terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O poeta, mera bicicleta,
corre sem fim,
atrás de um preciso              outro Verão.

Olhos abertos de mar,
esquecidos de ti ,
maresia de espaço,
recoberta de ontem,
areia de livros,
heterónimos  de nós ,
gelados de toques,
sabor a tantos como nós ,
correntes submersas
de sim                           
 e de não.

O poeta, mera bicicleta,
poros cerrados,
principio do fim
 poema inacabado,
daquele preciso                    outro Verão.


Teresa Freitas

Desinspiração exemplar



Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar.                    Herberto Helder

 

Lá vai o poeta
pedalando no gerúndio,
por um dia de chuva exemplar
(por acaso Verão)

Lá vai o poema colado aos pedais
a rimar na contramão
das balelas gramaticais
- Segura-te ó Musa, olha que cais!

Poeta e poema, pé no pedal
pela viela dos vocábulos
á procura do símbolo
das sílabas fatais:
inspiração com uis e com ais
e varias metáforas banais

Lá vai a Musa de Lamborghini …
-Bicicleta ?!!!
Que a pedale o poeta!


 Teresa Almeida Pinto