segunda-feira, 21 de outubro de 2013

(Princípio da Igualdade)

Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social.

(Art.º 13.º da Constituição da República Portuguesa)

Para ompa


De vontade pura leva nascença
humildemente se cura criação assim
tentámo-nos em fada dentro e fora
dada infância presente letra a letra

Da liberdade donde tudo parte
imensos ou pequenos versos dei-tos
às vezes, as batalhas como fonte
outras, de harmonias cenários lentos

Aí, os sabores dos mares e das serras
erguidas aldeias e cidades ermas
em passados ou presentes, vividas

São heras do coração sempre em mente
ente querido o partilhado encontro
ligados, chaves-de-ouro que aqui se têm!

Anabela Brasinha

sábado, 19 de outubro de 2013

Como se desenha uma casa


fotografia daqui

Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.

Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Protege-te delas, das recordações,
dos seus ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.

Manuel António Pina in “Como se Desenha uma Casa”, Assírio & Alvim, 2011  lido aqui

terça-feira, 15 de outubro de 2013

um dia de embalar horizontes





está um dia favorável para o aroma sensível das flores pequenas
como os nardos.
o sol é astro, a luz predomina 
as mãos desenham asas, depois um pássaro
uma inscrição sem limites de um voo de possibilidades –
está um dia favorável para a sinapse do artista
um dia de aura e de miríades
um dia de circunstâncias esclarecidas
um dia de danças de pés descalços
um dia de embalar horizontes  -

josé ferreira

sábado, 12 de outubro de 2013

o poema na oscilação do pêndulo

Magritte

Tinha que escrever, disse,  enquanto se debruçava sobre a mesa
Não importava que fosse sobre a chuva ou a inclinação do sol
Sobre uma nuvem que se deslocava nas mãos do vento
Ou sobre as estrelas que eram ou haviam de nascer
E se incendeiam como se fossem fogueiras ao longe  –

O homem e a sua  circunstância, dizia o filósofo e jornalista
A cidade e o campo, o asfalto e o bosque, o lago e o rio
O contexto aberto de um semáforo, vermelho e verde
O azul no reflexo dos olhos das mulheres e das crianças
Mais leves, mais soltas numa estrutura de essências –

Precisava da caneta, de um  papel branco e não era um conto
Um verso, precisava de um verso como caravela desbravando –

Hoje é o dia dos teus anos, dizia uma voz distante
Reboando infinita como a voz dos deuses
Hoje é o dia dos teus anos, um microssegundo apenas na história humana –

Hoje é o dia dos teus anos, um na estória de horizontes
Não se imobiliza e o pêndulo avança –    


josé ferreira 11 outubro 2013