terça-feira, 4 de maio de 2010

Dedico o poema a quem já não está!
Domingos Joaquim Do Couto (Sr. Fanfa)
Ana Joaquina Fernandes Moura (D. Aninhas)
António Joaquim Dias (Sr. António)
Tirita
Rastro
Era ilha encantada moravam lá avós
generosos, francos, honrados
Na coroa da escaleira cozinha, os potes
em mesa de escano botavam merenda
do bolso navalha de cabo preto
cortava rebenda de pão dada
Dali a nada corríamos pátio
miguinhas, às tantas gargalhadas
comuns genes e não por isso
de sentir ficámos irmãs
eu eu, ela ela
sonhar e de ninguém
incondicional delas amadas
De noite geada
das mãos gastas troxo chiscava lume
também história contada
magia magia
um dia um avô morreu
mais longe, noutro arrancadas dali
violência violência
pior que luto sobreviver caladas
pequeninas passou tempo
depois, quando morriam
em mim os mortos
o que ficou, dormência
alegres pisamos chão duro
eu eu, ela ela, vizinhas
Via a lágrima
apesar dela, querer além
por outra vez, da liberdade começo
o apurar, lugar onde cabe
o que nem sequer se perderia!
Nota: Poderia ter dito a algumas pessoas,
outras, se valesse a pena,
não se pede permissão para amar.

3 comentários:

André Domingues disse...

Um poema privado, cheio de espaços iluminados por gente que vale a pena lembrar 300 vezes por dia. Gente ainda fértil, essa a quem dedicas o teu poema, Anabela.

Gostei ( e já te tinha dito).

josé ferreira disse...

Anabela gostei, é um poema que reflecte ambientes e vivências que se partilham mas no encanto dos versos "Na coroa da escaleira cozinha, os potes/em mesa de escano botavam merenda/ do bolso navalha de cabo preto".

Abraço

Anabela Brasinha disse...

Olá André, sim, é gente que lembro assim, e para sempre!
Obrigada,
Abraço

Olá José, é bom ter alguns versos para partilhar, é bom ter permanecido o encanto!
obrigada,
Abraço