quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



Mário de Miranda Quintana (Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil, 30 de Julho de 1906 - 1994)  

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal
















Às três horas da tarde 
do dia 24 de Dezembro 
um triste lança possibilidades ao mar 
Talvez procure companhia,  
ou um final feliz no fim da linha 
ou que se afogue 
a consoada de quezílias e hipocrisias
O mar está bravo 
a linha esticada 
mas não há bacalhau 
no mar de S. Felix
muito menos finais felizes

Teresa Almeida Pinto 
24.12.2015