Nasci, cresci um pouco à margem,
ou à míngua das benesses, ou do carinho,
subi tortuosos caminhos,
e desci escorregadias ladeiras;
vivi com sofreguidão a vida
e paixões as mais díspares e diversas,
e algumas tão tamanhas
que acreditei eternas;
mas perguntei-me por vezes:
- se fugazes,
porquê grandiosas e tamanhas?
Então, alheava-me da paixão,
por tudo e por nada vivia o desassossego,
e tantas vezes vivia a Vida
tão ferido de exclusão
que confesso não me entendia!...
Então, buscava a doce ternura
que quase sempre encontrava
lá longe, arredada , tão longínqua de mim,
e pegáva-a , derramando-a nos olhos
de quem me olhasse nos meus,
até me chegar a fadiga ou a exaustão,
que me subtraía a dôr
e me fazia proliferar a ilusão,
crivando-me a alma de fantasias,
e trespassando-me de luz o coração!...
Tentei estar na fila da frente,
após cumprir os meus sessenta,
esgrimindo-me contra o ódio,
a falsidade e a maledicência,
que tanta gente afugenta.
Corri atrás da liberdade,
que jamais pude atingir;
quiz ter Vida apaziguadora
de um mar revolto de emoções,
trinchei o ciúme e a cobardia
até sofrer grave mutação;
Transformei-me em alucinado ser
ao lutar pela verdade indiscutível,
mas desisti, bati no fundo,
situação gélida, inenarrável,
para mim contra-habitual, contranatura!
Preferiria ter-me afugado
numa lagoa de mel e bondade ,
ou ter-me explodido
num frondoso bosque de amôr,
equidade e de temperança!...
(António Luíz , 31-Março-2009)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
A persistência da memória
Uma canção de Schubert
Este vídeo têm a particularidade de ter o subtítulo de "homens na cozinha" vale a pena ver até ao fim. A canção também merece a audição apesar de não ter tradução.
Os crocodilos do Nilo

A Fontana de Trevi atreve
o som de água e descreve
o discurso inaudito
que não vislumbra o turista
de colete caqui e sol poente
na pala "Panamá".
Está esgotado, suado no lenço.
Dedos cansados a mente persistente
de desertos lentos areia quente
no balanço das bossas do Egipto
e um outro ruído de águas:
os crocodilos do Nilo.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Noites
Às vezes queremos dizer tudo
rodeá-lo de palavras
e surge árido o lugar dos reflexos
o canto dos sentimentos.
Por vezes
há noites de estrelas e veludos
na casa junto ao lago
onde não falo ou escrevo
mais que a Natureza.
rodeá-lo de palavras
e surge árido o lugar dos reflexos
o canto dos sentimentos.
Por vezes
há noites de estrelas e veludos
na casa junto ao lago
onde não falo ou escrevo
mais que a Natureza.
palavras pe(r)didas
"Não sei bem onde foi que me perdi;
Talvez nem tenha me perdido mesmo,
Mas como é estranho pensar que isto aqui
Fosse o meu destino desde o começo."
António Cicero
Talvez nem tenha me perdido mesmo,
Mas como é estranho pensar que isto aqui
Fosse o meu destino desde o começo."
António Cicero
Terrível é o caminho que não encolhe na chuva
Onde foi que te perdeste?
Tantas vezes me perdi
Que vezes é preciso perder-se para não mais ser possível achar-se?
Quantas vezes vale desistir?
Em todos os meses depois de janeiro
Se no primeiro turno tudo ficou no irremediável perdido
Onde foi que te perdeste?
Tantas vezes me perdi
Que vezes é preciso perder-se para não mais ser possível achar-se?
Quantas vezes vale desistir?
Em todos os meses depois de janeiro
Se no primeiro turno tudo ficou no irremediável perdido
No espremer da própria água
O que sobra de tudo?
Parece que chega para ti, guardiã da semente que
Um dia, um outro filho, um jovem ligeiro
Desenterrará na primavera por falir
E o velho feiticeiro
Descansar da estranha vida a
Fugir
Quando a juventude morrer de amor
E tomar de luto o pedido do impossível mar
Restarás tu a iludir a velhice das folhas nocturnas
A substituir as palavras
P e r d i d a s
Tantas vezes me perdi em ti e não contigo
Outras vezes nos perdemos connosco e não em nós
Chorará o tempo por te amar tardiamente
O tempo que não chega a tempo de outros amantes,
E o filho, morrerem de amor
O que sobra de tudo?
Parece que chega para ti, guardiã da semente que
Um dia, um outro filho, um jovem ligeiro
Desenterrará na primavera por falir
E o velho feiticeiro
Descansar da estranha vida a
Fugir
Quando a juventude morrer de amor
E tomar de luto o pedido do impossível mar
Restarás tu a iludir a velhice das folhas nocturnas
A substituir as palavras
P e r d i d a s
Tantas vezes me perdi em ti e não contigo
Outras vezes nos perdemos connosco e não em nós
Chorará o tempo por te amar tardiamente
O tempo que não chega a tempo de outros amantes,
E o filho, morrerem de amor
Desnoções & algibeiras
para ser grilo
há que ter algibeiras
onde também caibam silêncios.
ser sorrateiro
espreitando entre dois fios de relva.
saber fazer uma teia invisível
onde o infinito se armadilhe.
encarar o universo
com demasiada intimidade
- a modos que quintal.
saber:
que as estrelas encarecem
de carinho
e brilham para mais desanonimato;
sonetar com roncos de garganta
desminando rebentamentos de coração.
para ser grilo
há que ter desnoções.
viver que:
há só uma distanciaçãozinha
entre apalmilhar um quintal
e acomodar estrelas num abraço.
Ondjaki - "Há prendisagens com o xão"
há que ter algibeiras
onde também caibam silêncios.
ser sorrateiro
espreitando entre dois fios de relva.
saber fazer uma teia invisível
onde o infinito se armadilhe.
encarar o universo
com demasiada intimidade
- a modos que quintal.
saber:
que as estrelas encarecem
de carinho
e brilham para mais desanonimato;
sonetar com roncos de garganta
desminando rebentamentos de coração.
para ser grilo
há que ter desnoções.
viver que:
há só uma distanciaçãozinha
entre apalmilhar um quintal
e acomodar estrelas num abraço.
Ondjaki - "Há prendisagens com o xão"
terça-feira, 24 de março de 2009
A origem do blogue
Encontrei na primeira pessoa a origem do blogue e gostei de ouvir de novo a poesia dita nas carteiras de uma sala de aula.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Um soneto
E TUDO ERA POSSÍVEL
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela tivesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela tivesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
A espera no Aeroporto
Interrogo
na nave pululante de outras asas abertas
onde voas borboleta?
Em que lugar do Oceano te debruças
sobre a janela altiva
oscilando o brinco
exercitando dedos soltos
libertos de sandálias claras
entrenuvens.
Interrogo da tua cor bronze
no contraste da linha azul
que intercepta o teu olhar
esvazia o espaço curto
que separa campainhas
vozes dispersas de partidas
chegadas.
E te digo
num sopro sentido de primeira vez
quanto senti a tua falta
essa ausência de metade
incompleto dividido.
E te digo
quanto te quero
mais e mais
numa chuva interdita de cataratas
intermitente
interminável.
E te digo
bom é ter de novo
a flor do teu sorriso
jardim suspenso onde pousa o sonho.
na nave pululante de outras asas abertas
onde voas borboleta?
Em que lugar do Oceano te debruças
sobre a janela altiva
oscilando o brinco
exercitando dedos soltos
libertos de sandálias claras
entrenuvens.
Interrogo da tua cor bronze
no contraste da linha azul
que intercepta o teu olhar
esvazia o espaço curto
que separa campainhas
vozes dispersas de partidas
chegadas.
E te digo
num sopro sentido de primeira vez
quanto senti a tua falta
essa ausência de metade
incompleto dividido.
E te digo
quanto te quero
mais e mais
numa chuva interdita de cataratas
intermitente
interminável.
E te digo
bom é ter de novo
a flor do teu sorriso
jardim suspenso onde pousa o sonho.
Vanessa Mae Destiny
O violino é de cristal, a música é divinal e cheia de movimento, as cores do vestido são uma tela de cores e por fim há dança- uma arte em falta na nossa poesia.
Espero que gostem!
Espero que gostem!
domingo, 22 de março de 2009
Obrigada José
Obrigada (sobretudo) ao José Ferreira, mas também à Liliana, António, Marlene e outros(as) que mantêm vivo este cantinho, para que quem cá vem espreitar (como eu), não encontre apenas uma teia abandonada por “aranhas” muito ocupadas (como eu).
Obrigada José !
Saudações poéticas a tod@s
Teresa
… p.f. marquem lá outro jantar ;)
Obrigada José !
Saudações poéticas a tod@s
Teresa
… p.f. marquem lá outro jantar ;)
sábado, 21 de março de 2009
O hotel das camélias
Atiças-me a verbe o corpo quente
e eu descalço enfermo de mola presa
que me lance em frente na parede
dos teus braços azul organdi.
Voar no teu desejo
como oferta indefesa
dobrando asas no meu
tão refletido
no hotel das camélias.
Severa batalha de palavras
dissimuladas de metáforas e sentidos
feitas na impossibilidade ou não
de transformar a inferior realidade
na volumetria par de pupilas
como seta certa na entrega
de uma carícia de distância
canto gozo dança
tão visível interiormente
ao mesmo tempo
nos cruzados azuis e negros
olhares enfeites.
Avança um rubor de sorrisos
reactivos à mão estendida
na sede da seda dos pés
por debaixo da mesa.
e eu descalço enfermo de mola presa
que me lance em frente na parede
dos teus braços azul organdi.
Voar no teu desejo
como oferta indefesa
dobrando asas no meu
tão refletido
no hotel das camélias.
Severa batalha de palavras
dissimuladas de metáforas e sentidos
feitas na impossibilidade ou não
de transformar a inferior realidade
na volumetria par de pupilas
como seta certa na entrega
de uma carícia de distância
canto gozo dança
tão visível interiormente
ao mesmo tempo
nos cruzados azuis e negros
olhares enfeites.
Avança um rubor de sorrisos
reactivos à mão estendida
na sede da seda dos pés
por debaixo da mesa.
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