sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Escrevo-te (XI) - o dia seguinte


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escrevo-te depois do dia catorze, o dia vermelho do cabelo louro
aquele onde passei os dedos -
sabes, o sol tem todos os raios do mundo, é autêntico
espalha-se de uma forma absoluta e aquece os interstícios
os elementos mais íntimos de um voo em uníssono
para junto das nuvens, planando por cima de todos os lugares.
é verdade que a perfeição não existe e não é precisa
só no tamanho dos sentimentos conseguimos a proximidade
uma proximidade de paraíso -
talvez seja essa a razão do divino permitir o inatingível
por aproximação, como numa corrida de sentidos -

escrevo-te, e o  pêndulo move-se, como ondas, e ganha movimentos síncronos
de acordo com a suspensão dos fios, o tamanho e a  distância
o pêndulo oscila com os batimentos cardíacos
e pode estar pendurado nas nuvens
enquanto o vento te levanta os cabelos e traz o calor dos átomos amarelos
directamente de cima, como uma mão que desliza -
o pêndulo oscila nos cronómetros das cronologias e escreve linhas
linhas de linhas que se juntam e se tornam definidas -

escrevo-te no formato dos morangos, depois do dia vermelho
e o teu cabelo é belo, digo-te -

josé ferreira 15 fevereiro 2013