quinta-feira, 2 de julho de 2009

Condição... Da raiva à luz...

Obrigado por nada.
O professor é feito de uma matéria inefável, a qual, a maioria dos mortais não atinge.
Sim, o professor é imortal!
É algo que perpassa gerações, que ultrapassa referentes, que dispensa o comezinho, que de uma forma ou outra se incorpora e se enraíza num começo ancestral, se dela se pode falar, daquilo que conhecemos por Humanidade.
Adão mestre e preceptor de Eva e, Eva, preceptora e mestre de Adão.
Desse relacionamento pedagógico iniciático provém toda a candura que o caracteriza. A percepção de que tudo é composto de mudança, tudo é efémero e, que as modas ou circunstâncias se abatem sobre si mesmas porque ensinar é apenas e nada mais do que a arte de se imiscuir, torna-o, conscientemente, ser de cerviz baixa, típica atitude de quem aprende e ensina, acreditando piamente que o discípulo será sempre superior ao mestre.
Utopia, mito? Nem por isso!
Deixem-no fazer ao que geneticamente é propenso.
O Paraíso surge, como sempre surgiu nas mais adversas circunstâncias.
O caldo em que foi gerado, o relacionamento hierarquicamente democrático provindo dos tempos da criação, permite-lhe criar contextos e condições de mimar seres pensantes, se é que isso interessa, verdadeiramente necessários a épocas futuras.
Sim, há algo de inefável!
Não se aprende, não se ensina, não se transmite.
É uma vivência concêntrica, simultânea, que desperta no agente e circunstantes a essência do que é e do que será, do que foi e do que persistirá.
Sim, é assim que o professor é imortal!
É o fiel de balança entre poderes.
É sopro, é alma, é átomo no coração de quem o ama e deprecia.
É, de facto, célula estaminal.
Da diferenciação, cria e recria a alma, toda a célula existente num povo, cérebro, osso, coração, músculo, pele e, assim, cumpre Portugal.
Grandioso este poder ingénito. Inefável, de origem divina ou transcendente com atributos de beleza e perfeição superiores ao nível terreno não expresso em palavra humana.
Na bíblia, este poder ingénito e inefável, ocorre como inexprimível e indescritível.
Ser professor é arte performativa transcendental e, como tal, inexprimível, indescritível e inquantificável.
Deixem-no ser mito, imortal, inefável… o país agradecer-nos-á, pois este ser mitológico ancestral onde coexiste o utópico e o real, onde o ser é ter e, o ter significa inexoravelmente ser o saber, cumpre a difícil arte de ser autóctone em português
Ente imortal e estranha condição.
É sopro.
É alma.
É átomo no coração de quem o ama e deprecia.
É, de facto, mito.
Mito que é um nada e que é tudo e, como sempre quer, o homem sonha, a obra nasce.
Ser Português!
Obrigado por tudo.

A.J.Lima Reis

Texto publicado por Maria Celeste Carvalho

3 comentários:

omarpareceazeite disse...

Não resisti a partilhar convosco, queridos Amigos, este texto de outro Amigo, que é uma bonita e poética abordagem a uma nobre e belíssima profissão, agora, tão desvalorizada: Professor!
Espero que gostem tanto deste texto, como eu gostei!
Abraço grande!
M:C.

TZ disse...

Celeste...

Um muito obrigado por tudo...

Mbjs... TZ

josé ferreira disse...

Um texto onde é inevitável lembrar as marcas que nos deixam os professores e a necesidade que todos temos de aprender e transmitir na diversidade
singular que cada um acrescenta. Dessa forma em passos de formiga ou saltos de saltitâo o mundo "pula e avança".
É importante o professor!

Parabéns ao escritor!