que fosse possível partilharmos todos o que temos feito... Por culpa minha não participei mais... ficará para outra altura. Espero mesmo que o blogue continue. Continuarei a espreitar e o mais certo será participar também... um dia... quando a inspiração chegar...

O Mar Parece Azeite: jantar

Caro Nuno:
Um abraço e um obrigada pelo seu contributo no melhoramento do blogue, na sua "actualização " de acordo com as aulas e na vida social do grupo.

Será que hoje já sabe se a Prof.ª Ana Luisa pode ir ao jantar?
Eu estarei disponível, mas gostaria de ver o presépio com o "menino Jesus".
Abraço
Tersa Ribeiro

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Arco-íris cristal de velas acesas

Podias ser tu a bater hoje
não o granizado na cúpula de ferro
branca melodia em pausas rítmicas.
podia ser o som leve de nós de dedos
ecoando pela sala, amortecendo no tapete
cor tela lã de Arraiolos no leve rufo
de tambor, reciclando as notícias tolas,
de gente tola em vidas tolas...
e de uma só vez despisse a noite toda,
te trouxesse toda à minha porta tola!

Saltaria do sofá, acrobacia de mola,
esquecido dos minutos vagos,
escoando metros largos,
no desejo insano de um trinco que
se abre, uma aresta que aparta e
desvenda a silhueta, o riso aberto,
puro realce transparente,
arco-íris cristal de velas acesas,
candelabro arte nova de gente
nos passos ténues de encosto de lados,
de faces, de lábios, saciando
os húmidos sonhos de vãs intensidades!

Podias ser tu do outro lado
mas não eras... nem tu nem nada...
para lá da porta, o silêncio...
e... só agora reparo um bago de uva
caído do cesto da vizinha
junto à porta
e quanto ao ruído surdo
era o trinco da outra que fechava!

Noites sem medos ( e sem estereotipagem)

Fantasma, de voz rouca sem percalço,
já moribunda quase a desfalecer,
porque vens de novo em meu encalço,
Se eu jamais te irei acolher ?

Não queiras fadiga, turbulência ou guerra,
goza teu exílio p'ra que eu não vocifere;
não sei quem tu és, eu pertenço à terra,
Qu' importa quem és p'ra que eu te venere?


Larga-me, solta-me para a vida,
desprende-me de teu louco jugo,
pois minh' alma de ti se quer desjungida!

Liberta-me, quero brincar e sorrir,
caminhar em frente, olhar o meu burgo,
gritar paz, liberdade , mas sem lhes mentir!


( António Pinto Oliveira - 2008 )

Guerra


fotógrafo: Douglas Kirkland

Entro no teu olhar
Abrigo-me na tua alma
Enrosco-me no seu silêncio
Protejo-me das minhas tempestades
Deparo-me com os teus receios
Montamos um exército e combatemos
Lado a lado por terra vão caindo os inimigos
Paramos, guio o teu olhar na viagem da minha alma
Esgotados da guerra que nos alucina
Largamos as armas e amamo-nos.

filinta

bilhete

quero outra vez desculpar-me. esqueço que os preliminares devem durar todas as horas de todos os dias. não é que não te tenha carinho. só não sei como to hei-de entregar. a tensão faz-me cobrar-te aquilo que não devo. sempre foste o melhor desta minha vida confusa e cinzenta e preciso de sentir que ainda me pertences. quero sentir-me em controlo, segurança, em paz. quero ser quem mereces. a maior parte dos dias sinto apenas cansaço, desencanto, abandono. não desisti mas já não tenho expectativas. já reparaste que nos transformámos em lugares comuns? não tem importância. continuo a amar-te como antes. talvez não como antes, mas tu és ainda a minha verdadeira casa. logo chego tarde. janta e não esperes por mim.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lumes Vivos

Deslarga-me...
deixa-me respirar outros perfumes
sem enjoos de almas gémeas,
livros mesmos, poemas vários,
gestos iguais, horas certas,
campainhas de madrugada
recolhendo escamas, restos de pele,
fios claros de sol e cor de ébano,
genéticas de setas e cruzes
nos símbolos dos mesmos quadros negros
em gritos de giz!


Deslarga-me...
fecha os olhos num instante,
abre horizontes, outras praias,
outro mar,
afoga-te na onda, nas espumas
da revolta,
reincide no sonho,
desflora sinfonias,
desmaia em pedaços no chão,
abraça basaltos na calçada,
respira o sentir das pedras,
reanima, oxigena-te,
deslumbra-te de evidências,
atmosferas perdidas...
presentes!


Deslarga-me...
de amor que atormenta
em golpes de cutelo
nas cadeias ferrugentas
de memórias,
afasta as quadrículas
de grades,
insulta-me de lágrimas,
arrasa-me de dor,
dança de palavras duras.
enrola-te dentro de ti
nas gotas de sal
em quedas de cataratas,
alargando círculos
de infinito.
Solta as amarras dos lençóis,
descobre-te,
e larga-te
de asas abertas
engolindo nuvens,
amigando aves de vistas
laterais,
rasga os céus
atraindo borboletas,
sem nortes, sem as vozes
cardeais,
mesmo sem vestes
desaperta esses botões...

E larga-te
para que se cruzem os fumos,
os espíritos da mudança,
ao som dos búzios,
num sono justo de ombros
omissos.
para que se soltem
âncoras de lentes,
recolhendo sóis,
lumes vivos
cruzando almas...

E larga-te...

Deslarga-me...

Abraça-me!




Neste poema quis ser dual, num discurso duplo de sentido... dele...dela...de emoções!

POESIA IN PROGRESS

Sessão de Poesia dedicada a Jorge de Sena - Quinta feira, 30 de Outubro de 2008 - 21:30 Café Progresso

Aqui fica o texto do 4º Trabalho de casa, expurgado de estereótipos

Porto, 21 de Outubro de 2008
Olá! Boa noite!

A minha gratidão pela confiança que em mim depositaste: abriste-me os alçapões da tua alma e entreabriste-me o universo das tuas preocupações.
Não sei se alguma vez pensaste nisto, mas eu julgo que a partilha harmoniosa dos corpos depende, essencialmente, do verdadeiro amor mútuo. Quando há, no nosso quotidiano, a necessidade de não facultar ao outro as ilhas da nossa alma, isso pode significar o crescimento da distância entre os que se amam. É verdade que o tempo inscreve nas almas dos amantes a cor da monotonia e as suas resistências. E que, se se não estiver atento, provoca erosão nos sentimentos como o vento sibilino nas rochas mais duras. O tempo não é, todavia, o maior carrasco do amor e das relações interpessoais. As pessoas escondem debaixo do amor incompreensões e egoísmos que não sabem controlar. E vivem atormentadas e atormentam os que amam, porque não conseguem superar esses pequenos nadas que se vão agigantando, dia após dia, a infernizar a sua vida e a dos outros. Com o medo de perderem a partilha, engavinham-se no outro e não o deixam respirar em plena liberdade. Sufocado, o outro começa a criar a distância, e o silêncio cresce. E, ao amor, as palavras são importantes! A linguagem não transparece o amor na sua essencialidade, mas está lá, bem no seu interior: nos gestos, no olhar, nas mãos, nos lábios, nos corpos acesos, linguagens que dizem, tacitamente, os sentimentos mais profundos e os mais humanos.
As mulheres entendem o amor como uma contínua paixão. Não o compreendem senão como constante ardor do corpo e da alma. Não entendem que a paixão seja efémera devido à sua intensidade e ao desgaste que provoca. A paixão não conhece as fronteiras do tempo. A paixão confunde o dia e a noite. Não é má, a paixão! A paixão é boa. Mas não há espírito nem corpo que comporte a paixão ao longo de toda a vida. A paixão oferece-nos a morte múltipla, muitas vezes. A paixão não dá espaço para viver, sossegadamente. O sossego e a calma são-nos oferecidos pelo amor. Porque o amor é a paz. E os homens precisam de paz interior para uma relação estável, para a placidez do espírito. O amor contém dentro de si a vida, o companheirismo, a fraternidade, a partilha autêntica e desinteressada. O calor dos corpos é tão-só um complemento desse estado de partilha mútua, que possibilita o entrelaçamento do espírito e do corpo, para um crescimento sereno do par amoroso.
Às vezes, os homens esquecem-se também da paixão por dentro do amor. E correm desenfreadamente por outras paixões, efémeras, que, dizem, não interferem no amor que partilham. Esse, crêem, foi o escolhido e, por isso, eterniza-se por ele mesmo, não precisa de ser alimentado. Mas a paixão corrompe o amor e estilhaça o bem-estar, a serenidade que a vivência do amor exige constantemente. O amor precisa de todo o espaço espiritual dos amantes. Exige deles uma verdadeira partilha exclusiva.
Eu sei que não foi toda esta filosofia que me pediste. Mas, se calhar, eu não sou capaz de responder concretamente às tuas angústias e às tuas preocupações. O amor é como o respirar: cada um tem de saber dedilhá-lo à sua maneira. A vida depende de ambos. Por isso, cada um tem de encontrar as soluções que melhor se adaptem ao seu caso concreto. O médico não cura ninguém. Propõe caminhos que o paciente percorrerá ou não. A cura está sempre dentro de nós. O teu caso exige uma grande reflexão a dois. A harmonia tem de surgir de vós mesmos. Se não forem capazes dessa harmonia, não valerá a pena caminharem para o caos relacional. É bem melhor que cada um de vós saiba encontrar a sua harmonia, mesmo que implique a separação e a busca subsequente da harmonia individual.
Tenho a certeza de que encontrarás a melhor das soluções. Deixo-te um solidário abraço de muita amizade, e fico à tua inteira disposição.

(José Almeida da Silva)

domingo, 26 de outubro de 2008

Macho


fotófrafo: Hans Neleman

Quando te descrevo
Envolvo-me no aroma que me deixas
Fica a memória da tua posse de macho
Que me invade sem pressa, que me consome
Explorando a minha nossa profundidade.


filinta

Fêmea


fotógrafo:

Apenas ocorre descrever-te
Transpor os teus aromáticos vales
Registando o teu odor de fêmea ciosa
Sem pressa imergir em ti, confundir-me
Na tua nossa profundidade.
filinta

Carlos em sintonia com Julieta (Desconstrução)

Com o cansaço colado ao meu corpo, termino finalmente de arrumar a cozinha. Nas dobras da banca, repleta, repousam os tachos e os pratos já limpos, reluzentes. No mármore, ao lado, os dois copos ainda tingidos do liquido vermelho, morno e denso que há pouco degustamos juntos. Deixei-os ali propositadamente. Na esperança de que, depois do esgotamento de um dia em cheio, para ambos, as últimas gotas, saboreadas a dois, pudessem levar para longe as cargas que carregamos. Percorro o corredor, com passadas largas, em busca de ti. Já oiço, vindas do fundo, as gargalhadas que dão a dois, tu e essa cabeça farta de caracóis que fizemos juntos, numa alegria desprendida que só uma história imaginária de final de dia, inventada por ti, pode dar. Espreito-vos, tão cúmplices. Por instantes, invejo-vos. Mas, não. O que sinto é ternura e um desejo imenso de me juntar a ambos. Pressentem-me. Sorrisos. Já estou convosco. A teu lado, tão junto dos teus cabelos sedosos, olhando contigo essa coisa tão doce que sorri para nós e teima em não adormecer. Vou diminuindo a luz, de mansinho, e finalmente o silêncio invade o quarto. Saímos. Do lado de lá da porta, nada se ouve. Entre nós continuam as risadas soltas e cúmplices. Da história que inventaste hoje e que agora também partilhas comigo. Afinal, a nós adultos também nos faz bem, depois do peso de um dia de trabalho, das contas para pagar e dos esforços que fazemos para não deixar que o mundo nos engula, imaginar que os tubarões têm asas ou que as cigarras podem cantar rock n’ roll. Talvez seja também um pouco o efeito desse liquido que partilhámos até os copos ficarem definitivamente vazios. Ou mesmo porque, como de tantas outras vezes, ao olharmo-nos, nos olhos um do outro, nos redescobrimos. Sempre. És de mim. Sou de ti. (E aqui, obrigada à professora Ana Luísa por esta dica, e uma concordância com a Teresa, a língua portuguesa dificilmente nos deixará livres destes “estereótipos”/distinções: ele/ela, dele/dela, és minha/és meu, sou tua/sou teu… Bem, de volta ao Carlos em sintonia com Julieta…) Perdemo-nos no escuro da noite que inunda o nosso quarto. Nas sombras, na luz do luar. Para trás fica a carga do dia, a cozinha já arrumada por qualquer um de nós, a história contada… Existimos só tu e eu, a nossa pele, os nossos corpos, as nossas almas. Que são como uma só. Somos diferentes, mas iguais. [Um aparte: Por acaso, há um de nós que, depois de muito ter lutado, já pode alternar saias com calças, conforme lhe apetecer, e o outro, curiosamente, o que supostamente pode tudo, ainda só pode usar calças!? (E ainda bem!!! Digo eu, Elza, eheh…)]. De súbito, a porta abre-se. Um pesadelo de criança dá direito a que se aninhe na nossa cama esse monte de caracóis suaves que é já uma outra parte de nós. Hoje, afinal, a nossa união parece terminar por aqui. Mas, ao olhar-te assim, apenas à distância de um outro corpo tão pequeno que é nosso e já dorme outra vez, com um semi sorriso nos lábios, mergulho fundo no teu olhar e sinto que fazes o mesmo em mim. Partilhámo-nos de uma forma distinta, esta noite. Perco-me em ti. Perdes-te em mim. Perdemo-nos em mil pensamentos concordantes que este longo caminho percorrido a dois, agora a três, tantas vezes amargo, tantas outras delicioso, nos faz partilhar. O meu olhar profundo navega na tua alma tão bela que também mergulha intensa em mim. Já não sinto o cansaço e o peso deste dia. E o meu desejo de ti está satisfeito. Não há qualquer outro lugar do mundo onde deseje estar, mais do que aqui, a teu lado.

Carlos em sintonia com Julieta

Experiência poética

Dai-me uma mulher jovem com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
puro apogeu será deleite constante -
brocados azuis, nuvens de seda,
sinfonias de aromas, raios de luz, harmonias de cor.
Suas mãos minhas mestras.

Dai-me uma mulher framboesa, morango maduro. Com ela
degustarei os mais doces e suculentos desejos.
Dai-me uma jovem mulher com
travo de mel em lábios vermelhos.

Dai-me uma sombra de arbusto
e nessa harpa mulher
desfolharei sinfonias
sem queixumes de sangue.


Teresa, Liliana, Auxília