quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

III ou Soneto a Ferros




Quero muito ser alegre e feliz.
Mas como, se não pára de chover,
Nas notícias que já nem posso ver
Toda_a estupidez que já ninguém diz

E entre_as tarefas que_eu hoje fiz
Nada encontro que possa merecer
O papel que vou estragando_a escrever
Palavras sem flor, tronco ou raiz.

A insónia que vem na madrugada,
O_impossível naquilo que prometo,
A chuva que cai e_a roupa molhada,

A rima, mais a quadra e o terceto,
Nesta coisa feia e desalinhada,
Tudo me faz mais triste que_o soneto.


Raquel Patriarca
trinta.janeiro.doismilecatorze