sábado, 15 de novembro de 2008
LA COGIDA Y LA MUERTE
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.
El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
!Y el toro solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
Cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.
Un ataúd con ruelas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oídeo
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El quarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A los lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde,
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
!Ay qué terribles cinco de la tarde!
!Eran las cinco en todos los relojes!
!Eran las cinco en sombra de la tarde!
Frederico García Lorca
Publicado por Maria Celeste
Nota: Este é um dos mais belos poemas de Lorca.
Um poema forte, rubro, arrepiante mas, belíssimo!
Aqui fica, " La cogida y la muerte " especialmente,
para "la nuestra hermana" Maria Angeles Sanz, com
um abraço.
Desencontro
Há quanto tempo é assim?
Diz-me, amor, porque não sei,
Como te perdeste...
De mim?
Sinto ainda a ternura
Das tuas mãos
Nas minhas...
No veludo das rosas, da pele
Na suavidade da seda
E do cetim...
Reconheço o brilho dos teus olhos
Em todas as estrelas
Que brilham
Longínquas...
A fio de luz,
Bordadas...
Vejo o teu sorriso macio
Na doçura
Clara e húmida
Das serenas madrugadas...
Escuto a tua voz e o teu riso
Em todos os sons...
Harmoniosos,
Do mundo...
Na água saltitante dos rios...
Nos campos... na rua...
Na música... nas fontes...
No mar azul, profundo...
Revejo-te, escuto-te e sinto-te
Procuro-te...
Chamo-te...
Espero-te...
Nunca te encontrei...não te vi...
Diz-me, amor, porque deixaste
Que me perdesse...
De ti?
Maria Celeste
A fotografia
e em nada transparece
o momento distante
na fotografia!
Uma gota baça espanta o brilho.
Não se adivinha o instante
que desvia, esconde,
a límpida história além,
agora na ponta dos dedos,
cinco palmos do olhar,
parado, ausente,
naquela fotografia!
O sorriso de sincronia
no fumo do disparo,
no nariz de fole,
não revela
o desfazer precedente...
nem sequer o chapéu alto
atràs do símio,
pequeno, irrequieto,
que sempre acompanha
as máquinas de outros dias!
Vira-se, revira-se,
rodam-se os cantos,
procura-se...
um número apenas,
a cartolina dura, sépia,
da velha fotografia!
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
mar

Docemente vinhas beijar-me os pés
De volta levavas um pouco de mim
De volta trazias um pouco de ti
E assim fomos ganhando terreno
Cada vez levavas mais de mim
Cada vez trazias mais de ti
Um dia cobriste-me, fundiste-te
Entrei em ti… pediste para ficar
Prendeste-me… não quis volta
Um poema de que gosto
Aqui vai o poema
L'Amoreuse
Elle est debout sur mes paupiéres
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la coleur de mes yeux,
Elle s'engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.
Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire.
Paul Elouard "Outras Palavras"
Tradução
Ela está de pé nas minhas pálpebras
Ela está de pé nas minhas pálpebras
com os dedos nos meus entrelaçados.
Ela cabe toda nas minhas mãos,
ela tem a cor dos meus olhos
e desaparece na minha sombra
como uma pedra sobre o céu.
Tem sempre os olhos abertos
e não me deixa dormir.
Os sonhos dela à luz do dia
fazem os sóis evaporar-se,
fazem-me rir, chorar e rir,
falar sem ter nada a dizer.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Dai-me uma jovem mulher...
e seu arbusto de sangue. Com ela
melodias livremente soam e entoam.
Nessa floresta mágica dos sentidos
danço.
Mergulho em pasmos movimentos.
No éter delicado, observo-a dançando
E a sua música é a minha casa
o meu encanto, a minha voz e o meu néctar.
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de encanto
Será as cordas do meu dedilhado
Será, a minha musa dedicada
Com ela, na sombra do encontro.
Dai-me uma jovem mulher, essa musa
Encantada; que sem ela não sou nada.
Elza, Raquel e Céu
Fios de mel
sinto ainda fios de mel nos lábios tolos
e a leve aragem de aroma rosas
nas folhas que junto a ti escrevo;
vento
um afago de ar quente em movimento
nas madeixas transpiradas do cabelo,
torneando o rosto, descendo da árvore,
devorando a maçã...batendo o peito!
Não os vendo de adormecida
os teus olhos de safira,
foge-me a pena, cessam os versos
do poema,
espalho as folhas no lençol...
e também eu
fecho portas e janelas,
escorrego num sossego,
suspiro ao mesmo tempo,
oiço segredos no baloiço
do teu seio...
e esqueço... tudo e todos...
fecho os olhos e adormeço!
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
um outro olhar...(3)
“estou triste…”
estou triste, sem saber o que fazer, nem para onde ir
estou triste, apenas isso
umas vezes gosto de mim e adoro o que faço
outras, nem por isso… e fico assim, triste
cabeça baixa, olhos no chão, querendo apenas desaparecer
ficar sozinho… calado… isolado do mundo que faz barulho demais
nstes momentos, apetece-me parar o tempo, desligar o botão e hibernar
meter-me numa campânula de vidro à prova de tudo
ou, se calhar, à prova de nada
por que o tempo não pára, o barulho lá fora é cada vez mais intenso
e não consigo ficar a ver tudo a acontecer
que fazer então?
respirar fundo, levantar a cabeça, olhar para o sol ou para o mar
e fazer como a natureza faz todos os dias
cada dia é um novo dia
poderá ser o primeiro ou o último mas isso não interessa
interessa sim é que é único e que devemos vivê-lo como a natureza faz
como se fosse o primeiro
ou como se fosse o último
Um poema de que gosto
dos Oceanos e o fez correr mundos nas asas de belas poesias.
Para quem, como a maior parte de nós, foi desafiado a entrar pelas regras dos sonetos, no início do Workshop com a nossa "Prezada" Mestra, aqui vos deixo um soneto de amor que acho de rara beleza
XLV
Não estejas longe de mim um dia que seja, porque,
porque, não sei dizê-lo, é longo o dia,
e estarei à tua espera como nas estações
quando em algum sítio os comboios adormeceram.
Não te afastes uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas da insónia
e talvez o fumo que anda à procura de casa
venha matar ainda o meu coração perdido.
Ai que não se quebre a tua silhueta na areia,
ai que na ausência as tuas pálpebras não voem:
não te vás por um minuto, ó bem-amada,
porque nesse minuto terás ido tão longe
que atravessarei a terra inteira perguntando
se voltarás ou me deixarás morrer.
Pablo Neruda "Cem sonetos de amor"
ups... asneira
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Um poema de que gosto
dedicado a Fernando Pessoa
Canção
Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Um sopro leve de brisa
o astro puro ilumina,
incandesce, queima,
elimina,
medos, melancolia!
Tarde lenta em devaneio
no areal da praia lisa.
No intervalo das dunas,
entre o mar e o receio,
descanso no teu olhar.
Resta o contorno do rosto,
um sopro leve de brisa,
um silêncio que enfeitiça!
p.s. parece que todos gostamos de mar e o Nuno disparou o Click!
Ausência
A tua infinita ausência
enche esta praia deserta.
O vento das palavras
varre o areal
liso, imenso.
As algas
adormecidas despertam,
esquecidas de que um dia
foram beijos...
Aqui, nesta praia
as ondas morrem
num longo gemido
cortado pela noite.
Um gato chamado Freud
Começa assim:
Era uma vez uma família que tinha vários gatos, um branco de algodão com poucas manchas de mel na mesma cor dos olhos felinos, mais antigo, mais ronceiro gostava de estar à janela num sossego adormecido. O segundo mais tigrão , tanto tinha de tons de selva como de esfomeado e comilão que tornava diminuto o focinho pequeno, esfíngico, na imprópria relação com o tamanho da farta pança. O terceiro e o mais novo, branco com algum beige, olho azul, elegante e brincalhão, atingiu um dia aquela fase das vidas da cidade que obriga à castração. Foi rápida a operação, mas não sei se por causa da anestesia, da injecção, dos comprimidos, dos doutores, de alguma inusitada reacção, ficou o bicho, até aí tão caseiro e tão manso, um pouco baralhado, saindo de casa fugido pelos quintais, pondo em grande alvoroço e enorme preocupação toda a família aos berros pelas ruas, alertando vizinhos, na procura do seu gato durante três dias e três noites, até que por fim surgiu a paz do reencontro e até à data não houve mais episódios, vivendo feliz e contente aos pulos e saltos nos verdes do jardim, perseguindo objectos voadores perfeitamente identificáveis.
Falta a razão desta história, o nome do gato "Freud" e o poema que escrevi quando de novo voltou ao lar:
FREUD
Freud bigode farto
não era bicho de mato,
andorinha, colibri,
arara, urubu, rato,
tigre, leão, elefante,
àguia, corvo ou sapo,
era um simples felino
adorado, doce gato!
Pelo branco tisnado
de pouco beige esfumado,
ensonado, repentino,
jovem, descuidado,
alegre, de pouco tino!
Quis a história contar
que não tendo descendência
(devido às bolas tirar)
zangou-se, foi passear
para outra residência!
Voltou de novo à razão
às saudades do lar,
feliz, mais brincalhão,
sem miau-us de arrepiar,
com ron-rons de D. João...
só queria namorar!
Concerteza imaginam que para esta família e para todos de uma forma geral, depois do grande susto, não há nada melhor que um final feliz!
Gostei de partilhar esta pequena história convosco!
Um outro olhar...(2)
no meio do mar sinto-me o dono do mundo
sonho, grito, falo com as estrelas e com o sol
faço amor com as sereias e brinco com os peixes
no meio do mar, eu sou autêntico
pois consigo ser, simplesmente, eu
e não tenho medo de nada
nem das correntes, das ondas ou do maior peixe que existe
como poderia ter medo no meio do mar?
não há guerras, fome, nem crianças maltratadas
não há mentiras, nem ódios e vingança é palavra que não existe
é tão bom estar no meio do mar
sozinho, solto e disperso
sentindo-me o dono do mundo
do meu mundo…