quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Psiquetipia (ou Psicotipia)


Roy Lichtenstein "Ainda a vida com um aquário de peixes vermelhos" 1972



Símbolos. Tudo símbolos...
Se calhar, tudo é símbolos...
Serás tu um símbolo também?

Olho, desterrado de ti, as tuas mãos brancas
Postas, com boas maneiras inglesas, sobre a toalha da mesa.
Pessoas independentes de ti...
Olho-as: também serão símbolos?
Então todo o mundo é símbolo e magia?
Se calhar é...
E por que não há de ser?

Símbolos...
Estou cansado de pensar...
Ergo finalmente os olhos para os teus olhos que me olham.
Sorris, sabendo bem em que eu estava pensando...

Meu Deus! e não sabes...
Eu pensava nos símbolos...
Respondo fielmente à tua conversa por cima da mesa...
"It was very strange, wasn't it?"
"Awfully strange. And how did it end?"
"Well, it didn't end. It never does, you know."
Sim, you know...Eu sei...
Sim, eu sei...
É o mal dos símbolos, you know.
Yes, I know.
Conversa perfeitamente natural...Mas os símbolos?
Não tiro os olhos de tuas mãos...Quem são elas?
Meu Deus! Os símbolos...Os símbolos...

Alvaro de Campos

2 comentários:

Joana Espain disse...

Obrigada José pelo poema de Alvaro de Campos. O olhar de um alegorista:)

O blog está a mil! Um comboio aceso. Quase não se apanha! A esperança é que o tempo dilate a esta velocidade.

Abraço grande

Anabela Brasinha disse...

Sabe bem ler e vem a calhar Alvaro de Campos.
Tens razão Joana, "um comboio aceso".
Fiquem bem.