Gnomos no sonho de obeliscos
nas antenas Eiffel de Paris
olhar no Sena
corcunda na ponte de Neptuno.
Notre Dame dos segredos
flutua nas brisas do vento norte
levita sopra invisível
na praça áurea de Bruxelas;
"necessidades" de um menino
na praia D calma e deserta.
Dunquerque atrapalha Calais
onde surge
o túnel união de cocos
águas de Tamisa sirenes Big Ben
nos aromas etéreos de Versailles
onde se passeiam ninfas
nas quatorze sinfonias
de um "poéte Antoinette".
Desce a chama da estátua
na rapsódia azul de Gershwin
sobem fumos no castelo da àguia
liberdade sem suástica.
Cria-se estima
na marquesa de "pera"
na capital dezanove
século judeu de Viena.
Betellheim explica o lobo
à solta
nos bosques de Bolonha
o sorriso ingénuo de criança
e
sem siso
há um índio aflito
alter ego de Voltaire
nas correntes da Bastilha.
Quando se ergue a noite
surge o sonho e a poesia
a (in)sensata terapia
sem medidas
réguas tortas cambalhotas
parece loucura
mas cura.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Invenção
Perto estava e não te via
nervoso de areias trémulas.
Surpresa na mão suave
estendida
ao cabelo repuxado
na espera.
Estranhei os círculos não desenhados
à volta do pilar
da esquina
na partida:
"-Que procuras? Porque olhas?
Alguém a espiar?"
"-Não! Invenção!"
Caminho breve leves passos
nos dedos na mão
sem saber voando
dois palmos
acima do chão.
nervoso de areias trémulas.
Surpresa na mão suave
estendida
ao cabelo repuxado
na espera.
Estranhei os círculos não desenhados
à volta do pilar
da esquina
na partida:
"-Que procuras? Porque olhas?
Alguém a espiar?"
"-Não! Invenção!"
Caminho breve leves passos
nos dedos na mão
sem saber voando
dois palmos
acima do chão.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Os meus nos teus
Quis costurar nas minhas pálpebras
o olhar teu
adormecer de frente
não ser órfão de uma ternura
ao acordar
pois sempre que quisesse
sossegar
nesse olhar que é o teu
olhava as minhas pálpebras
dentro dos meus
de olhar inteiro
nos teus da cor do céu.
o olhar teu
adormecer de frente
não ser órfão de uma ternura
ao acordar
pois sempre que quisesse
sossegar
nesse olhar que é o teu
olhava as minhas pálpebras
dentro dos meus
de olhar inteiro
nos teus da cor do céu.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Pálido Ponto Azul
Uma poesia feita de ciência a 6,4 biliôes de quilómetros da TERRA na voz de Carl Sagan!
domingo, 10 de maio de 2009
Cinco gotas e um "lapsus"
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
coloquei as folhas e os livros
sobre a mesa de mar na esplanada.
Águas escorriam céleres
perto
soltando ruídos vagos
som submerso de algumas palavras.
Trouxe memórias de uma ilha
onde
os sumos frescos dos frutos
saciavam a sede diurna
rodeados de uma brisa amena
e a velatura
da imensa mancha azul
extensa e lisa.
Eram as noites mais quentes
de loucura
onde
intensas luzes dança
cobriam peles nuas
de brilhos raros
vestindo-se por vezes
de um sensual abandono
no intervalo
do malte dos whiskies
e o álcool das cevadas.
Escuto os ecos longínquos
enleado
nesse quadro repentino
que surge nítido
no espelho oceânico
como seta subtil
no duplicar de falas
que passa no copo nas palhas
ou que parte
escondido noutras salas.
E há o gesto distraído
a queda abrupta de um postigo:
cinco gotas caídas sem abrigo
(como se fossem sem cuidado
e não o "lapsus" de um preciso reflexo
o suster inclinado de um pouco de alma).
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
e na praia
há uma rocha
um rosto uma ilha
que larga
limos verdes
um ouriço roxo e alcalino
cabelos de alga
e por fim
devolve ao mar espuma
a imagem já difusa desse quadro
um Titanic de naufrágios
uma ânfora adormecida
nos corais de plâncton
no aquário dos abismos
de um profundo Oceano.
nos primeiros dias de Maio
coloquei as folhas e os livros
sobre a mesa de mar na esplanada.
Águas escorriam céleres
perto
soltando ruídos vagos
som submerso de algumas palavras.
Trouxe memórias de uma ilha
onde
os sumos frescos dos frutos
saciavam a sede diurna
rodeados de uma brisa amena
e a velatura
da imensa mancha azul
extensa e lisa.
Eram as noites mais quentes
de loucura
onde
intensas luzes dança
cobriam peles nuas
de brilhos raros
vestindo-se por vezes
de um sensual abandono
no intervalo
do malte dos whiskies
e o álcool das cevadas.
Escuto os ecos longínquos
enleado
nesse quadro repentino
que surge nítido
no espelho oceânico
como seta subtil
no duplicar de falas
que passa no copo nas palhas
ou que parte
escondido noutras salas.
E há o gesto distraído
a queda abrupta de um postigo:
cinco gotas caídas sem abrigo
(como se fossem sem cuidado
e não o "lapsus" de um preciso reflexo
o suster inclinado de um pouco de alma).
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
e na praia
há uma rocha
um rosto uma ilha
que larga
limos verdes
um ouriço roxo e alcalino
cabelos de alga
e por fim
devolve ao mar espuma
a imagem já difusa desse quadro
um Titanic de naufrágios
uma ânfora adormecida
nos corais de plâncton
no aquário dos abismos
de um profundo Oceano.
sábado, 9 de maio de 2009
Tombo rolante
Tombo redondo
à tua partida
rolante sem ruído
relutante sem luta
À roda te exibes
acrobata de bola
como se esquinas
(que te limparam)
de alavancas te calhassem
Tombo de roda
roliço maciço
de culto alisado
de pele macia
Pára, estanca
tolo redondo
se fui eu que te alisei
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Frases em branco de humor
Quieta água suspensa no olhar
Gota de riso e choro
Quieto sangue suspenso num batimento
A dor cardíaca de existir
Faltam-me verbos para descrever a vida
Faltam-me tempos verbais
Advérbios de modo, nomes e adjectivos
A gramática finita sem som
O papel branco sem som
O meu dizer neste instante que já foi
Quieta água suspensa
No olhar
Gota
De riso e choro
Os tempos da minha dor
Os advérbios cardíacos do meu tempo
A vida sem gramática
A matemática da poesia
A vida sem som
O sonho quieto
Em mim
Aguarda despertar
No tempo presente
Numa gramática nova
A ternura do amor.
Gota de riso e choro
Quieto sangue suspenso num batimento
A dor cardíaca de existir
Faltam-me verbos para descrever a vida
Faltam-me tempos verbais
Advérbios de modo, nomes e adjectivos
A gramática finita sem som
O papel branco sem som
O meu dizer neste instante que já foi
Quieta água suspensa
No olhar
Gota
De riso e choro
Os tempos da minha dor
Os advérbios cardíacos do meu tempo
A vida sem gramática
A matemática da poesia
A vida sem som
O sonho quieto
Em mim
Aguarda despertar
No tempo presente
Numa gramática nova
A ternura do amor.
Abraço
A ternura dos sorrisos estrelados das crianças
O embalo lento do berço da vida
Os balanços fortes em mares revoltos
A procura dentro e fora de nós
A chegada ao abraço
Corpo duplo de um momento.
O embalo lento do berço da vida
Os balanços fortes em mares revoltos
A procura dentro e fora de nós
A chegada ao abraço
Corpo duplo de um momento.
Mar
Sem terra
As fronteiras são só terra
A terra continua até ao mar
Os limites estão em nós
Nas nossas mentes
Sem guerra
As fronteiras são só guerra
A guerra continua até ao mar
As guerras estão em nós
Nas nossas mentes
A dor
Fronteira da nossa emoção presa
A dor continua até ao mar
A pele
Fronteira do corpo interno
A pele continua até à dor
A paz, o infinito e o amor estão em nós
Nas nossas mentes
Sem fronteiras
Sem limites
Continuam até ao mar
O amor somos nós.
As fronteiras são só terra
A terra continua até ao mar
Os limites estão em nós
Nas nossas mentes
Sem guerra
As fronteiras são só guerra
A guerra continua até ao mar
As guerras estão em nós
Nas nossas mentes
A dor
Fronteira da nossa emoção presa
A dor continua até ao mar
A pele
Fronteira do corpo interno
A pele continua até à dor
A paz, o infinito e o amor estão em nós
Nas nossas mentes
Sem fronteiras
Sem limites
Continuam até ao mar
O amor somos nós.
Sopro
Chega antes de tudo existir.
O sopro.
Ar em rodopio em nós.
O nosso respirar.
As folhas que dançam.
A gente que dança, que voa, que envolve o ar.
Respiro fundo.
Suspiro.
Sopro.
Assobio.
Inspiro.
Expiro.
Falo.
Canto.
Declamo.
Tudo é vento.
O sopro.
Ar em rodopio em nós.
O nosso respirar.
As folhas que dançam.
A gente que dança, que voa, que envolve o ar.
Respiro fundo.
Suspiro.
Sopro.
Assobio.
Inspiro.
Expiro.
Falo.
Canto.
Declamo.
Tudo é vento.
Ritmo
Ritmo.
A sincronia exacta da tua voz em mim.
Os gestos em pausas de silêncio.
O teu corpo sem som.
A tua forma.
Magra, esculpida de ritmo.
A sincronia exacta do teu corpo em mim.
Os abraços em pausas de tempo.
O teu corpo sem cor.
Tempo parado em cor.
Escrevo a tua cor.
Ritmo.
O teu ritmo.
O meu ritmo.
A nossa dança.
A sincronia exacta do teu ritmo em mim.
Os beijos em pausas de espaço.
O teu corpo sem matéria.
Tempo parado e etéreo.
Escrevo a tua voz.
Ritmo.
A sincronia exacta da tua voz em mim.
Os gestos em pausas de silêncio.
O teu corpo sem som.
A tua forma.
Magra, esculpida de ritmo.
A sincronia exacta do teu corpo em mim.
Os abraços em pausas de tempo.
O teu corpo sem cor.
Tempo parado em cor.
Escrevo a tua cor.
Ritmo.
O teu ritmo.
O meu ritmo.
A nossa dança.
A sincronia exacta do teu ritmo em mim.
Os beijos em pausas de espaço.
O teu corpo sem matéria.
Tempo parado e etéreo.
Escrevo a tua voz.
Ritmo.
Som
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Vibração organizada em mim
Sopro criativo, olhar interno
Alma em notas de percepção
Se eu fosse esta música
Era pura abstracção
A física invisível dos sentidos
A massa sólida da dor
Sem corpo nem cor
Alma em notas de percepção
A tua música no meu olhar
Silêncio do tempo em abraços
Silêncio em música de abraço
Tempo da dor em contratempo
O teu ritmo descompassado
Era pura abstracção no meu corpo
A música da tua ternura em mim
Era pura abstracção
A física invisível do teu rosto
O beijo da existência
Magma encarnado
Música encarnada
Era pura abstracção
A música tem o nome da liberdade
O elixir respirável da vibração
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Olho a partitura em branco
A música por escrever, por inventar
Canto para ti e adormeces
Sem corpo nem dor
Só som
Vibração organizada em mim
Sopro criativo, olhar interno
Alma em notas de percepção
Se eu fosse esta música
Era pura abstracção
A física invisível dos sentidos
A massa sólida da dor
Sem corpo nem cor
Alma em notas de percepção
A tua música no meu olhar
Silêncio do tempo em abraços
Silêncio em música de abraço
Tempo da dor em contratempo
O teu ritmo descompassado
Era pura abstracção no meu corpo
A música da tua ternura em mim
Era pura abstracção
A física invisível do teu rosto
O beijo da existência
Magma encarnado
Música encarnada
Era pura abstracção
A música tem o nome da liberdade
O elixir respirável da vibração
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Olho a partitura em branco
A música por escrever, por inventar
Canto para ti e adormeces
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Matrioska e Saber
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