sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A propósito de uma dança de vagalumes




A aragem fina de Inverno ruboriza
de vapor incauto, incólume de sal
que se liberta no estado alucinado
sobrenatural.

O cais das letras, dissolvidas e ternas
sem a falsa consistência de serem muitas
e serem longas
repetem a doença, a bem querença
em muitas folhas de papel.

À vista, sem opacidades, no seu quarto
aprisionado no espelho de todos os mares
sobe as águas de golfinho.

Cristalino na cor do vidro
estende o corpo nu e a alma aberta
por sobre a manta dos quadrados
espera os versos, sonha-se poeta
sem ser jovem nem azteca.

Eis então surgem as luzes,
as danças e os brilhos
os brilhos dos vagalumes.

Por fim pode dormir, renascido
soprando cinzas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Espelho




Que rompam as águas:
é de um corpo que falo.

Nunca tive outra pátria,
nem outro espelho;
nunca tive outra casa.

É de um rio que falo;
desta margem onde soam ainda,
leves,
umas sandálias de oiro e de ternura.

Aqui moram as palavras;
as mais antigas,
as mais recentes:
mãe, árvore,
adro, amigo.

Aqui conheci o desejo
mais sombrio, mais luminoso;
a boca
onde nasce o sol,
onde nasce a lua.

E sempre um corpo,
sempre um rio;
corpos ou ecos de colunas,
rios ou súbitas janelas
sobre dunas;
corpos:
dóceis, doirados montes de feno;
rios;
frágeis, frias flores de cristal.

E tudo era água,
água,
desejo só
de um pequeno charco de luz.

De luz?
Que sabemos nós
dessas nuvens altas,
dessas agulhas
nuas
onde o silêncio se esconde?
Desses olhos redondos,
agudos de verão,
e tão azuis
como se fossem beijos?

Um corpo amei;
um corpo, um rio;
um pequeno tigre de inocência
com lágrimas
esquecidas nos ombros,
gritos
adormecidos nas pernas,
com extensas,
arrefecidas
primaveras nas mãos.

Quem não amou
assim? Quem não amou?
Quem?
Quem não amou
está morto.

Piedade,
também eu sou mortal.
Piedade,
por um lenço de linho
debruado de feroz melancolia,
por uma haste de espinheiro
atirada contra o muro,
por uma voz que tropeça
e não alcança os ramos.

De um corpo falei:
que rompam as águas.

A noite continua



Lobos cinzentos de olhos atentos.
Em repouso. São mansos. Não abrem os dentes
não procuram a cor do vinho.
Nos contos infantis um cavalo coragem
e um cenário de frio
enquanto a coruja escuta os sons da noite.
Mas os lobos são mansos
e sopram, de lábios quentes.

Subtil, no escuro, subsiste um aroma de absinto
apesar de longínquo. A noite continua.

- assim desce a lua.

Coisas que acontecem aos 32 e a todos

Colegas de pó e azia,

Faço hoje anos, às sete e meia da manhã.
À 1h58 o meu cérebro iniciou um processo de metamorfose em couve flor. Sem dor.
Não tenho médico de família, apesar de ter já preenchido uma reclamação no Centro de Saúde da Batalha.
Podem recomendar-me especialista sem lista?
Agradeço que não seja uma zebra.

Obrigada,
Ana Janeiro

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Distância de Oceano




Quando observo as ondas do mar
sinto-te perto.
A distância de Oceano torna-se pequena.
Aquela gaivota sobre a rocha no andar alto
será que andou de cacilheiro?
Viria esta tarde, a esta hora. Disse-te.
Repetimos de Norte a Sul
o paralelismo dos rios
o paralelismo do olhar
e o moleskine no bolso lateral.
De Norte a Sul
o testemunho de palavras, de sentir
que segue a praia, as encostas do mar.
Se na rosa-dos-ventos
cada um procurasse o centro
a trezentos quilómetros de distância
cruzar-se-iam na velocidade da luz
as quatro pupilas de infinita paciência.

Nas tuas letras fico por vezes preocupado.
Porque te encantam os pássaros de asas negras?
Porque colocas nos lábios as espadas, as cabeças cortadas
e esses estranhos lugares onde voam mortes?
Dizes medo? Dizes medo de não ser?
Medo de não ser alegre? Medo de não ser alegre o dia?
Os dias? Faremos alegres os dias.

Sinto nas linhas de comboio a passsagem nas salinas.
O mesmo céu de permeio. Sinto-te. Sinto-te nas brisas.

A metamorfose é um desejo. A possibilidade de ser pequeno,
de ter penas castanhas e o voo confuso dos pardais
no balanço dos ramos, na folhagem da amoreira,
no castanheiro do largo da aldeia.
Foi ali de férias grandes que tudo começou.
A aldeia. Os sinos da igreja. O trinado das badaladas:
É fogo! Foi o pastor! Para o lado das montanhas!

Trinta anos e agora essa distância.
A distância dos romances, dos livros de poesia.
As miragens, os projectos e esses caminhos
que tornámos insurrectos.
Querias ser médica. Quem diria.
Eu. Eu queria outros caminhos.
A lua, as asas de tocar as outras mentes.


E agora a distância. A distância de Oceano
e a impressão de que sempre que junto tábuas
algo falta,
algo falta na construção da jangada -

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cambiantes de luz na lisura da tarde


Diego Rivera 1944

Quando se ergue o silêncio na janela sobre o jardim
raras vezes acontece ver nela o lugar parado das flores.
Ergue-se o movimento de alguém que sei e sabe
o aroma das rosas, o lugar por abrir de camélias.
As geometrias e os recantos inamoviveis
permanecem de indícios e aqueles sinais.
Os sinais de amarelo, laranja e vermelho
de foguetes não de fim mas de novo ano.

Água pródiga na semana que passou
de revolta na paternidade de um céu cinzento
mas mesmo assim ergue-se a espaços o silêncio
na janela mais próxima sobre o jardim
e até os raios teimam por momentos
nos desenhos em movimento de oriente.

Suponho no beiral circunspecto a luz
na proximidade de ondas de inverno
e planeio as mesas de chapa molhadas
e no afago de um café o entendimento
de quais e quantas as ondas puras de sal
ou de mistura mais doce na foz, no mar.
Mais tarde, não muito, porque hoje é sábado.

Se não tivesse parado a chuva
se não se mexessem as nuvens
nada disto ocorreria, mas o jardim
lembra no silêncio, nítida e sensual
alguém que sei e sabe
das pétalas pequenas do jasmim
que se ergue junto à pedra natural.

Levanto um pouco a janela
na surpresa da imagem mesmo como
se quando Newton e a maçã
ao descobrir o postulado escondido
ao colocar no quadro irreal o desejo
de ser alguém que sei e sabe
em voltas de chapéu largo e um pequeno regador
na roda de vasos e rebentos, de bolbos e lamentos
de um tempo, demasiado húmido, demasiado quente
e não propício aos cultivos e aos novos nascimentos.

A imagem permanece na elegia de rumores de folhas
a homenagem nos sussurros sem leitura de anjos invisíveis;
um discurso de símbolos e muitas saídas
sem qualquer garantia, portas e paredes num labirinto
que se ergue na tarde, na janela aberta, no jardim.

Revisito o silêncio e os rascunhos guardados
de alguém que sei e sabe do lugar dos alicerces
de castelos de essências, sem gravidade suspensos
por sobre um crescente fértil de imagens e poemas.

Fecho a janela.
Vou até ao mar porque hoje é sábado
Ergue-se o sol.
Nos cambiantes de luz e água deve haver prata no areal.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Elegia da lembrança impossível



William Turner "O anjo que está no Sol" 1846


O que não daria eu pela memória
De uma rua de terra com baixos taipais
E de um alto ginete enchendo a alba
(Com o poncho grande e coçado)
Num dos dias da planície,
Num dia sem data.
O que não daria eu pela memória
Da minha mãe a olhar a manhã
Na fazenda de Santa Irene,
Sem saber que o seu nome ia ser Borges.
O que não daria eu pela memória
De ter lutado em Cepeda
E de ter visto Estanislao del Campo
Saudando a primeira bala
Com a alegria da coragem.
O que não daria eu pela memória
Dos barcos de Hengisto,
Zarpando do areal da Dinamarca
Para devastar uma ilha
Que ainda não era a Inglaterra.
O que não daria eu pela memória
(Tive-a e já a perdi)
De uma tela de ouro de Turner,
Tão vasta como a música.
O que não daria eu pela memória
De ter sido um ouvinte daquele Sócrates
Que, na tarde da cicuta,
Examinou serenamente o problema
Da imortalidade,
Alternando os mitos e as razões
Enquanto a morte azul ia subindo
Dos seus pés já tão frios.
O que não daria eu pela memória
De que tu me dissesses que me amavas
E de não ter dormido até à aurora,
Dissoluto e feliz.

Jorge Luis Borges, in "A Moeda de Ferro"

sábado, 2 de janeiro de 2010

A sesta


Magritte "Alice no Paìs das Maravilhas" 1945


Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em
cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não
dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as
vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo
dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda
mais o sôno a mal-resonar.

Junto d'Ella, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na
negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos
redondos e lizos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o
ventre descomposto, quando Ella acordou cançada de tanto sôno
fingir.

E Elle ameaça fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos braços nús
estendidos.

E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num
grande perdão. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse
outra vez.

Almada Negreiros, in Frisos - Revista Orpheu nº1

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Há mais de meia hora


Robert Doisneau 1936



Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da "Enciclopédia Britânica".
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

Álvaro de Campos, in "Poemas"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Receita de Ano Novo




Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade
(Poema retirado do excelente blog Imaginário Poético de Daniela Paulinelli)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Seres




não sabia a cor do teu mar.
encontrei sedas como um cego.
sobressaía a lisura que era a tua.
a impressão digital no tamanho dos dedos
tocados de tão leve que mesmo não tocados
soavam harpas e sons doces, sábios. éramos
cegos e internos como náufragos de uma branca tempestade.
unos e abstractos de todos os outros lugares.

não sabia a altura das tuas ondas.
encontrei um desenho de gaivota na forma dos teus lábios
como um cego,
e um sabor a mel de madressilva de mãos em arco
os pés juntinhos.
as gaivotas dos desenhos encontraram as minhas
em alquimia. um bater de asas em sintonia
e um sentido vibrante entre a lua reflectida
e as ondas que ora próximas ora recolhidas
eram tão altas e eu não sabia.

não sabia das boas lágrimas de sal, da maresia
dissolvido ao som dos búzios
como um cego
na hipérbole de um céu
e ser por um segundo deus
e seres -
e ser... e seres...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2010 oxigénio na terra


Salvador Dali "céu hiparxiológico" 1960

O champanhe para este ano é de Lamego
sem escadas nem rosário.
As passas mais doces são coríntias
num prato de palmas e aleluias.
Os desejos? Os desejos são sempre muitos
os segredos não denunciados dentro de brilhos
os paraísos de lagoas sem penumbras
e pássaros de fogo.

Uma década e um desejo colectivo.
Para todo o universo como um perfume
que oscile o rosto, eleve na cor da nuvem.
Nem todas as premonições na atmosfera
no planisfério: não há este inverno
máquinas tecnológicas no deserto
nem insectos de chapa, nevoeiro de naves
ventoinhas no caminho de luas
criaturas verdes nos céus de Marte.

Um desejo colectivo: mais oxigénio.

Uma década. A próxima é um mistério;
um oceano de gente esperta
com pés de gelatina na transparência de anémonas?
Ou antes ninfas e ninfos com asas de borboletas
saboreando chá de rosas num campo de violetas?

A década precisa mais oxigénio.
Uma vida menos presa nos fios da aranha.
Cada ser deve ter o seu peso. A balança
deve ser subtil, subtil e leve como o vento
com braços de essência. Invisível.
Sem que ninguém saiba
no meio dos lábios sentirá a alma
E quanto mais leve, mais leve a alma
maior o tempo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O silêncio e as palavras não ditas


Amadeu de Sousa Cardoso "Entrada" 1917


O silêncio na presença é dor.
As mãos pousam no regaço ou brincam
nos fios dos dedos, no entrelaço de uma folha
de cabelo, na dobra de ramos cruzados,nos joelhos.
Invisível de futuro nas asas de um ar fresco ou quente
O silêncio guarda as palavras, espera o dique
o soltar das águas, a imparável ou lenta torrente.
O lugar é de íris e breves momentos. Adivinhar,
não ler tudo no descer de pálpebras, húmidas.
Não saber o quanto no brilho reflectido e longuílineo.
Por vezes o olhar resguarda o chão
descansa a intensidade e pausa as chamas, o fogo, a lava
e pára. Pára naquele sinal – a dúvida imaterial. O medo.
O medo é mau, é fraco, descai.
A falta de um clima impede o passo natural. Sofre.
Uma planície afunda, dissolve, destrói
adensa a montanha, prolonga e inclina.

No silêncio se escrevem versos na presença.
Folhas de seda interditas, que não são ditas.
Sentidas.
Melhor deixá-las ir, não dar guarida.
Nos dias de inverno, de flocos a neve gela
corta, fere, esfria, explode a alma de tão fria.
Na dúvida do que podia ter sido, no medo
na ausência, causa dano irreversível.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Aquela nuvem




Aquela nuvem

Parece um cavalo...

Ah! Se eu pudesse montá-lo!

Aquela?

Mas já não é um cavalo,

É uma barca à vela.

Não faz mal.

Queria embarcar nela.

Aquela?

Mas já não é um navio,

É uma torre amarela

A vogar no frio

Onde encerraram uma donzela.

Não faz mal.

Quero ter asas

Para a espreitar da janela.

Vá, lancem-me no mar

Donde voam as nuvens

Para ir numa delas

Tomar mil formas

Com sabor a sal

- Labirinto de sombras e de cisnes

No céu de água-sol-vento-luz concreto e irreal...

José Gomes Ferreira, Poesia IV

Desafios

I
Soubesse eu desenhar em versos tantos
Versos em linha, em cruz e circulares
Sem ponto pé-de-flor, triangulares.
E é no ponto cruz, de vida
Que se pintam palavras brancas
De um branco sujo? que abuso.

E refaço esse branco em mais desuso.

II
Corro o mundo nos teus olhos, meu amor.
Parado estou aqui, neste lugar
De onde alcanço todo o universo.

Em verso me parece que cheguei
Atrasada.

Como pão-de-ló da avó
De chancas nos ovos do meu avô
Gemas e claras yô-yô
Em bolos e açúcares do que sou.

III
Levo socos em chávenas de chá
Para a terra do lado de lá.
Buscar-te do outro lado do mar.

Não quero ouvir-te em concha
Não ouço assim o teu eco e só me perco
Em harpas e sons meros dissonantes.

IV
No jardim o cipreste que secou
Tinha atado um balão azul
E cordas brancas no ar de Zepellin.
Subo na sua sombra desmaiada.
Sinto a tua luz a embriagar-me
E fico nessa sombra que me dói.
Que me doendo fica mais sombra
À roda duma perna que me tomba.

V
Mas que mania, esta dos decassílabos
Um muro breve só de dez pedras.

Corro a subir, a ver se toco.
Mas longa é a distância aonde moras.

Amoras me adocicam as esperas
Tornam mais leves as esporas.

A dor ficou aqui. Eu já não estou
De sabrinas a subir ao alto céu.

VI
Solta-se um branco som surucucu.
Será susto ou chama de fundo azul?

Uma borboleta perde as asas.
Naufragam em versos de águas rasas.

Lisa porta em que não comeste
O pão seco e duro
Seco o Eufrates – muito mais que o Tejo

Ana Luísa, Clara, Ana Janeiro,Inês,Joana, Elza, José Almeida, José Ferreira


P.S. Estes versos foram escritos no desafio de apenas se conhecer o verso anterior. Sendo assim quem terminou desconhecia em absoluto a forma como tinha começado o poema.