quarta-feira, 15 de setembro de 2010

lembro-me bem



lembro-me bem de ti no hotel de paris.
a avenida larga repleta de almas
as doces palavras, as mãos dadas
o casaco apertado, a cor do frio
no fumo branco do cigarro.

a japonesa de ar pequeno
a boina, o cabelo negro, o laço magro
os lábios excessivos de um rouge lascivo
os laivos de perfume que subiam.
reparaste no olhar, na mão segura
as calças de pirata sem navio
as sabrinas e disseste
"não é vénus de urbino mas olympia"
e rimos ao entrar na pizzaria.
o tinto "rufino" os copos de pé alto -

"marlboro" a marca de um couro duro
no quarto, descomposto abandonado sem corpo
no reflexo do espelho no qual nos revejo.

sem fumo o telhado cinza, lousa sem giz
e tantas frases soltas que pousavam
e subiam sem raiz, livres e céleres
nos ecos de paris.
lembro-me bem de ti

e dela na avenida
a atitude longa da limousine
alguém de fama;
a sombra da boina, a luva branca
a última sabrina. a pergunta
o navio -

lembro-me bem de ti naquele dia
e dela -

2 comentários:

josé ferreira disse...

Republico este poema que escrevi inspirado na música de Leonard Cohen com alguma alterações do original em Outubro de 2009 na altura sugeridas pela Ana Luísa Amaral.

Anabela Brasinha disse...

Olá José
Falhei a leitura do original, mas fico contente ao ler este.

"sem fumo o telhado cinza, lousa sem giz",
faz me lembrar,
ser a vida tão simples como frágil, e ser o amor como a vida.