sábado, 10 de janeiro de 2009

No rasto da musa...ou a musa está de rastos

Rápida e sem pensar, escrevo
Palavras inquilinas
Que me moram
Líquidas e
Escorrem
Rastos de
sei lá
Ou quase nada

Lenta e devagar, chamo
Palavras cardíacas
Que me demoram
Tanto
Tempo,
Linha e
Custo
Até cairem
Tangentes
À folha toda
Ainda cheia de
sei lá
Ou quase nada

Rápida e sem pensar, rebusco
O rabisco que rói
Por dentro e
Abre
Um rasgo lento
Nele
Eu clamo,
Chamo,
Volto e tento
Voltar a vós
Palavras recicladas
Mas de lá, porquê?
Não sei
Não sai
quase nada

Talvez me ouçam
Vocês
Vagos versos
Vestidos da
Vertigem
Que me trazem
Talvez rostos ou
Réstia
De gente, talvez
Surjam já neste segundo
Sem terceira intenção
E da cabeça pra mão
Divertida e viscosa
Venha a ideia que
Teima
Escorregar até mim
Mas a Palavra jocosa
Mesmo assim
Não sai
Nem no verso, nem em prosa
Não vem
está demorada

Esperar mais não pude
Resta-te
Ó Palavra rude
Cair longe e rente
À folha que
Sem que saibas
De repente
Rasgo

2 comentários:

josé ferreira disse...

Marlene embora não te apercebas disseram-me de fonte segura que a musa sempre te acompanha e a prová-lo está mais este poema.
Atrevo-me a acrescentar que não é só a musa mas também a tua música de palavras.
Parabéns e obrigado.

blankbluebooker disse...

Amei o título. Já não era preciso mais nada. Genial!