Será que sou azeite e ando à tona
ou devido à gota detergente
disperso de aura poética
me afundo num mar mais profundo
nos limos da irrealidade?
Vi nascer de frente um outro braço
um ombro, um queixo, um lábio
indeciso, curioso
e pouco a pouco um outro rosto
igual ao meu do lado oposto.
Quiz conhecê-lo falar com ele.
As palavras eram mudas de aquário
e subiam envolvidas de balão
aflitas de paredes finas, leves
tão leves que as via subir as copas verdes
as asas espantadas dos pássaros
e por fim caíam em pedaços
feitas de letras, ideias aos cacos.
Sempre subiam e sempre caíam
de rotina surreal vendo o céu
pleno de palavras
e de as perder líquidas
num imenso areal.
Da mesma forma que não se distingue
a gota no mar
o rosto, a boca, o cabelo
dissolveu-se
e fiquei sem saber qual a razão?
Se e se por acaso era um outro eu?
O que diria? O que queria?
Fiquei à toa na tona do ar
e os passos parados
recusaram andar.
Gota de azeite? Gota de mar?
Floco sem vento nos braços do ar?
Que serei afinal?
sexta-feira, 20 de março de 2009
Father and Son
Esta era um dos minhas canções favoritas quando era filho e tinha 17 anos dedico-a neste nosso blogue ao meu filho da mesma idade Francisco e ao mais pequeno de treze
Gonçalo faço a ponte para completar neste dia do Pai. Desculpem a invasão.
Gonçalo faço a ponte para completar neste dia do Pai. Desculpem a invasão.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Princípio bom
Comigo eram três e por fim eram cinco
quando nasci fruto de um princípio bom
um pai que ainda está de cabelos ao vento
brancos de oitenta.
Conta-me ainda da mesma forma
os passeios de andas nos riachos
as quedas do marfim à frente
nas brincadeiras de criança
uma vez...e outra...e outra
com a mesma graça.
Estende no olhar a história difícil
de uma grande guerra de dor, fome
e ameaça; a altura em que viu partir
os muitos irmãos nas terras de Álvares
e Bolívar- os anos sem casa cheia
nos destinos díspares ausências
nas margens de um Oceano.
Ele e ela dois nós cinco somos
sete gomos do mesmo fruto
princípio bom
onde há mais sumos de futuro.
Um pouco surdo de ruídos telegrafista
nos tempos onde os segredos eram achas
fogueiras bruleantes de uma nova Inquisição
sem liberdades feitos de estátuas
pedras de um jogo obediente:
quem ouvia calava, quem sabia assobiava
quem sofria era ilha que gritava na DGS
era esse o estado da Nação; mãos postas
bolas relvadas no chão um fado cansado.
Um Setembro passado ouve festa
casou-se a primeira neta.
Este Dezembro montou-se o presépio
uma bisneta de mãos estendidas
olhos fechados a boca aberta
linda...linda...tão pequenina.
(A mim só de filhos deu-me a saudade
de uma menina)
Não sei se lhe dar este poema
estes traços de verdade
factos precisos de meu pai.
Concerteza o abraço forte
beijos de face no sorriso da testa
e dizer emocionado que ainda
somos sete. Responderá "obrigado"
e dirá ao meu presente que não era
preciso.
Não sei dos outros e tantos são
falo do meu
do princípio bom
de mim nada digo
aguardo as palavras dos meus filhos.
quando nasci fruto de um princípio bom
um pai que ainda está de cabelos ao vento
brancos de oitenta.
Conta-me ainda da mesma forma
os passeios de andas nos riachos
as quedas do marfim à frente
nas brincadeiras de criança
uma vez...e outra...e outra
com a mesma graça.
Estende no olhar a história difícil
de uma grande guerra de dor, fome
e ameaça; a altura em que viu partir
os muitos irmãos nas terras de Álvares
e Bolívar- os anos sem casa cheia
nos destinos díspares ausências
nas margens de um Oceano.
Ele e ela dois nós cinco somos
sete gomos do mesmo fruto
princípio bom
onde há mais sumos de futuro.
Um pouco surdo de ruídos telegrafista
nos tempos onde os segredos eram achas
fogueiras bruleantes de uma nova Inquisição
sem liberdades feitos de estátuas
pedras de um jogo obediente:
quem ouvia calava, quem sabia assobiava
quem sofria era ilha que gritava na DGS
era esse o estado da Nação; mãos postas
bolas relvadas no chão um fado cansado.
Um Setembro passado ouve festa
casou-se a primeira neta.
Este Dezembro montou-se o presépio
uma bisneta de mãos estendidas
olhos fechados a boca aberta
linda...linda...tão pequenina.
(A mim só de filhos deu-me a saudade
de uma menina)
Não sei se lhe dar este poema
estes traços de verdade
factos precisos de meu pai.
Concerteza o abraço forte
beijos de face no sorriso da testa
e dizer emocionado que ainda
somos sete. Responderá "obrigado"
e dirá ao meu presente que não era
preciso.
Não sei dos outros e tantos são
falo do meu
do princípio bom
de mim nada digo
aguardo as palavras dos meus filhos.
quarta-feira, 18 de março de 2009
O poema violáceo
Violácea cor de fim de sol
no filtro de hera invasiva
sinal determinado de diferença
no esmalte de um papel vazio
branco, escutando as palavras;
pós invisíveis no recanto
do jardim.
O baloiço forçado no chinelo
arqueando o pé, trincando o lábio
embalando o verso nos poros da pele
creme protector dos sítios adversos
do lado de lá das grades onde passam
ausentes os obrigados dementes
presos de destinos sem tempo.
A brisa enrosca suspiros de tinta
fina, china, definida, nascente
de poemas sem título escorrente
como plúvias gotas de vidro polido
onde se decalcam transparentes linhas
focos giratórios de sirenes
luzes nos tuneis de razias.
Fica adstrito no sopro do vento
repetido, amigo, o toque, a companhia
alegrando os torrões onde se passeiam lírios
se esticam as estrelícias de folhas largas
o são aroma despoluído de jasmim trepadiço
as cores rubra e violeta de buganvílias
como paletas dançantes no fluir de tons
fluir de sons no Universo à parte violáceo
de poemas no fim de tarde no jardim.
no filtro de hera invasiva
sinal determinado de diferença
no esmalte de um papel vazio
branco, escutando as palavras;
pós invisíveis no recanto
do jardim.
O baloiço forçado no chinelo
arqueando o pé, trincando o lábio
embalando o verso nos poros da pele
creme protector dos sítios adversos
do lado de lá das grades onde passam
ausentes os obrigados dementes
presos de destinos sem tempo.
A brisa enrosca suspiros de tinta
fina, china, definida, nascente
de poemas sem título escorrente
como plúvias gotas de vidro polido
onde se decalcam transparentes linhas
focos giratórios de sirenes
luzes nos tuneis de razias.
Fica adstrito no sopro do vento
repetido, amigo, o toque, a companhia
alegrando os torrões onde se passeiam lírios
se esticam as estrelícias de folhas largas
o são aroma despoluído de jasmim trepadiço
as cores rubra e violeta de buganvílias
como paletas dançantes no fluir de tons
fluir de sons no Universo à parte violáceo
de poemas no fim de tarde no jardim.
A canção de Simone
Não tive tempo de adormecer
colorir de novo as penas de esperança.
A pele eriçou finos pêlos.
Restou a posição suporte
fetal.
Lembrei a lente de aro de prata
nos tempos de escola que aproximava
voava acima ao distinto pormenor
invertia a insignificância
na qual me sinto agora
reduzido e gasto.
Consciência de não retorno
e o ser capaz de ter olhos
nas costas contando
as marcas cada vez
mais longínquas de tantos anos.
Necessidade sufocada de sair
longe do ruído, do fútil
inútil distrair de afluentes.
Nas noites fundamentais
acendem-se lumes
aquecem-se bules
de madressilva e malmequeres
que espremem a ciência desfigurada
de ínvios destinos.
Firmam-se as gotas perenes salinas
e como diz Simone:
"a gente inventa qualquer coisa
p'rá ser feliz"
recupera a tentativa, reaviva
"se apaixona por um actor
por uma actriz"
e "ri à toa p'rá não chorar"
e "ri à toa p'rá não chorar"
colorir de novo as penas de esperança.
A pele eriçou finos pêlos.
Restou a posição suporte
fetal.
Lembrei a lente de aro de prata
nos tempos de escola que aproximava
voava acima ao distinto pormenor
invertia a insignificância
na qual me sinto agora
reduzido e gasto.
Consciência de não retorno
e o ser capaz de ter olhos
nas costas contando
as marcas cada vez
mais longínquas de tantos anos.
Necessidade sufocada de sair
longe do ruído, do fútil
inútil distrair de afluentes.
Nas noites fundamentais
acendem-se lumes
aquecem-se bules
de madressilva e malmequeres
que espremem a ciência desfigurada
de ínvios destinos.
Firmam-se as gotas perenes salinas
e como diz Simone:
"a gente inventa qualquer coisa
p'rá ser feliz"
recupera a tentativa, reaviva
"se apaixona por um actor
por uma actriz"
e "ri à toa p'rá não chorar"
e "ri à toa p'rá não chorar"
terça-feira, 17 de março de 2009
O poeta aprendiz
Num blogue de poetas aprendizes este video de Vinicius e Toquinho acho que fica bem.
Dias plenos de poesia e já agora publiquem-se!!
Dias plenos de poesia e já agora publiquem-se!!
Um poema de Mar

Não há dúvida que o dia foi convite de passeio à beira-mar como tal encontrei este poema de Sophia de Mello Andresen e esta pintura de Picasso
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento
têm o seu corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena
liberdade.
Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus
pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rastro no céu branco.
Com a boca colada no horizonte aspiram longamente
a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia
e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos ombros cola-se uma alga feliz de ser tão verde.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Lírios
ÁRVORE À BEIRA DA AUTO-ESTRADA
Árvore que te deleitas com o pôr-do-sol,
após febril temperatura longas horas,
um eterno dia sob poderosos raios solares
que te despertaram,
que te deram vida!...
Fizeram-te ferver a seiva,
e levaram-te ao esquecimento
do quanto és escrava
do teu espaço, do teu chão
e do incomensurável Tempo...
Tu pareces estátua silenciosa,
pacata, quieta, muda;
mas não és desdém, nem coisa simples
espetada à beira da auto-estrada!...
És coisa bem viva, sempre atenta,
absolutamente erecta, em ortostatismo sereno;
contudo, a teu lado jazem tantas raízes
no sub-solo, sob o asfalto carrasco!...
Tentas ignorar um tal sacrilégio,
creio sim que és um pouco humana:
- cúmplice dos silêncios,
arrancados à tenaz penumbra
e companheiros íntimos do luar!
- teus braços e folhagem
dialogam com pacatos, ou tremendos ventos,
aceitando-os perdidamente
com muita paixão;
mas não bastam para casamento,
pois perderiam a liberdade, a autonomia,
e não dançariam mais
ao sabor das tempestades, ou das geadas,
ou do intrépido mas temível granizo!...
Não mereces que um terramoto
esventre as tuas raízes,
ou te derrube sem nexo, sem ponderada explicação,
e sem dignidade, ou sem honra...
...Sim! Sei que nunca aceitarás comiseração,
uma qualquer espécie de piedade,
apesar da vida única e solitária
que aceitas como teu Destino!
...Serás sempre uma bela árvore frondosa,
aqui plantada à beira da auto-estrada;
centenária, mas eternamente bonita ,
caprichosa mas vital ao ser humano,
e força arrebatadora que eu preciso
para me erguer ,
em dias menos construtivos da minha Vida,
que eu persigo e tanto quero
sem pinga de escravidão!...
( António Luíz , 10-03-2009 , durante viagem de regresso
a casa, na A1 - percurso entre Amarante e Porto )
após febril temperatura longas horas,
um eterno dia sob poderosos raios solares
que te despertaram,
que te deram vida!...
Fizeram-te ferver a seiva,
e levaram-te ao esquecimento
do quanto és escrava
do teu espaço, do teu chão
e do incomensurável Tempo...
Tu pareces estátua silenciosa,
pacata, quieta, muda;
mas não és desdém, nem coisa simples
espetada à beira da auto-estrada!...
És coisa bem viva, sempre atenta,
absolutamente erecta, em ortostatismo sereno;
contudo, a teu lado jazem tantas raízes
no sub-solo, sob o asfalto carrasco!...
Tentas ignorar um tal sacrilégio,
creio sim que és um pouco humana:
- cúmplice dos silêncios,
arrancados à tenaz penumbra
e companheiros íntimos do luar!
- teus braços e folhagem
dialogam com pacatos, ou tremendos ventos,
aceitando-os perdidamente
com muita paixão;
mas não bastam para casamento,
pois perderiam a liberdade, a autonomia,
e não dançariam mais
ao sabor das tempestades, ou das geadas,
ou do intrépido mas temível granizo!...
Não mereces que um terramoto
esventre as tuas raízes,
ou te derrube sem nexo, sem ponderada explicação,
e sem dignidade, ou sem honra...
...Sim! Sei que nunca aceitarás comiseração,
uma qualquer espécie de piedade,
apesar da vida única e solitária
que aceitas como teu Destino!
...Serás sempre uma bela árvore frondosa,
aqui plantada à beira da auto-estrada;
centenária, mas eternamente bonita ,
caprichosa mas vital ao ser humano,
e força arrebatadora que eu preciso
para me erguer ,
em dias menos construtivos da minha Vida,
que eu persigo e tanto quero
sem pinga de escravidão!...
( António Luíz , 10-03-2009 , durante viagem de regresso
a casa, na A1 - percurso entre Amarante e Porto )
A casa incendiada-o sonho irreversível e os outros
Queria falar-te do sonho irreversível
daquele que as cinzas inumanas
transformaram no carbono elementar
escuro.Não há pois mais que fechar
portas e janelas que o não são
de chamas consumidas; pós negros
tintas de borbulhas escarlatinas
memórias de faíscas lancinantes.
São vãos os tectos de estuque em pedaços
relevos e alegorias resumidas a tabique
esmiuçado, inexistente nas aberturas
de golpes de água e gritos de machado
abrindo junto ao candeeiro na calçada
o nítido esquadro onde cresce noite
desce a lua se acende a madrugada.
A realidade torna-se dura de deserto
no bico dos abutres da cidade despertada.
Mas há os outros, os outros sonhos
os encobertos, que nascem sem balizas
como pedras sem dono alterando superfícies
paradas de charcos. Os visíveis
só presentes como alguém distante
que bate à nossa porta fora de horas
de armadura e alicerces mais fortes
que os maus dias de facas afiadas
que o sonho irreversível
da casa inccendiada.
daquele que as cinzas inumanas
transformaram no carbono elementar
escuro.Não há pois mais que fechar
portas e janelas que o não são
de chamas consumidas; pós negros
tintas de borbulhas escarlatinas
memórias de faíscas lancinantes.
São vãos os tectos de estuque em pedaços
relevos e alegorias resumidas a tabique
esmiuçado, inexistente nas aberturas
de golpes de água e gritos de machado
abrindo junto ao candeeiro na calçada
o nítido esquadro onde cresce noite
desce a lua se acende a madrugada.
A realidade torna-se dura de deserto
no bico dos abutres da cidade despertada.
Mas há os outros, os outros sonhos
os encobertos, que nascem sem balizas
como pedras sem dono alterando superfícies
paradas de charcos. Os visíveis
só presentes como alguém distante
que bate à nossa porta fora de horas
de armadura e alicerces mais fortes
que os maus dias de facas afiadas
que o sonho irreversível
da casa inccendiada.
domingo, 15 de março de 2009
Um poema diferente
Ana Hatherly fez esta poesia com garra, com "dente":
ESTA GENTE/ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
ESTA GENTE/ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
sexta-feira, 13 de março de 2009
A magnólia digna autónoma

Mais do que antes nos jardins meios
de muros e portões da cidade velha
assomam violetas flores de magnólia
no cair leve de braços abertos.
Não é ainda a hora certa de Março
pois o pouco sol e as gotas de chuva
por vezes caudalosa invade condiciona
a síntese verde de clorofila nos canteiros
sem vestidos de cor habitual.
Indiferente a magnólia de árvore
ou no chão. Digna autónoma
no lugar que é o seu
imagem virtual de um espelho de flores
compostas ou desmanchadas
entre as que ficam definidas no ar
e as que caem e vão soltas nos dedos
de terra e raízes.
Pétalas grossas de duas cores
que ninguém ousa perturbar
nem as aves que visitam os ramos
nem aqueles que se perdem no momento
de ver algumas naquele instante
abrir descair pousar.
quinta-feira, 12 de março de 2009
o muro e o destino
céu da boca no escuro
assobia para o futuro
comprometido véu
retrocede à voz
melhor não cantar
nada vai passar
olhar no chão desligado
esconde o fado findo
não vá bater no muro
travão do destino
melhor não cantar
nada leva a saltar
assobios arremasados
pedras ensimesmadas
no muro com um pé direito
de ruínas de altura,
rebatendo-se
na ternura da chuva
última voz do destino
refeito
em curvas revestidas
a ecos de
ondas
dentro das tuas luvas
onde sem demora morro,
mora o som
afogado
onde é
melhor não cantar
assobia para o futuro
comprometido véu
retrocede à voz
melhor não cantar
nada vai passar
olhar no chão desligado
esconde o fado findo
não vá bater no muro
travão do destino
melhor não cantar
nada leva a saltar
assobios arremasados
pedras ensimesmadas
no muro com um pé direito
de ruínas de altura,
rebatendo-se
na ternura da chuva
última voz do destino
refeito
em curvas revestidas
a ecos de
ondas
dentro das tuas luvas
onde sem demora morro,
mora o som
afogado
onde é
melhor não cantar
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