sábado, 20 de agosto de 2011

Coisas de luz antigas - um poema de Ana Luísa Amaral




Aquele namorado que tinha
um nome bom: há quanto tempo foi?
A vida resvalante como gelo
e aquele namorado de nome bom
e férias, ficou perdido em luz,
mais de vinte anos

Deu-me uma vez a mão
um beijo resvalante à hora de deitar
e na pensão. Mas tinha um nome bom.
falava de cinema e calçava de azul
e um bigode curtinho,
que escorregou aceso como gelo
no centro da pensão

Rasguei as cartas dele
há quinze anos, em dia de gavetas
e de luz, e nem fotografia me ficou
de desarrumação. Mas tinha um nome bom,
falava de cinema e calçava de azul
e resvalou-me quente como gelo
à hora de deitar:

um namorado sem falar
de amor

(que a timidez maior
e o quarto dos meus pais
nessa pensão;
no mesmo corredor)

Ana Luísa Amaral Poesia Reunida 1990-2005 Quasi, 2005

3 comentários:

Fernanda disse...

Não conheço a autora, mas o poema é maravilhoso.

Assim ficam as lembranças que teimam em aceder à memória, mesmo que sem razão aparente!

Fernanda Ferreira
(casada) com José Ferreira - http://assime.wordpress.com

Evanir disse...

Carinhosamente desejo a você
um feliz final de semana.
Creia você é muito importante para mim
e lembre sempre.
Deus não é nada do que você
possa imaginar,ele é tudo que
você pode amar sem medo.
Bjs no seu coração,Evanir.
È um prazer muito grande para mim
estar aqui conhecendo se seguindo seu blog.

josé ferreira disse...

olá Fernanda e Evanir

obrigado pelos comentários e sejam muito bem vindas a este lugar de poesia.