quinta-feira, 23 de setembro de 2010

não conseguir acordar a inconsciência - seguir o rio


Cartas de Albert Einstein a Margarita

a pouca luz anterior de um fim de tarde
onde rolaram rostos vagos de cidade
trajectos de passos sucessivos ao lado das estradas
nos passeios, nas paragens, sem mistério
cronometrados.

o quiosque – o maço de tabaco, o diário
o café ocasional – as vozes dispersas em argolas
o almoço chinês – asas de pássaro e dificuldades
o banco – véus de números e sorrisos de contabilidade
a reunião fleumática – garças altas e nós de gravatas
o trabalho – folhas A4 e conversas fechadas
o supermercado – iogurtes, chocolate e congelados.

a pouca luz interior de um fim de tarde no hall,
na entrada. a correspondência aguarda.
nada de envelopes quadrados, postais,
letras sem computadores, caligrafias de aparo
ouros raros, há quanto tempo não escreves uma carta?

sem hesitar esqueceu as roupas em qualquer lado
no suporte da banheira, na esfera do porta toalhas
na cadeira mais pequena, nas costas do sofá
onde água, uma gota de água desliza e perde densidade.

sem mais que a parte de baixo, deitou-se gasto
de olhos rasgados e húmidos como Rubens, um dia
em Madrid, no museu do Prado, uma tela a óleo
um quadro, onde as peles claras, os penteados
não lembra bem, não interessa, já não sabe.

deitou-se cedo sem cumprir horários
muito perto daquele outro corpo deitado;
um campo de searas no Alentejo longe
onde a dança solta de aves no céu
onde os ninhos de cegonha, as espigas
agudas e risonhas.

não conseguiu acordar a inconsciência.
de olhos abertos como um mocho, mas sentado,
pensou nos jardins escondidos do Palácio.

a mão como um navio desceu do joelho
ao ângulo do ilíaco, passou o diafragma
até ao oriente oposto e diagonal de um ombro.
repetiu o gesto como quem completa uma oração
as mãos, as costelas flutuantes, passando
ao oposto ombro, diafragma, coração.
a cruzada dos braços e os sons do rádio
na hora das notícias. não interessa. não interessa.


obscura a luz do quarto e as duas almofadas
dunas brancas de algodão, anatómicas em socalco.
os lábios entreabertos, entrada sibilante
de uma ilha sem continentes, um lugar de silêncios;
porque não escreveste?
a alma sem asas, em arco, em queda.

apenas e agora a música cardíaca –
como a pedra grande expandindo os círculos,
a música – uma valsa longa e longínqua
nas margens nocturnas do Danúbio.

de madrugada o astro enviou os raios, miríades,
e as pálpebras já tontas encostaram os remos
e seguiram o rio –

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sala de pequenas cirurgias




Há sempre uma infecção no insondado que atrai as multidões e faz um brinde com a nossa serenidade adolescente e míope. E é possível ver-se daqui o insondado - e a sua capital a arder – e mais não fazer do que a descrição atormentada do obstáculo da vida, entre mim e o insondado, entre dois tempos rivais mas reconhecíveis na pestilência do séquito, no inferno dos seus desejos sem sentido e sem vez, na trágica pulsação de ninguém. Nus e dirimidos.
Mais não fazer, ou fazer tudo talvez para que o insondado permaneça insondado, contraindo assim o vírus da timidez tipo 1,
a gripe dos diminuídos por sua própria conta e risco,
uma hérnia no dizer
e um cancro no único pulmão da iniciativa.

O último prognóstico era muito reservado também
e recusou-se a prestar quaisquer depoimentos
aos jornalistas.

aquela parábola de um livro de Jacob




aquela parábola de um livro de Jacob
por um prato de lentilhas Esaú
guloso ou faminto ou exausto
ou simplesmente na condição de um nome
exemplo no tempo e no espaço.

na essência do caso debruço-me no abismo
e imagino o cansaço os trajes gastos
só as poeiras na cor das sandálias.

os olhos azuis e estrábicos
talvez um cajado um encosto
um suporte de músculos mártires
e o aroma ondulante cinzelado e curvo
pelo ar como uma serpente
vem. vem. vem. o alimento.

pois e se e talvez antes do pai a morte.

na mais completa sedução Jacob
de colher de pau . provando.
saboreando. de novo sorvendo.
olhos vermelhos e inflamados
falas de diabo e ausências de remorso
desculpando a culpa aceitando toda a justiça
de uma mais que aceitável troca . que bom!

um prato de lentilhas mil moedas para um faminto.


de qualquer forma estava predestinado
talvez os astros pois sonhou anteriormente
de voltas e revoltas nos sonos encobertos
primogénito. primogénito. primogénito.
um dia. um dia. um dia.

o alcance egoísta o objecto a coisa o material
e não será concerteza um só caso singular
tantas e tantas vezes por um prato de lentilhas
se atiram os sonhos longe muito longe

como pérolas ao mar –

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Arco Iris





A veces
por supuesto
usted sonríe
y no importa lo linda
o lo fea
lo vieja
o lo joven
lo mucho
o lo poco
que usted realmente
sea

sonríe
cual si fuese
una revelación
y su sonrisa anula
todas las anteriores
caducan al instante
sus rostros como máscaras
sus ojos duros
frágiles
como espejos en óvalo
su boca de morder
su mentón de capricho
sus pómulos fragantes
sus párpados
su miedo

sonríe
y usted nace
asume el mundo
mira
sin mirar
indefensa
desnuda
transparente

y a lo mejor
si la sonrisa viene
de muy
de muy adentro
usted puede llorar
sencillamente
sin desgarrarse
sin deseperarse
sin convocar la muerte
ni sentirse vacía

llorar
sólo llorar

entonces su sonrisa
si todavia existe
se vuelve un arco iris.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

incorporal e ausente


Robert Doisneau


passei por elas sem nada dizer.
não corria a mais pequena aragem.
era meio dia e escaldava a hora.
a hora escondia a sombra.

não sei de quem a culpa o pecado
desta intimidade assim ferida
se assente estava que sempre
sempre que por elas passasse
falaria e elas as árvores comigo.

mas distraído de cabeça leve
em ramo mais alto e invisível
- para além das ceras caídas que um dia
as asas e o céu e o sol em suma a mitologia -
subia longe num sonho muito além desta terra
de cascalho e pós e folhas em suma naturezas
sem textura tão sem importância se naquele instante
apenas o rosto e a voz e o corpo em suma o desejo
fazia esquecer de transparente o matiz apreciado
da pele de uma árvore grande e larga e alta – o plátano
e de por ela passar e outras que não consigo recordar
sem nada dizer se estava assente que sempre
sempre que por elas passasse
falaria e elas as árvores comigo.

lembro-me de não ser e não pertencer
a qualquer mar ou continente
alucinado de sentir naquele estado
todo o excesso e a possibilidade
de sermos
sem paredes de silêncio e incerteza de sinais
sem calçados de couro e tecidos desiguais
anjos de branco anjos de branco
abstractos e sem tempo
de ser gente e ser mortal –

distraído na mais complexa e inédita metafísica
de reinventar a lua como casa
e dança e música e literatura -

distraído naquele estado incorporal e ausente de
esquecer as árvores e de nada dizer
apesar de assente que sempre
sempre que por elas passasse
falaria e elas as árvores comigo –

domingo, 19 de setembro de 2010

Invictus ( o poema que inspirou uma Nação)


Um filme notável sobre Nelson Mandela, uma mensagem de coragem e resistência. A poesia foi arma e âncora.


Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


Invictus (trad.)


De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.

Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei alto.
Sob a pancada do acaso,
A minha cabeça está ensanguentada,
Mas não curvada.

Além deste lugar de ira e lágrimas
Agiganta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará sem medo.

Não importa como é estreita a porta,
Quanto carregada de punições a lista,
Sou o senhor do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

(Depois de não ficar satisfeito com as traduções que encontrei na net acrescentei alterações ao que encontrei. Mas o que conta é o poema original de Henley escrito na dor, com determinação e coragem no hospital. Este poema foi escrito em 1875.)

sábado, 18 de setembro de 2010

Elegia



Nem os dias longos me separam da tua imagem.
Abro-a no espelho de um céu monótono, ou
deixo que a tarde a prolongue no tédio dos
horizontes. O perfil cinzento da montanha,
para norte, e a linha azul do mar, a sul,
dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
som apaga a ilusão de um rosto. Então, desejo
o silêncio para que dele possas renascer,
sombra, e dessa presença possa abstrair a
tua memória.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

o telescópio


Magritte "o telescópio" 1963


discordo da verdade inútil que une as plurisuperfícies
onde as ondas se animam de reversos e impossibilidades
sempre iguais iguais na negação do amor.

ao tactear as nervuras opostas das folhas luminosas
sei de todas as dificuldades no caminho de glórias
ou precipício, na simbologia urgente dos alimentos;
sucos nutrientes, oxigénios e combustões lentas
a fotosíntese e os negativos de esqueletos brancos.

sei de todas as exigências, excessos de arte e génio
sem lugar a técnicas ambulantes.
desta forma admito as nuvens e as chuvas
o arranhão e a fractura, o flagelo agudo, a noite e a lua
esta fragilidade, mútua e indisfarçável.

plantar, plantar um jacarandá num jardim qualquer
onde haja um banco de tábuas gastas gastas
uma esplanada sobre a tardia inocência e o crescimento
de uma árvore de leveza; flores ténues, folhas brandas

e dois olhares redondos de permanência
como as pombas

de pés vermelhos quando pousam –

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Morri pela Beleza





Morri pela Beleza – mas mal estava
Ajustada no Túmulo
Um Outro que morreu pela Verdade,
E jazia no Quarto adjacente –

Me disse docemente «Porque morrera eu»?
«Pela Beleza», respondi –
«Pela Verdade – eu – que Ambas O Mesmo são – »
Disse Ele «Então somos Irmãos» –

E tal como Parentes se encontram numa Noite –
Assim falámos de Quarto para Quarto –
Até que o Musgo nos chegou aos lábios –
Cobrindo – os nossos nomes –

Emily Dickinson Trad. Ana Luísa Amaral "Cem poemas" Relógio d´Água

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I died for Beauty – but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One who died for Truth, was lain
In a adjoining Room –

He questioned softly “ Why I failed”?
“For Beauty”, I replied –
“ And I – for Truth – Themself are One
We Brethen, are”, He said –

And so, as Kinsmen , met a Night –
We talked between the Rooms –
Until the Moss had reached our lips –
And covered up – our names –

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

lembro-me bem



lembro-me bem de ti no hotel de paris.
a avenida larga repleta de almas
as doces palavras, as mãos dadas
o casaco apertado, a cor do frio
no fumo branco do cigarro.

a japonesa de ar pequeno
a boina, o cabelo negro, o laço magro
os lábios excessivos de um rouge lascivo
os laivos de perfume que subiam.
reparaste no olhar, na mão segura
as calças de pirata sem navio
as sabrinas e disseste
"não é vénus de urbino mas olympia"
e rimos ao entrar na pizzaria.
o tinto "rufino" os copos de pé alto -

"marlboro" a marca de um couro duro
no quarto, descomposto abandonado sem corpo
no reflexo do espelho no qual nos revejo.

sem fumo o telhado cinza, lousa sem giz
e tantas frases soltas que pousavam
e subiam sem raiz, livres e céleres
nos ecos de paris.
lembro-me bem de ti

e dela na avenida
a atitude longa da limousine
alguém de fama;
a sombra da boina, a luva branca
a última sabrina. a pergunta
o navio -

lembro-me bem de ti naquele dia
e dela -

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Notícias do Inferno





A questão é o trânsito sempre caótico nas vias principais do inferno. Só de helicóptero poderia cortar os membros supérfluos dos anjos e viajar até ti, que estás no céu de quarentena, tão descalça quanto aborrecida de tantos monossílabos ideais e sufocantes carícias.

Não fosse este pequeno pormenor e as distâncias inabaláveis que ainda pesam sobre as duas estâncias fixas - nós, dir-te-ia que há um lugar no purgatório, totalmente patrocinado pelo mal implícito, onde a clandestinidade está vestida de branco e os rumores de bom sexo e melhor asilo já chegaram, inclusive, às portas do paraíso, ainda que deturpados pela vulgar consciência de quem os repele por rivalidade, diferente cor política, ou apenas enquanto gesto reactivo,
como a virgindade velha da inveja camuflada de sermão.

E abolindo a pertinácia desses pormenores, a minha proposta é a de que nos encontremos precisamente neste sítio. Afinal, no inferno as distâncias não estão assim tão doentes que não possam – como no paraíso – não existir, e há bem pouco tempo foi inaugurada uma auto-estrada (que ainda carece de limites) entre o Inferno e o Céu, passando precisamente por essa área de infracção aberta
24h por dia,
para quem, como tu e como eu,
precisa muito de voltar a sofrer
lesões e orquídeas.

Wild nights







Wild Nights – Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be
Our luxury!

Futile – the winds –
To a heart in port –
Done with the compass –
Done with the chart!

Rowing in Eden –
Ah, the sea!
Might I moor – Tonight –
In thee!


Noites Bravias - Noites Bravias!
Estivesse eu contigo
Tais Noites o nosso
Deleite seriam!

Fúteis - os Ventos -
A Coração em porto -
Inútil a Bússola -
Como o Mapa inútil!

Remando em Éden -
Ah, o Mar!
E eu ancorar - Esta Noite -
Em Ti!

Emily Dickinson "Cem Poemas" Relógio d´Água 2010
Trad. Ana Luísa Amaral

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

o dia seguinte - 12 de setembro


Meca


um fim de férias desigual
na predominância de areias e mar.
de um descuido no gesto rígido
a inclinação de uma vara a estalar
a cedência de um disco na coluna
a dor aguda
a hérnia adulta.

no leito enfermo e branco
a pressão pasmada do silêncio
a sombra da lua.
o intruso surge e de súbito
o ruído voador de um insecto
mosca ou mosquito, o perigo
de um pousar lento
e a alteração do estado imóvel
incómodo ao menor movimento
o nervo o nervo
e o insecto que voa de asas indiferentes
em duplo looping de encontro à parede
à parte detrás da mesa
que suporta o candeeiro.
sente-se o medo.

há nove anos no canto superior esquerdo de uma sala
a seta obrigatória de um lugar sagrado – Meca
a inocência de muita gente e a crença
os muitos peregrinos e a viagem
o aspecto simbólico dos personagens;
toalhas de banho de roda do corpo
os pés descalços e os panos de quadrados
são tantos são tantos

há nove anos longe da terra
formigas escuras substituem os pilotos
cegam todos os discernimentos
orientam as asas nos milhares de casulos
janelas de aços e cimentos
e a fusão apesar dos amiantos.

a derrocada dos extremos
o fumo breve das poeiras
o ruído incrédulo das sirenes
caíram as torres gémeas.

no dia seguinte é mais negro o mistério
a contagem crescente das almas que descem
ao ground zero

no dia seguinte não se compreende a queda do império
e muito menos a alegria dos loucos que dançam
como se alguém tivesse o direito de ordenar a morte
de um homem, uma mulher, uma criança
o sacrifício no fogo de um bombeiro.

12 de Setembro no dia seguinte
depois do primeiro de Obama
o presidente negro
o enfermo no leito branco imóvel pensa
e sente um insecto enorme
dentro da cabeça

e a pergunta:
onde está aquele homem de barbas pontiagudas
perseguido de três mil almas
e os seus gritos de inocência
que nenhuma religião justifica?

sábado, 11 de setembro de 2010

estilos

uma baleia não tem estilo. o mar precisa de um toque de pescoço abandonado como o lábio precisa do fumo de uma página e o estado lateral da coxa de um traço alto carregado. não pode ser água a correr, só uma estreita película de margem que alinha postiça ligeiramente ao lado do desenho. o estilo é o oposto de um rio. um quadro urbano que oscila drogado. pode ser uma mão aberta se for lançada em pedra dramática e o século lhe cair bem mas nunca uma linha espontânea de bicho a escorrer gordura no equador. uma carruagem de metro, sem olhos lá dentro, só flash e cabelos parados, ora digitais ora retro milenares a lembrar o design inatingível das árvores. o prego do quadro range à noite e o som faz lembrar o do esguicho de uma baleia que se aproxima. baleias gordas, velhas, de bata branca e papel de rascunho para pintar maiorias. às vezes o estilo espreita e vê quadros a baloiçar, o vento e os pregos, e cose-se, com uma linha de detalhe, pelo céu da boca, pela espinha do meio das pernas à cara à nuca e um nó. o nó de uma linha individual lançada precariamente ao mar para suster o sublime estrondo da baleia.

primeiro poema

dei-te uns dados de papel para te divertires com a tua ciência. queria dar-te uma história que te ouvisse e e não fugisse quando a abraças mas não calhou. calhaste tu, um riso a quebrar o universo. se soubesses como te amo a ti e aos teus montinhos de plasticina. queria apanhar todo o olhar que deixaste escorregar. como poderia ter imaginado olhos? enfeitei-te com música e se pudesse dava-te uma árvore mais simples. não podia prever que te irias dividir. milhões de olhos para fora unidos dois a dois. desculpa a criação ser tão espontânea. pensei que te deixasses ir ao calor da tua estrela, dei-te um espaço calmo que te ajudasse a expandir. porque foste dividir, como te lembraste de contar se eras infinito? as outras formas à tua volta, não foram experiências anteriores, são variedade de ti para amares quando sentires saudade. desculpa-me o tempo meu amor. quis dar-te mares, estrelas e corações a pulsar em vez de lagos parados. precisei do tempo para o movimento. como pudeste pensar que te mataria? vi os teus deuses e o teu hábito infinito, a tua luta, e quero morrer contigo sempre que uma parte de ti julga que vai morrer. mas não podia mostrar-te a dor de uma eternidade suspensa. tenho visto os teus padrões e como vais começando a abraçar-te entre ti. cada dia que passa sei que descobres uma nova ligação e os teus olhos já rodam ligeiramente para dentro. choro muito sempre que falas em mim, mesmo que seja por acaso, numa daquelas tuas variáveis aleatórias assustadas. nunca me hei-de esquecer da mecânica quântica meu amor. foi o teu primeiro poema.