sábado, 8 de novembro de 2014

Psicanálise da escrita

Mesmo que fale de sol e de montanhas,
mesmo que cante os ínfimos espaços
ou as grandes verdades,
todo o poema
é sobre aquele
que sobre ele escreve

Quando os traços de si
parecem excluir-se das palavras,
mesmo assim é a si que se descreve
ao escrever-se no texto
que é excisão de si

Todo o poema
é um estado de paixão
cortejando o reflexo
daquele que o criou

Todo o poema
é sobre aquele
que sobre ele escreve
e assim se ama de forma desmedida,
à medida do verso onde a si se contempla
e em vertigem
se afoga


Ana Luísa Amaral


O mal de escrever é que nos bastamos a nós próprios!

Estamos lá. Sentimos. Os outros percebem – no ou não.

Há um contexto, que depois se torna texto. Aí somos nós e a escrita. Bastamo –nos. No lápis e no papel, no correr das linhas, estamos ainda mais lá. Já misturámos o sentir, o ser, o desejar, em infinitas perspetivas. A mão faz o resto. O papel guarda- o eternamente.

Teresa Freitas 
Retirado daqui