quarta-feira, 23 de novembro de 2011

agora




quieta a mesa, quieto braço e sobram imagens.
há silêncio por todo o lado.
antes o lado mais obscuro, a costura grossa,
pedras duras nos vidros, boomerangs tortos,
o ranger assustador de tábuas, o castelo,
os mochos escondidos, os morcegos, os corvos,
o nunca mais dos mortos -

o excesso de silêncio mata
agora que li de novo as tuas palavras -

José Ferreira 23 Novembro 2011

2 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

se morre de silêncio?

josé ferreira disse...

Olá Vanessa

sob o ponto de vista literal e argumentativo no real, silêncio não mata, não se morre de silêncio. mas este silêncio que o eu poético tenta colocar nos versos, reflecte ausência e um estado temporário, uma metáfora de dor.
mas o silêncio também pode ser a voz poderosa dentro de nós, e assume rédeas e conduz, e o silêncio também tem muitos estados difíceis de descrever, que podem ir da imensidão de um sentir bem até ao desconforto de uma rebelião, o procurar de ruído. O silêncio pode ser uma luz que atravessa um prisma, o ficar engolida ou o surgir como arco-íris.
e o silêncio pode ser do sujeito ou da multidão, e tem poder.
mas, para concluir, e embora no eu poético seja metáfora, na hipotética hipótese de um silêncio mesmo muito grande, muito pesado, muito permanente, não me parece que se morra de silêncio porque o silêncio é sempre abstracto e nunca absoluto.

Obrigado pelo comentário e por me pôr a pensar sobre o assunto.