domingo, 5 de outubro de 2008

Desenlaça-me a dor

a insensatez do teu desdizer de alma
a forma lenta como me chamas nessa doçura infantil

foge do mundo até te cansares
depois volta e faz as pazes com o rio
com a lenta rotina dos automóveis
com o café do outro lado da rua
com a mesma velha calçada de sempre
a imensidão das horas nos dias cheios de sol
no trabalho pragmático que nos capa os sentidos
na mecanização enganosa da produtividade
embrulhada em presentes com muitos laços
desenlaça-me a dor de te ver partir

3 comentários:

Nuno Brito disse...

Este texto é brilhante! Li as 3 partes e adorei

josé ferreira disse...

Sentida poesia na primeira pessoa, acreditamos no correr das palavras, na fluidez das ideias, gostei especialmente do 1º e do 3º da série.

blankbluebooker disse...

Não de desapaixones nunca, Liliana.
R