segunda-feira, 11 de maio de 2009
Pálido Ponto Azul
Uma poesia feita de ciência a 6,4 biliôes de quilómetros da TERRA na voz de Carl Sagan!
domingo, 10 de maio de 2009
Cinco gotas e um "lapsus"
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
coloquei as folhas e os livros
sobre a mesa de mar na esplanada.
Águas escorriam céleres
perto
soltando ruídos vagos
som submerso de algumas palavras.
Trouxe memórias de uma ilha
onde
os sumos frescos dos frutos
saciavam a sede diurna
rodeados de uma brisa amena
e a velatura
da imensa mancha azul
extensa e lisa.
Eram as noites mais quentes
de loucura
onde
intensas luzes dança
cobriam peles nuas
de brilhos raros
vestindo-se por vezes
de um sensual abandono
no intervalo
do malte dos whiskies
e o álcool das cevadas.
Escuto os ecos longínquos
enleado
nesse quadro repentino
que surge nítido
no espelho oceânico
como seta subtil
no duplicar de falas
que passa no copo nas palhas
ou que parte
escondido noutras salas.
E há o gesto distraído
a queda abrupta de um postigo:
cinco gotas caídas sem abrigo
(como se fossem sem cuidado
e não o "lapsus" de um preciso reflexo
o suster inclinado de um pouco de alma).
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
e na praia
há uma rocha
um rosto uma ilha
que larga
limos verdes
um ouriço roxo e alcalino
cabelos de alga
e por fim
devolve ao mar espuma
a imagem já difusa desse quadro
um Titanic de naufrágios
uma ânfora adormecida
nos corais de plâncton
no aquário dos abismos
de um profundo Oceano.
nos primeiros dias de Maio
coloquei as folhas e os livros
sobre a mesa de mar na esplanada.
Águas escorriam céleres
perto
soltando ruídos vagos
som submerso de algumas palavras.
Trouxe memórias de uma ilha
onde
os sumos frescos dos frutos
saciavam a sede diurna
rodeados de uma brisa amena
e a velatura
da imensa mancha azul
extensa e lisa.
Eram as noites mais quentes
de loucura
onde
intensas luzes dança
cobriam peles nuas
de brilhos raros
vestindo-se por vezes
de um sensual abandono
no intervalo
do malte dos whiskies
e o álcool das cevadas.
Escuto os ecos longínquos
enleado
nesse quadro repentino
que surge nítido
no espelho oceânico
como seta subtil
no duplicar de falas
que passa no copo nas palhas
ou que parte
escondido noutras salas.
E há o gesto distraído
a queda abrupta de um postigo:
cinco gotas caídas sem abrigo
(como se fossem sem cuidado
e não o "lapsus" de um preciso reflexo
o suster inclinado de um pouco de alma).
Soltaram o calor
nos primeiros dias de Maio
e na praia
há uma rocha
um rosto uma ilha
que larga
limos verdes
um ouriço roxo e alcalino
cabelos de alga
e por fim
devolve ao mar espuma
a imagem já difusa desse quadro
um Titanic de naufrágios
uma ânfora adormecida
nos corais de plâncton
no aquário dos abismos
de um profundo Oceano.
sábado, 9 de maio de 2009
Tombo rolante
Tombo redondo
à tua partida
rolante sem ruído
relutante sem luta
À roda te exibes
acrobata de bola
como se esquinas
(que te limparam)
de alavancas te calhassem
Tombo de roda
roliço maciço
de culto alisado
de pele macia
Pára, estanca
tolo redondo
se fui eu que te alisei
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Frases em branco de humor
Quieta água suspensa no olhar
Gota de riso e choro
Quieto sangue suspenso num batimento
A dor cardíaca de existir
Faltam-me verbos para descrever a vida
Faltam-me tempos verbais
Advérbios de modo, nomes e adjectivos
A gramática finita sem som
O papel branco sem som
O meu dizer neste instante que já foi
Quieta água suspensa
No olhar
Gota
De riso e choro
Os tempos da minha dor
Os advérbios cardíacos do meu tempo
A vida sem gramática
A matemática da poesia
A vida sem som
O sonho quieto
Em mim
Aguarda despertar
No tempo presente
Numa gramática nova
A ternura do amor.
Gota de riso e choro
Quieto sangue suspenso num batimento
A dor cardíaca de existir
Faltam-me verbos para descrever a vida
Faltam-me tempos verbais
Advérbios de modo, nomes e adjectivos
A gramática finita sem som
O papel branco sem som
O meu dizer neste instante que já foi
Quieta água suspensa
No olhar
Gota
De riso e choro
Os tempos da minha dor
Os advérbios cardíacos do meu tempo
A vida sem gramática
A matemática da poesia
A vida sem som
O sonho quieto
Em mim
Aguarda despertar
No tempo presente
Numa gramática nova
A ternura do amor.
Abraço
A ternura dos sorrisos estrelados das crianças
O embalo lento do berço da vida
Os balanços fortes em mares revoltos
A procura dentro e fora de nós
A chegada ao abraço
Corpo duplo de um momento.
O embalo lento do berço da vida
Os balanços fortes em mares revoltos
A procura dentro e fora de nós
A chegada ao abraço
Corpo duplo de um momento.
Mar
Sem terra
As fronteiras são só terra
A terra continua até ao mar
Os limites estão em nós
Nas nossas mentes
Sem guerra
As fronteiras são só guerra
A guerra continua até ao mar
As guerras estão em nós
Nas nossas mentes
A dor
Fronteira da nossa emoção presa
A dor continua até ao mar
A pele
Fronteira do corpo interno
A pele continua até à dor
A paz, o infinito e o amor estão em nós
Nas nossas mentes
Sem fronteiras
Sem limites
Continuam até ao mar
O amor somos nós.
As fronteiras são só terra
A terra continua até ao mar
Os limites estão em nós
Nas nossas mentes
Sem guerra
As fronteiras são só guerra
A guerra continua até ao mar
As guerras estão em nós
Nas nossas mentes
A dor
Fronteira da nossa emoção presa
A dor continua até ao mar
A pele
Fronteira do corpo interno
A pele continua até à dor
A paz, o infinito e o amor estão em nós
Nas nossas mentes
Sem fronteiras
Sem limites
Continuam até ao mar
O amor somos nós.
Sopro
Chega antes de tudo existir.
O sopro.
Ar em rodopio em nós.
O nosso respirar.
As folhas que dançam.
A gente que dança, que voa, que envolve o ar.
Respiro fundo.
Suspiro.
Sopro.
Assobio.
Inspiro.
Expiro.
Falo.
Canto.
Declamo.
Tudo é vento.
O sopro.
Ar em rodopio em nós.
O nosso respirar.
As folhas que dançam.
A gente que dança, que voa, que envolve o ar.
Respiro fundo.
Suspiro.
Sopro.
Assobio.
Inspiro.
Expiro.
Falo.
Canto.
Declamo.
Tudo é vento.
Ritmo
Ritmo.
A sincronia exacta da tua voz em mim.
Os gestos em pausas de silêncio.
O teu corpo sem som.
A tua forma.
Magra, esculpida de ritmo.
A sincronia exacta do teu corpo em mim.
Os abraços em pausas de tempo.
O teu corpo sem cor.
Tempo parado em cor.
Escrevo a tua cor.
Ritmo.
O teu ritmo.
O meu ritmo.
A nossa dança.
A sincronia exacta do teu ritmo em mim.
Os beijos em pausas de espaço.
O teu corpo sem matéria.
Tempo parado e etéreo.
Escrevo a tua voz.
Ritmo.
A sincronia exacta da tua voz em mim.
Os gestos em pausas de silêncio.
O teu corpo sem som.
A tua forma.
Magra, esculpida de ritmo.
A sincronia exacta do teu corpo em mim.
Os abraços em pausas de tempo.
O teu corpo sem cor.
Tempo parado em cor.
Escrevo a tua cor.
Ritmo.
O teu ritmo.
O meu ritmo.
A nossa dança.
A sincronia exacta do teu ritmo em mim.
Os beijos em pausas de espaço.
O teu corpo sem matéria.
Tempo parado e etéreo.
Escrevo a tua voz.
Ritmo.
Som
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Vibração organizada em mim
Sopro criativo, olhar interno
Alma em notas de percepção
Se eu fosse esta música
Era pura abstracção
A física invisível dos sentidos
A massa sólida da dor
Sem corpo nem cor
Alma em notas de percepção
A tua música no meu olhar
Silêncio do tempo em abraços
Silêncio em música de abraço
Tempo da dor em contratempo
O teu ritmo descompassado
Era pura abstracção no meu corpo
A música da tua ternura em mim
Era pura abstracção
A física invisível do teu rosto
O beijo da existência
Magma encarnado
Música encarnada
Era pura abstracção
A música tem o nome da liberdade
O elixir respirável da vibração
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Olho a partitura em branco
A música por escrever, por inventar
Canto para ti e adormeces
Sem corpo nem dor
Só som
Vibração organizada em mim
Sopro criativo, olhar interno
Alma em notas de percepção
Se eu fosse esta música
Era pura abstracção
A física invisível dos sentidos
A massa sólida da dor
Sem corpo nem cor
Alma em notas de percepção
A tua música no meu olhar
Silêncio do tempo em abraços
Silêncio em música de abraço
Tempo da dor em contratempo
O teu ritmo descompassado
Era pura abstracção no meu corpo
A música da tua ternura em mim
Era pura abstracção
A física invisível do teu rosto
O beijo da existência
Magma encarnado
Música encarnada
Era pura abstracção
A música tem o nome da liberdade
O elixir respirável da vibração
Se eu fosse esta música que ouço
Sem corpo nem dor
Só som
Olho a partitura em branco
A música por escrever, por inventar
Canto para ti e adormeces
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Matrioska e Saber
Sonhos
Famintos dos lugares
perdidos no Oceano;
histórias invulgares
secretas viagens
sucessos abstractos.
Pensamentos tintos
de cores em arcos
olhos enleados
nos labirintos
da mente.
Mudas irrealidades
quiméricas ilusórias
segundos alternados
em estados de alma.
Favos de surpresas
agridoces -
Sonhos!
perdidos no Oceano;
histórias invulgares
secretas viagens
sucessos abstractos.
Pensamentos tintos
de cores em arcos
olhos enleados
nos labirintos
da mente.
Mudas irrealidades
quiméricas ilusórias
segundos alternados
em estados de alma.
Favos de surpresas
agridoces -
Sonhos!
terça-feira, 5 de maio de 2009
de profundis amamus

(Pintura de Cesariny)
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
Mário Cesariny - Autografia e outros poemas de pena capital - Assírio & Alvim
domingo, 3 de maio de 2009
Dia da Mãe - Azul "Celeste"
Tem o nome nascido no céu
o signo sem pecado
deu-me luz quando venci o mar
e agarrado ao fio apareci
choroso do outro lado.
Um dia de Outono
que me apercebo indefinido
sem o pontuar de humores:
raios de sol? gotas em linhas?
A "brasileirinha" diziam quando pequena
nas terras do Côa íngremes e sós
onde volfrâmios eram ouro de montes
e os homens nos vales davam saltos
sem fronteiras na França distante
salvação e aventura de emigrantes.
Ainda menina sem remos nem fama
tocou as margens do Douro
no comboio das fornalhas
em bancos corridos de paus e napas;
impossível esquecer as galinhas carecas
entre redes malas de cartão e cestas
os rodilhos os aventais
na Régua os cântaros de água fresca.
Chegou no abraço de um Porto
abrigo onde o barco acostou
e não mais partiu:
foi aí que eu nasci.
Devo-lhe os versos o som das rimas
as palavras ensaboadas
nas águas do rio.
No início lia contava as histórias da Biblia.
Nos dias de Maio as novenas
os cânticos das músicas de "Maria"
nas terras de Fátima da Cova (Dei)ria
(assim se cantava e eu de mãos juntas
e ar distraído assim ouvia).
Pequeno na altura do cotovelo
ensinou-me as artes do bolo
sem mecanismo de braço firme
nas rodas de um "salazar":
castelos de claras
gemas desmaiadas de doçura
manteigas derretidas
e o nome que guardo na memória
raiados de Carrara "mármore"
"mármore" assim o bolo se chamava.
Talvez se tenha formado no pó das farinhas
alguma névoa e fantasia
um princípio de alma
que acredita
na força das palavras
na poesia.
Enfim que mais dizer
se não que em ela fui um todo
recebendo recebendo recebendo
o consolo o carinho o próprio sono
nos cuidados que só uma mãe sente
como sendo
únicos divinos
voando perigos ouvindo os ventos
amainando as feras dos destinos.
Mãe que tens nome no céu
e és menina do Rio
hoje sempre todos outros
o dia é teu
e vejo-te azul na cor
de uma flor delicada
miosótis
o pequeno ponto amarelo
sabes mãe
esse lugar é o meu.
o signo sem pecado
deu-me luz quando venci o mar
e agarrado ao fio apareci
choroso do outro lado.
Um dia de Outono
que me apercebo indefinido
sem o pontuar de humores:
raios de sol? gotas em linhas?
A "brasileirinha" diziam quando pequena
nas terras do Côa íngremes e sós
onde volfrâmios eram ouro de montes
e os homens nos vales davam saltos
sem fronteiras na França distante
salvação e aventura de emigrantes.
Ainda menina sem remos nem fama
tocou as margens do Douro
no comboio das fornalhas
em bancos corridos de paus e napas;
impossível esquecer as galinhas carecas
entre redes malas de cartão e cestas
os rodilhos os aventais
na Régua os cântaros de água fresca.
Chegou no abraço de um Porto
abrigo onde o barco acostou
e não mais partiu:
foi aí que eu nasci.
Devo-lhe os versos o som das rimas
as palavras ensaboadas
nas águas do rio.
No início lia contava as histórias da Biblia.
Nos dias de Maio as novenas
os cânticos das músicas de "Maria"
nas terras de Fátima da Cova (Dei)ria
(assim se cantava e eu de mãos juntas
e ar distraído assim ouvia).
Pequeno na altura do cotovelo
ensinou-me as artes do bolo
sem mecanismo de braço firme
nas rodas de um "salazar":
castelos de claras
gemas desmaiadas de doçura
manteigas derretidas
e o nome que guardo na memória
raiados de Carrara "mármore"
"mármore" assim o bolo se chamava.
Talvez se tenha formado no pó das farinhas
alguma névoa e fantasia
um princípio de alma
que acredita
na força das palavras
na poesia.
Enfim que mais dizer
se não que em ela fui um todo
recebendo recebendo recebendo
o consolo o carinho o próprio sono
nos cuidados que só uma mãe sente
como sendo
únicos divinos
voando perigos ouvindo os ventos
amainando as feras dos destinos.
Mãe que tens nome no céu
e és menina do Rio
hoje sempre todos outros
o dia é teu
e vejo-te azul na cor
de uma flor delicada
miosótis
o pequeno ponto amarelo
sabes mãe
esse lugar é o meu.
sábado, 2 de maio de 2009
A curva dominante
Fio d"água
Fio d"água
que declina o caminho
comum
de afluentes riachos.
Serpente de reflexos
em descida plena
de nós e sulcos.
Turbulência emergente
ruído borbulejo
que ecoa, escoa
e cai
na planície do desejo.
que declina o caminho
comum
de afluentes riachos.
Serpente de reflexos
em descida plena
de nós e sulcos.
Turbulência emergente
ruído borbulejo
que ecoa, escoa
e cai
na planície do desejo.
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