sábado, 20 de junho de 2009
Sudenly I see
De repente vi
palhaços de Carnaval
pulos, esgares, risadas
infância em fantasias
certezas de outros dias
disfarces sem qualquer mal.
palhaços de Carnaval
pulos, esgares, risadas
infância em fantasias
certezas de outros dias
disfarces sem qualquer mal.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Dois amantes, o mundo
dois amantes, o mundo
cada um no seu reino, beijam-se nas praias
quando as ondas batem as areias
o mar é o meu navio,
hoje naufrago feliz
sabes quem sou, as dunas
que se levantam com o vento são
os sonhos do amor que dormita
em sossego nas praias
a terra és tu o mar sou eu
Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
cada um no seu reino, beijam-se nas praias
quando as ondas batem as areias
o mar é o meu navio,
hoje naufrago feliz
sabes quem sou, as dunas
que se levantam com o vento são
os sonhos do amor que dormita
em sossego nas praias
a terra és tu o mar sou eu
Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O tempo
O tempo, o tempo é tudo
adição de surpresa que não discrimina
persiste flutuante na existência
de relâmpago e trovão
na brisa beige do deserto
no brilho azul preciso
de um céu no Alentejo.
O tempo é vida
acrescenta, surpreende no segundo passado
no instante minuto que avizinha
ainda ausente, indefinido, diferente.
O tempo são os lábios e o desejo
e é ciência
no limite como alguém disse
o tempo nas janelas de um comboio
é energia!
adição de surpresa que não discrimina
persiste flutuante na existência
de relâmpago e trovão
na brisa beige do deserto
no brilho azul preciso
de um céu no Alentejo.
O tempo é vida
acrescenta, surpreende no segundo passado
no instante minuto que avizinha
ainda ausente, indefinido, diferente.
O tempo são os lábios e o desejo
e é ciência
no limite como alguém disse
o tempo nas janelas de um comboio
é energia!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
TEMPO ALÉM DO TEMPO ( ou Outro Tempo)
Quero tempo de viver
preciso de tempo, de muito mais tempo,
porque um dia saís-te de mim
e leváste-me o meu tempo.
Por distanciação no tempo
e sem vontade expressa,
apoderáste-te do meu tempo:
o tempo alegre,
o da compaixão,
o do convívio
e da compreensão!...
Hoje vivo outro tempo:
o tempo do inconformismo,
e o tempo que gira em meu redor,
que é o da incompreensão,
o da marginalisação,
um tempo sem clarificação
e sem qualquer temporalidade!...
E eu , que até dominava o tempo
perdi assim de repente
todo o meu querido tempo.
----------------------------------
Mas pela paixão
recriei um outro tempo,
tempo de sentir,
tempo de amar e florescer,
mas ainda e sempre de saudade
por vezes de solidão:
é o meu tempo moderno,
assaz emotivo,
também de compensação,
mas em simultâneo
um tempo gélido
por ser de afastamento,
tempo de discriminação,
que eu devo compreender
mas que tanto afecta
meu tempo de viver!
Odeio agora o tempo,
aquele que eu não temia,
o mesmo que eu dominava!
Agora fragmento o tempo
para o preencher e aceitar,
e juro que nunca, mas nunca,
me deixarei por ele dizimar,
pois é um tempo que entristece
e por vezes me faz calar!
---------------------------------
Refugio-me silenciosamente
no tempo dos meus silêncios,
deixando-me assim dominar;
assim controlo o meu tempo,
o tempo que me vai restando,
mas que sempre me estimula,
incentiva e agiganta
na procura de um novo tempo:
tempo de nova vida,
de afeição e ternura,
tempo de concórdia familiar,
tempo de criatividade,
tempo de inovação de sentimentos,
tempo de humanismo
e de aproximação vital
entre todos os nossos tempos!
------------------------------------
Suplico apenas
mais tempo de viver,
um tempo de sublime vivência,
ou serei forçado a inventar
um pouco mais de tempo
além do meu actual
mas tão curto
e tumultuoso tempo!...
António Luíz ( 21-05-2009)
preciso de tempo, de muito mais tempo,
porque um dia saís-te de mim
e leváste-me o meu tempo.
Por distanciação no tempo
e sem vontade expressa,
apoderáste-te do meu tempo:
o tempo alegre,
o da compaixão,
o do convívio
e da compreensão!...
Hoje vivo outro tempo:
o tempo do inconformismo,
e o tempo que gira em meu redor,
que é o da incompreensão,
o da marginalisação,
um tempo sem clarificação
e sem qualquer temporalidade!...
E eu , que até dominava o tempo
perdi assim de repente
todo o meu querido tempo.
----------------------------------
Mas pela paixão
recriei um outro tempo,
tempo de sentir,
tempo de amar e florescer,
mas ainda e sempre de saudade
por vezes de solidão:
é o meu tempo moderno,
assaz emotivo,
também de compensação,
mas em simultâneo
um tempo gélido
por ser de afastamento,
tempo de discriminação,
que eu devo compreender
mas que tanto afecta
meu tempo de viver!
Odeio agora o tempo,
aquele que eu não temia,
o mesmo que eu dominava!
Agora fragmento o tempo
para o preencher e aceitar,
e juro que nunca, mas nunca,
me deixarei por ele dizimar,
pois é um tempo que entristece
e por vezes me faz calar!
---------------------------------
Refugio-me silenciosamente
no tempo dos meus silêncios,
deixando-me assim dominar;
assim controlo o meu tempo,
o tempo que me vai restando,
mas que sempre me estimula,
incentiva e agiganta
na procura de um novo tempo:
tempo de nova vida,
de afeição e ternura,
tempo de concórdia familiar,
tempo de criatividade,
tempo de inovação de sentimentos,
tempo de humanismo
e de aproximação vital
entre todos os nossos tempos!
------------------------------------
Suplico apenas
mais tempo de viver,
um tempo de sublime vivência,
ou serei forçado a inventar
um pouco mais de tempo
além do meu actual
mas tão curto
e tumultuoso tempo!...
António Luíz ( 21-05-2009)
Como começa um conto
Comecei a ler um conto de Máximo Gorki que se chama " O pequeno pastor e a fadazinha "
com tradução de Egito Gonçalves e publicação da Quasi. Resolvi partilhar.
" As histórias que os homens contam são frequentemente tristes, não procuremos conhecer a razão deste facto e ouçamos antes uma delas, um conto sobre um tema antigo, que se pode ouvir nas margens do Danúbio, do rio azul...
Ao longo deste rio há uma floresta, velha e poderosa. Começa na própria margem e mergulha na profundidade das planícies; as ramagens prolongam-se por cima das ondas azuis e sonoras e as raízes nodosas e enrugadas deixam-se beijar e lavar pelas águas que acorrem à margem com um ruído suave e acariciador.
Na floresta viviam elfos, fadas e velhos gnomos, sábios, que tinham construído sob as raízes palácios onde meditavam acerca da vida e de todos os outros assuntos em que convém meditar para se ser sábio. À noite saíam para as margens sombrias e sentados em pedras recobertas por um macio musgo verde-escuro ou em velhos troncos abatidos pela tempestade, contemplavam as ondas que corriam para o mar, vindas de um longe incompreensível, tenso como uma cortina de trevas enevoadas, e prestavam atenção ao murmúrio do rio. "
com tradução de Egito Gonçalves e publicação da Quasi. Resolvi partilhar.
" As histórias que os homens contam são frequentemente tristes, não procuremos conhecer a razão deste facto e ouçamos antes uma delas, um conto sobre um tema antigo, que se pode ouvir nas margens do Danúbio, do rio azul...
Ao longo deste rio há uma floresta, velha e poderosa. Começa na própria margem e mergulha na profundidade das planícies; as ramagens prolongam-se por cima das ondas azuis e sonoras e as raízes nodosas e enrugadas deixam-se beijar e lavar pelas águas que acorrem à margem com um ruído suave e acariciador.
Na floresta viviam elfos, fadas e velhos gnomos, sábios, que tinham construído sob as raízes palácios onde meditavam acerca da vida e de todos os outros assuntos em que convém meditar para se ser sábio. À noite saíam para as margens sombrias e sentados em pedras recobertas por um macio musgo verde-escuro ou em velhos troncos abatidos pela tempestade, contemplavam as ondas que corriam para o mar, vindas de um longe incompreensível, tenso como uma cortina de trevas enevoadas, e prestavam atenção ao murmúrio do rio. "
terça-feira, 16 de junho de 2009
Palavras mínimas
De palavras mínimas assim é a poesia
largos sentidos, vastos mares, nuvens
raios solares a perder de vista.
Feitas de giras células em carapaças
químicas; sente-se o ruído de asas
em fim de ciclo, o ciclo da seda
casulos de borboletas cor de cera.
As palavras mínimas, as poesias
abrem de cuidados as dermes, soltam
o mais íntimo sentir do centro
que se espalha fluorescente
luz clara de corpos que cresce e sobe
em teia de tecidos, céu de vitrais
nos fios finos que unem as estrelas
ao núcleo de veste branca
musa de um mar de veludos.
Nas palavras mínimas dos poemas
não há o perigo fugaz dos líquidos
as asas são sólidas não de Ícaro.
largos sentidos, vastos mares, nuvens
raios solares a perder de vista.
Feitas de giras células em carapaças
químicas; sente-se o ruído de asas
em fim de ciclo, o ciclo da seda
casulos de borboletas cor de cera.
As palavras mínimas, as poesias
abrem de cuidados as dermes, soltam
o mais íntimo sentir do centro
que se espalha fluorescente
luz clara de corpos que cresce e sobe
em teia de tecidos, céu de vitrais
nos fios finos que unem as estrelas
ao núcleo de veste branca
musa de um mar de veludos.
Nas palavras mínimas dos poemas
não há o perigo fugaz dos líquidos
as asas são sólidas não de Ícaro.
Porque um dia voltaremos

Gostava de partilhar convosco um poema muito especial para mim. Aconteceu na última aula de Português de uma das minhas turmas de 10º Ano. Um poema da autoria de todos os alunos, tocados pela magia da palavra poética, neste último mês de aulas. Um texto que poetiza momentos do percurso escolar, deles e meu. Um texto cheio de reminiscências, minhas e deles. Um texto/poema que dá resposta a um dos desafios que lhes lancei - enquanto escrevemos, permanecemos...
Obrigada a eles por aceitarem o desafio, obrigada a vós por os receberem neste espaço dedicado à poesia e protegido pelos poetas...
Um dia cheguei
não sei bem como, ainda,
e permaneci.
sou escritor de mim.
enquanto escrevo
permaneço.
e houve um tempo em que escrevi
sob baloiços de outono,
passando pelos contos
até ao poema,
aquele que cresce na carne.
nas páginas de uma aula
aprendi a voar.
reencontramo-nos (intrinsecamente)
num abrir de asas.
Porque um dia voltaremos.
Alunos da Turma D/E, Colégio Luso-Francês
domingo, 14 de junho de 2009
Dedicatória a um amigo
Não queria o telefonema, o encontro.
Alguns minutos, como amigo.
Impossível recusar.
Sabia que a dor seria mútua
no previsto problema
adivinhava as paredes desfeitas
os estilhaços, as ruínas;
ninguém gosta das partes más
o inverter de horizontes
a gravidade ao contrário
que afoga na queda dos mares
e projecta a alma nua de agulhas
nas pontas das estrelas
quando se perdem as luas.
As verdades já não eram.
Um abraço
forte, apertado, sentido.
Falei dos jogos de ténis, das férias em Ibiza
das noites no fim das praias
do "rouge" das queimaduras
mas não querias, não era esse o motivo.
Disseste: "Senta-te como amigo."
Tentei de novo, tinha receio do fungo
o cogumelo anelar que crescia, colocava
a cabeça perto de nuvens densas.
Falei da origem de uma viagem a Elvas,
os comícios políticos, o comboio, outros amigos.
Tu nervoso, um sorriso ténue, por fim
o grito:"Não digas nada! Ouve-me!
Por um instante! Como amigo!"
Eu sabia
eu e a tua barba de três dias
por isso falava de um resto de outras vigas
férreos alicerces onde tinhamos nascido:
o mesmo bairro, a bola de trapos
o jogo da casquinha, as caricas
das águas do Cruzeiro (mais estáveis
nas curvas devido aos vazios.
Os sumos Cristalina, as gasosas
os bailes de aldeia, as fugas
nas cavas rochas,abrigos de pastores
e do calor, o calor imenso das lareiras
dos caldeirões de pernas metálicas, pretas.
Tu: "Como amigo!"
Pedi um Whiskie, baixei os olhos
na dança das pedras frias. Ouvi.
"Sabes a Isabel, o Matias, a Maria...
...comigo!"
E por aí fora, não era uma história nova
durava, parava, retorcia, aviltava
aqui um pouco mais de sal, ali escura
ou clara na expressão de um facto
o excesso de pimenta. Uma hora. Ouvi.
Como amigo. O balão esvaziava no rodopio
até ao nível de uma lágrima.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
As minhas palavras : "Tem calma!"
Nascia em mim outro desejo
um outro universo que consumia
emergente, a vontade, a mão no ombro
e o retorno aos anteriores lugares
não das derrotas modernas que doíam
mas sim das vitórias antigas
e das outras que viriam.
"Tem calma! Se hoje há chuva amanhã é dia!"
Não havia mais pedras na roda do copo.
Cessa o frio.Disseste:
"Sabes é bom ter um amigo!"
Alguns minutos, como amigo.
Impossível recusar.
Sabia que a dor seria mútua
no previsto problema
adivinhava as paredes desfeitas
os estilhaços, as ruínas;
ninguém gosta das partes más
o inverter de horizontes
a gravidade ao contrário
que afoga na queda dos mares
e projecta a alma nua de agulhas
nas pontas das estrelas
quando se perdem as luas.
As verdades já não eram.
Um abraço
forte, apertado, sentido.
Falei dos jogos de ténis, das férias em Ibiza
das noites no fim das praias
do "rouge" das queimaduras
mas não querias, não era esse o motivo.
Disseste: "Senta-te como amigo."
Tentei de novo, tinha receio do fungo
o cogumelo anelar que crescia, colocava
a cabeça perto de nuvens densas.
Falei da origem de uma viagem a Elvas,
os comícios políticos, o comboio, outros amigos.
Tu nervoso, um sorriso ténue, por fim
o grito:"Não digas nada! Ouve-me!
Por um instante! Como amigo!"
Eu sabia
eu e a tua barba de três dias
por isso falava de um resto de outras vigas
férreos alicerces onde tinhamos nascido:
o mesmo bairro, a bola de trapos
o jogo da casquinha, as caricas
das águas do Cruzeiro (mais estáveis
nas curvas devido aos vazios.
Os sumos Cristalina, as gasosas
os bailes de aldeia, as fugas
nas cavas rochas,abrigos de pastores
e do calor, o calor imenso das lareiras
dos caldeirões de pernas metálicas, pretas.
Tu: "Como amigo!"
Pedi um Whiskie, baixei os olhos
na dança das pedras frias. Ouvi.
"Sabes a Isabel, o Matias, a Maria...
...comigo!"
E por aí fora, não era uma história nova
durava, parava, retorcia, aviltava
aqui um pouco mais de sal, ali escura
ou clara na expressão de um facto
o excesso de pimenta. Uma hora. Ouvi.
Como amigo. O balão esvaziava no rodopio
até ao nível de uma lágrima.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
As minhas palavras : "Tem calma!"
Nascia em mim outro desejo
um outro universo que consumia
emergente, a vontade, a mão no ombro
e o retorno aos anteriores lugares
não das derrotas modernas que doíam
mas sim das vitórias antigas
e das outras que viriam.
"Tem calma! Se hoje há chuva amanhã é dia!"
Não havia mais pedras na roda do copo.
Cessa o frio.Disseste:
"Sabes é bom ter um amigo!"
À memória de Fernando Pessoa
Se eu pudesse fazer com que viesses
Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão -
Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,
Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boémia
Coberta de farrapos e de estrelas,
Tristíssima, pedante, e contrafeita,
Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,
Voltávamos à mesma: Tu, lá onde
Os astros e as divinas madrugadas
Noivam na luz eterna de um sorriso;
E eu, por aqui, vadio de descrença
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...
Isto por cá vai indo como dantes;
O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
- Autênticos patifes bem falantes...
E a mesma intriga: as horas, os minutos,
As noites sempre iguais, os mesmos dias,
Tudo igual! Acordando e adormecendo
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre
O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver -
Sem estímulo, sem fé, sem convicção...
Poetas, escutai-me. Transformemos
A nossa natural angústia de pensar -
Num cântico de sonho!, e junto dele,
Do camarada raro que lembramos,
Fiquemos uns momentos a cantar!
António Botto
Poema de Cinza
As Canções de António Botto
Editorial Presença
1999
Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão -
Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,
Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boémia
Coberta de farrapos e de estrelas,
Tristíssima, pedante, e contrafeita,
Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,
Voltávamos à mesma: Tu, lá onde
Os astros e as divinas madrugadas
Noivam na luz eterna de um sorriso;
E eu, por aqui, vadio de descrença
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...
Isto por cá vai indo como dantes;
O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
- Autênticos patifes bem falantes...
E a mesma intriga: as horas, os minutos,
As noites sempre iguais, os mesmos dias,
Tudo igual! Acordando e adormecendo
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre
O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver -
Sem estímulo, sem fé, sem convicção...
Poetas, escutai-me. Transformemos
A nossa natural angústia de pensar -
Num cântico de sonho!, e junto dele,
Do camarada raro que lembramos,
Fiquemos uns momentos a cantar!
António Botto
Poema de Cinza
As Canções de António Botto
Editorial Presença
1999
sábado, 13 de junho de 2009
Sempre a luz
Porque murcham as flores
e os verdes do jardim?
Será do Sol de brasa
da noite, da Lua
da água mole
da pedra dura?
Logo passa
logo volta a andorinha
a estação e o jardim.
Na nossa mãe natureza
só há meios
nunca fim.
Nem sempre o dia se levanta
de amarelos vestido
nem sempre as nuvens
nem sempre o frio.
Sempre existe mudança
a lonjura que aproxima
a seguir à noite escura
sempre a luz
de um novo dia.
e os verdes do jardim?
Será do Sol de brasa
da noite, da Lua
da água mole
da pedra dura?
Logo passa
logo volta a andorinha
a estação e o jardim.
Na nossa mãe natureza
só há meios
nunca fim.
Nem sempre o dia se levanta
de amarelos vestido
nem sempre as nuvens
nem sempre o frio.
Sempre existe mudança
a lonjura que aproxima
a seguir à noite escura
sempre a luz
de um novo dia.
Sou de vidro
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita
Vale a pena ouvir este poema na voz de Clara Ghimel "Entre mares"
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita
Vale a pena ouvir este poema na voz de Clara Ghimel "Entre mares"
sexta-feira, 12 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Encontro-te
Encontro-te sempre no sítio certo;
na galeria de arte, no bazar antigo
na fila do teatro, no grupo animado
de um bar novo.
Costuma ser ao sábado
cruzamos o olhar,sabemos o sorriso
onde se apaga o lápis dos versos
e sobresssai a tinta permanente
do desejo ... a noite longa.
De frente vejo o grande aquário
um mundo pequeno: uma praia, duas luas
as estrelas, o mar suspenso
e dois corpos sem toalhas
vestidos de águas breves
(h)ora descendo num balanço
(h)ora subindo em desafio
ao sal mais salgado dos lábios
infindável beijo.
As mãos acenam e os teus olhos levam
o meu sonho dentro deles
esvoaçam as doces ancas, os cabelos
as marés dos teus seios
e os meus receios de que não chegue
o dia das cerejas, das certezas;
essa barca dos perfumes
que me leve com eles.
na galeria de arte, no bazar antigo
na fila do teatro, no grupo animado
de um bar novo.
Costuma ser ao sábado
cruzamos o olhar,sabemos o sorriso
onde se apaga o lápis dos versos
e sobresssai a tinta permanente
do desejo ... a noite longa.
De frente vejo o grande aquário
um mundo pequeno: uma praia, duas luas
as estrelas, o mar suspenso
e dois corpos sem toalhas
vestidos de águas breves
(h)ora descendo num balanço
(h)ora subindo em desafio
ao sal mais salgado dos lábios
infindável beijo.
As mãos acenam e os teus olhos levam
o meu sonho dentro deles
esvoaçam as doces ancas, os cabelos
as marés dos teus seios
e os meus receios de que não chegue
o dia das cerejas, das certezas;
essa barca dos perfumes
que me leve com eles.
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