domingo, 16 de novembro de 2008

Mal me sinto

Como amanhã é segunda-feira (I don't like mondays)
resolvi publicar um poema de desconforto porque a vida
é isso mesmo, uma salada de frutas de sentimentos,doces,
amargos, uma balança de pratos desencontrados em constante
movimento. O poema escrito há algum tempo atrás chama-se:

Mal me sinto

Mal me sinto
na redoma de estrelas cadentes
afogueada de cometas loucos,
nas espadas de luz do Sol que cega,
na dança dos medos das serras plácidas,
ermos de silêncio;
asfixio de excesso no ar que respiro
lançado no abismo
demasiado perto de tudo... de todos...
que são demais!

Degladio o sonho, esmoreço...
e aqui neste lugar
ergo os cactos do deserto,
os espinhos de absinto;
sem esperança...
mal me sinto!

4 comentários:

josé ferreira disse...

Estou arrependido de ter publicado este poema. Ontem estava constipado, doía-me a cabeça, e naturalmente saltou-me na memória este "Mal me sinto". A ideia não é deprimir e a vida tem sempre muito de bom, esse é o lado que queremos e devemos procurar.
Quando escrevi este poema o meu estado de espírito, que era mau, aliviou-se após ter transferido para o papel estas amargas palavras.
De qualquer forma e para não vos aborrecer mais, por vezes os pensamentos são negativos mas temos que os exorcizar de qualquer forma e ser positivos.
Moral da história:"Perder a esperança... Nunca!!!". Desculpem!

Nuno CA disse...

Olá,
nada de arrependimentos nem de desculpas; todos temos os nossos momentos... e é muito bom quando encontramos uma forma para aliviar a energia má (esta, com as palavras, parece-me uma forma bem simpática)... e depois, muitas vezes (tantas vezes, como falamos na nossa primeira sessão...)saem mesmo frases/poemas que dizem tanto... gostei especialmente do...
asfixio de excesso no ar que respiro
lançado no abismo
demasiado perto de tudo... de todos...
que são demais!
Sinto-me assim às vezes (o meu "estou triste" retrata um momento assim)... por isso, adiante e continue com essa inspiração... um abraço, Nuno

Elza disse...

Eu gostei! Apesar de acreditar sempre na esperança e no sonho, gosto de poemas que falam desses momentos menos bons onde nos sentimos asfixiados. Não há que ter arrependimento. É um desabafo que nos depura! E depois... a Segunda feira já lá vai!

Marlene disse...

Eu escrevo muito mais quando me sinto mal. Por isso fiquei até um pouco preocupada ao saber da distância que deve existir entre a emoção e o poema.
Por isso não me desagrada nada este poema. Além disso gostei mesmo do quase trocadilho "Mal me sinto". Ao mesmo tempo poderá querer dizer: "sinto-me mal"...ao mesmo tempo poderá querer dizer: "onde estou? não me sinto, mal me sinto...não me detecto".

E nesse sentido sentir mal também é mal nos sentirmos....é saber que naquele momento nós não somos como de costume...quase perdemos a nossa frequência, o batimento, a existência.