sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A luta das letras...ou o leito das letras...ou as letras que deito...ou o luto que dito


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Sobre a minha incapacidade de escrever mais assiduamente neste blog

Há letras que permanecem no seu pérfido silêncio.
Entre folhas e impressões e sob a fluorescência da noite,
há um exército de letras que me olham em desafio.
Nos olhos, a lente faz contacto imediato com este absurdo
de alfabética afronta.
Como se atrevem?
Escrevo-as nas curvas da minha mão que rebola tonta.
Segue-se uma valsa de tinta arrastada que desenha os passos
no papel.
Mas logo ali há letras que deixam de ser minhas e me acusam
de falsa existência. Ou de falta existente.
Sou julgada de imediato perante a incapacidade de escrever.
Condenada à eterna revolta das letras que me escorrem sem propósito.

7 comentários:

Antónia disse...

Parece impossível que pessoas consigam expressar-se tão bem :) Gostava, um dia, de ter tal aptidão, se não dom!
Parabéns pelo blogue, definitivamente bem conseguido!

josé ferreira disse...

Olá Marlene
mas que maravilha. "silêncio" "fluorescência" falsa existência" "falta existente" e a emoção transparente de sentimentos que ressaltam e absorvem no eu poético. E o título e a música". mais enriquecido o blog com o teu regresso.
Sobre o Murakami também adoro, foi dos escritores que mais me surpreenderam dentro dos modernos e realmente o poema foi baseado nele e nos seus livros.
Agora fico e ficamos à espera de mais.

Bjo.

Elza disse...

Marlene! Conseguiste derrotar, mais uma vez, esse exército de letras que te olhavam em desafio!

Saudades de uma ceia poética e clandestina após as sessões na Reitoria. Estamos a tentar retomar, aparece!

Elza (de momento com incapacidade total de escrever neste blog, mas atenta!)

Joana Espain disse...

Olá marlene. Bem vinda:)Foi um desafio bem vencido!:) 'Como se atrevem em alfabética afronta?'

Um beijinho e agora que as venceste queremos vê-las por aqui amestradas.

auxília disse...

olá Marlene! Quem escreve assim não pode nunca ser "julgada de imediato perante a incapacidade de escrever". Nem sequer se trata de incapacidade! Desafio, talvez, ao "silêncio pérfido" das letras e das palavras.
Parabéns!

Marlene disse...

Só queria dar um beijinho a todos e dizer que também eu tenho saudades dos serões na reitoria e dos petiscos nocturnos.

Anónimo disse...

ÉS A MAIOR