Haiku caraças
A caneta não escreve
Ana Janeiro
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Disinspiração constipação
Musa inspira-me
Está ali a máscara de oxigénio
A droga ao lado
Injecta-me com a caneta bico de esfera oval
A tinta azul, verde e o tinto
Já me sinto
Melhor
Querida musa
Perdoa as tosses
Agradeço os cuidados
Prepara agora o papel e diz aos poetas
desesperados no passeio do vale:
Sucumbiu a larva na taça de arroz em tempo de
comer a língua para matar a fome e
uma dor de estômago a pico de cacto na
barriga descalça subiu
cozida a vapor
Digo aos poetas no passeio de pedra sentados ou aos que se passeiam?
Sei lá Musa, na verdade estou hoje tão desinspirado como constipado.
Que se plagiem uns aos outros, como eu os plagiei!
Ana Janeiro
Está ali a máscara de oxigénio
A droga ao lado
Injecta-me com a caneta bico de esfera oval
A tinta azul, verde e o tinto
Já me sinto
Melhor
Querida musa
Perdoa as tosses
Agradeço os cuidados
Prepara agora o papel e diz aos poetas
desesperados no passeio do vale:
Sucumbiu a larva na taça de arroz em tempo de
comer a língua para matar a fome e
uma dor de estômago a pico de cacto na
barriga descalça subiu
cozida a vapor
Digo aos poetas no passeio de pedra sentados ou aos que se passeiam?
Sei lá Musa, na verdade estou hoje tão desinspirado como constipado.
Que se plagiem uns aos outros, como eu os plagiei!
Ana Janeiro
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
(retirado da internet)
Um pedido de desculpa pela ausência dos trabalhos de casa e pela minha ausência no próximo sábado.
Por ‘estes’ dias, tenho entre mãos um poema que não pára de crescer e estou a aprender, a aprendê-lo em conjunção com os outros meus exercícios poéticos. E parece que leva uma vida inteira…
O meu poema é ruivo, de olhos urgentes e persistentes. Ora sim, ora não, arrasta-se na minha perna esquerda para não perder de vista o(s) meu(s) destino(s). Abre as gavetas todas da cozinha e desarruma o(s) meu(s) tempo(s). Come de rosto encostado à minha mão para reduzir as distâncias da pele. Desliga o computador para me desligar do ‘para além dele’. Diz ‘tô tiste’ e pisca os olhos com a cabeça solene e inclinada, porque brincar é o verbo. Durante a noite, ouvem-se os passos apressados pelo corredor, à procura do ventre. Shiuuu… O meu poema é ruivo, é tão ruivo que me enche o colo todo.
Um pedido de desculpa pela ausência dos trabalhos de casa e pela minha ausência no próximo sábado.
Por ‘estes’ dias, tenho entre mãos um poema que não pára de crescer e estou a aprender, a aprendê-lo em conjunção com os outros meus exercícios poéticos. E parece que leva uma vida inteira…
O meu poema é ruivo, de olhos urgentes e persistentes. Ora sim, ora não, arrasta-se na minha perna esquerda para não perder de vista o(s) meu(s) destino(s). Abre as gavetas todas da cozinha e desarruma o(s) meu(s) tempo(s). Come de rosto encostado à minha mão para reduzir as distâncias da pele. Desliga o computador para me desligar do ‘para além dele’. Diz ‘tô tiste’ e pisca os olhos com a cabeça solene e inclinada, porque brincar é o verbo. Durante a noite, ouvem-se os passos apressados pelo corredor, à procura do ventre. Shiuuu… O meu poema é ruivo, é tão ruivo que me enche o colo todo.
ana lúcia figueiredo
Um rosto de Anna Karenina
Sobre ti o dia de Novembro
uma névoa, um vapor de linhas;
lugar onde os relógios crescem
de lado, nos azulejos
ponteiros grandes
inevitável rodar do tempo.
Como em Anna Karenina
já não se usam peles de vison
chapéus de ornamentos, penas
de pavão, nem as danças
as valsas de salão.
Sobre ti a boina preta e o baton
a cor vermelha, a tentação.
Sobre ti a dúvida e o aroma
as pétalas, o cálice doce, ameno
um sistema largo de afectos.
de um vidro embaciado
a paisagem jaz líquida
movediça, de árvores despidas
deixando cair os vestidos
na nudez segura.
Sobre ti a dúvida.
Sobre ti agora o imprevisto
a noite de berlindes e sininhos
ritos de paus de chuva, energias
um re(moinho) por de cima, em cima
uma carícia que transmite
a distância dos lagos
um cisne de águas calmas
Sobre ti.
Sobre ti o aroma
as pétalas,o cálice doce, ameno
o apagar do candeeiro
a luz presente de um poema -
Adormece, quero-te
boa noite -
Haikai
e-lia@lusa.pt
Ilíada e líamos
nos Lusíadas
as lusas idas
Leonor
São as fontes Leonor
os verdes frutos nos cântaros
- nas rodilhas o equilíbrio
José Ferreira
Ilíada e líamos
nos Lusíadas
as lusas idas
Leonor
São as fontes Leonor
os verdes frutos nos cântaros
- nas rodilhas o equilíbrio
José Ferreira
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
solta-se a fera
solta-se a fera
na arena da vida
o círculo do circo
começa ao nascer
a pele derrete
perde identidade
ao ser violada
com o ferro em fogo
estigma como amante
no escuro de cada sol posto
brilham os fios de prata
automatizam os movimentos
rebanhos humanos
sem pensar
fantoches manipulados
sem querer
tão pouco de ti
quase nada de ti
debaixo de comando
sempre
controlado por dentro
em hierarquias patentes
fiel depósito
de corvos negros em ferida
de pesadelos
de medos
impulso dado pelo estribo
entram na jaula
e brilham os fios de ouro
esvoaçam querendo fugir
mas tu fechaste-os
dentro de ti
vestindo-os como uma pele
nos teus olhos fundos
já não há alma
globos brancos sem menina
és besta encurralada
nas arestas da existência
és instinto
sobrevivência
o círculo fecha-se
a fera solta-se
na arena da morte
na arena da vida
o círculo do circo
começa ao nascer
a pele derrete
perde identidade
ao ser violada
com o ferro em fogo
estigma como amante
no escuro de cada sol posto
brilham os fios de prata
automatizam os movimentos
rebanhos humanos
sem pensar
fantoches manipulados
sem querer
tão pouco de ti
quase nada de ti
debaixo de comando
sempre
controlado por dentro
em hierarquias patentes
fiel depósito
de corvos negros em ferida
de pesadelos
de medos
impulso dado pelo estribo
entram na jaula
e brilham os fios de ouro
esvoaçam querendo fugir
mas tu fechaste-os
dentro de ti
vestindo-os como uma pele
nos teus olhos fundos
já não há alma
globos brancos sem menina
és besta encurralada
nas arestas da existência
és instinto
sobrevivência
o círculo fecha-se
a fera solta-se
na arena da morte
- de pulso
baloiço um pouco acima da terra
ao gozo do voo do pêndulo,
nos segundos só inverto
ou troco de vestido
entre (tanto) balanço
e dou mais lanço
Joana Espain
ao gozo do voo do pêndulo,
nos segundos só inverto
ou troco de vestido
entre (tanto) balanço
e dou mais lanço
Joana Espain
Trago em mim
[«Um psiquiatra perturbado, um muçulmano devoto»;
«Eu não sou eu nem sou o outro»]
«Eu não sou eu nem sou o outro»]
Trago em mim
as almas do passado
E nem sequer as lembro
surgem-me às vezes
nítidas como palavras
espessas como sangue
ganham vulto no discurso
a que desconheço o berço
sussuram-me às vezes
o poema como água pura.
Obedeço a medo do que sou –
Como se fosse outros
ouço-me nas correntes
que transporto.
E sonho o reencontro.
2009.11.18
José Almeida da Silva
(Des)inspiração
Andei a manhã toda pela cidade.
Entrei e saí vezes sem conta
De casas de comércio adiado –
Quis desistir mas já não tenho idade –
A procurar metáforas e hipérboles
Imagens e antíteses, oxímoros e quiasmos:
– Não temos, era a resposta pronta,
E eu pensava, mas aonde se meteram
Agora todas essas figuronas tontas?
Não creio que tenham ido para o Brasil,
A viagem é cara, e já não há pilim.
Nas casas de comércio ofereciam-me
– Era só o que tinham em stock – vírgulas,
Pontos, telas e agulhas de croché,
Os fios tinham esgotado e não tinham
Palavras disponíveis no mercado
E não sabiam aonde ir encomendá-las –
Era denso o nevoeiro. Sim, o mesmo nevoeiro
Com que a noite inteira me tinha debatido
Quando quis escrever e o travesseiro
Me usurpou as poucas ideias que ainda tinha,
Trouxera-as da guerra em 73 da longínqua Cabinda.
Andei a manhã toda pela cidade. E quase ao meio-dia
Dei de caras com as palavras que então procurava:
Estonteadas e em desequilíbrio precipitaram-se
No abismo. E eu sem cordas para poder içá-las
E nem um só fio para as entrelaçar – um mar opaco
Para desvendar, e eu sem Barco, sem Remos, sem Luar.
2009.11.15
Haikai
Denso o nevoeiro
O longe sem horizonte
– Sem boieiro a fonte.
José Almeida da Silva
Entrei e saí vezes sem conta
De casas de comércio adiado –
Quis desistir mas já não tenho idade –
A procurar metáforas e hipérboles
Imagens e antíteses, oxímoros e quiasmos:
– Não temos, era a resposta pronta,
E eu pensava, mas aonde se meteram
Agora todas essas figuronas tontas?
Não creio que tenham ido para o Brasil,
A viagem é cara, e já não há pilim.
Nas casas de comércio ofereciam-me
– Era só o que tinham em stock – vírgulas,
Pontos, telas e agulhas de croché,
Os fios tinham esgotado e não tinham
Palavras disponíveis no mercado
E não sabiam aonde ir encomendá-las –
Era denso o nevoeiro. Sim, o mesmo nevoeiro
Com que a noite inteira me tinha debatido
Quando quis escrever e o travesseiro
Me usurpou as poucas ideias que ainda tinha,
Trouxera-as da guerra em 73 da longínqua Cabinda.
Andei a manhã toda pela cidade. E quase ao meio-dia
Dei de caras com as palavras que então procurava:
Estonteadas e em desequilíbrio precipitaram-se
No abismo. E eu sem cordas para poder içá-las
E nem um só fio para as entrelaçar – um mar opaco
Para desvendar, e eu sem Barco, sem Remos, sem Luar.
2009.11.15
Haikai
Denso o nevoeiro
O longe sem horizonte
– Sem boieiro a fonte.
José Almeida da Silva
(des)inspiração de chuva.
E sento-me em divagações lacónicas
prostrações canónicas
e ausências de ti.
Inspiro -
e sorrio se transpiro -
se por acaso de luas
ou sintaxes do destino
se abriram outras gavetas
e em tecido
(ou meias pretas)
me surgi.
Sonhei-te algures por aí.
Amanheci.
E em sombras vãs,
horas despidas,
perdi-te as linhas de insónias
em estruturas mal cosidas.
Expiro -
e as palavras em retiro.
Se acaso não for de luas
então de uvas ou de amoras
que eu espero em curtas demoras
e cruéis morfologias.
E partias
sem conceitos ou estruturas
em versos de chuvas amenas
e tardes de luz.
Por fim deserta.
E anoiteceu na casa do poeta.
Inês Beires
prostrações canónicas
e ausências de ti.
Inspiro -
e sorrio se transpiro -
se por acaso de luas
ou sintaxes do destino
se abriram outras gavetas
e em tecido
(ou meias pretas)
me surgi.
Sonhei-te algures por aí.
Amanheci.
E em sombras vãs,
horas despidas,
perdi-te as linhas de insónias
em estruturas mal cosidas.
Expiro -
e as palavras em retiro.
Se acaso não for de luas
então de uvas ou de amoras
que eu espero em curtas demoras
e cruéis morfologias.
E partias
sem conceitos ou estruturas
em versos de chuvas amenas
e tardes de luz.
Por fim deserta.
E anoiteceu na casa do poeta.
Inês Beires
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Olá a todos. Só para que saibam que eu, Clara Oliveira, tenho o grande prazer de fazer parte dos Aprendizes de Poetas:
Vozes capazes de rasgar sorrisos
Vozes repletas de promessas efémeras
Vozes alquímicas, transformam o que tocam em quimeras irreais
Vozes de sonho, transportam-nos em bolas de sabão, leves, suaves, cristalinas
Vozes capazes de rasgar sorrisos
Vozes repletas de promessas efémeras
Vozes alquímicas, transformam o que tocam em quimeras irreais
Vozes de sonho, transportam-nos em bolas de sabão, leves, suaves, cristalinas
o hábito do silêncio
sábado, 14 de novembro de 2009
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