quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Murmúrios tão distintos

Que murmúrios tão distintos são esses
dentro de ti?
São teus e meus os limos arenitos
de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima
do tal murmúrio feito por mim
dentro de ti.

Diz-me!Diz-me! Quero ouvir

Não que seja novidade esse novelo
de palavras que afasta a fonte
dos azuis, essa rima clara de
começo de alavanca, um tropeço
que aproxima almas primas
num sorriso de estrelícias
cores escondidas
laranja, azul violeta
queixo verde natureza
alfinete na ponta que bica
os segredos do poeta
corado, quente no Estio
do desejo que apoquenta
aperta um pouco e solta mais
essa veia de minérios preciosos
emocionais.

Diz-me! Diz-me! Quero ouvir

Tenho pressa na partilha de chinelos
"patchwork" escocês
entre o bâton e o quarto
qual sinete louco
marcando o teu corpo.
Trocar-te a camisola do interior
ser a maçã do teu conforto
um sino solto
nas montanhas que subiste
num sorriso sossegado de menino
e eu menina de tranças plenas
entre versos doces
poesias de surpresas.

Diz-me! Diz-me! Quero ouvir

A voz de anjo que me oprime
prende o canto e a corneta do meu céu
a lente que espalha o raio
sem medo de ser
cigarra ou borboleta
escorpião e flamingo
fogueira flamejante
que nos faz subir à Lua
cair na terra e ser semente-

Diz-me! Diz-me! Quero ouvir

Muáh! Muáh!
Schlape! Schlape!


Maria-

3 comentários:

Marlene disse...

Soam-me familiares estes murmúrios distintos afinal. Parecem aquela musa que sem a mesma mestria eu só soube ver de rastos, mas a que o José queima o rastilho e dela saem esses poemas tão distintos e tão bem escritos, numa verdadeira explosão de palavras bonitas.
Destaco:
"de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima" - um murmúrio bacteriano que atinge a compota poética e a coloniza de mais murmúrios
"almas primas"-que bonita maneira de aproximar as almas sem lhe chamar gémeas
"(...) solta mais essa veia de minérios preciosos emocionais" - precisava achar esse filão

Gostei muito mais uma vez (caramba assim nunca mais consigo fazer uma crítica do género: se fosse eu tirava aquela 2a palavra do 5º verso à direita)!

josé ferreira disse...

Marlene obrigado pelos teus comentários a estes primeiros passos do poeta aprendiz. Somos passageiros do mesmo comboio de partida sem destino, calcorreando os caminhos pequenos e as avenidas na procura contínua das "palavras inéditas", da poesia.

Bjo.

Maria Inês disse...

"de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima".

Que beleza José! Estou À espera das ilustraçoes dos seus ilustres poemas! (um comentario decente nao poderia deixar de ter um mínimo jogo de palavras!) :p

Mais uma vez parabens! *