quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Dia cinzento manhã submersa

Dia cinzento manhã submersa
E eu de rosto esborrachado ao vidro
A neblina sobe de fininho desde o rio
Os ossos do corpo já não sinto
Estou como que em parte incerta.

Quero voar daqui mas
O frio gelado prende-me toda ao chão
Crescem-me raízes que trepam até ao coração
Nesta cidade que chora sem parar
Um lamento esbatido e contínuo
E eu fico apenas a olhar
A linha do mar…

Vazio imenso e sem fim
Vazio que cai a conta gotas dentro de mim
E eu sem saber se hei de ficar
E apetece-me gritar!
De súbito uma certeza em mim se faz
O olhar já a brilhar e sou tomada pela paz
E era isto tudo o que eu mais queria
Logo pela noitinha é dia de poesia!

Elza

1 comentário:

Maria Celeste Carvalho disse...

Com o rosto " esborrachado " na vidraça e a melancolia a teu lado, a Poesia espreitou e um bonito poema nasceu!
Gostei muito, Elza!


Maria Celeste