quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.



António Gedeão

2 comentários:

Elza disse...

Poema simples, mas brilhante...

Campos disse...

Não concordo com o simples
O poema é completo nunca como um circulo mas antes como quase a utopia
nunca simples
Gedeão foi o poeta com o olhar curioso sobre o mistério da pergunta