domingo, 16 de maio de 2010

estado liquido do som

há bichos na rua
de pulsar azul

o pulso
entra pelos olhos
e pendura-os pela nuca

concentrados
pousam o centro no chão
e contam pedras
com os dedos dos pés

em cuidada vertical

pilhas de pedras
por baixo dos dedos
para aliviar a nuca

sopram canudos de pulsos
quase oblíquos
com canetas demasiado estreitas

não chegam
não sabem do pulsar

mas há entre eles
um liquido azul
muito próximo ao pulsar
que adivinham pelos ouvidos

o liquido é horizontal
e quando os enrola por dentro
entre pulsos e pedras

há bichos a dançar

3 comentários:

josé ferreira disse...

Joana muito original. o "estado líquido do som" entra pela nuca e sente os pés no chão "um líquido azul/ muito próximo ao pulsar" e há "bichos a dançar". gostei muito.

raquel patriarca disse...

fico sempre um bocadinho baralhada com os teus poemas, Joana, e este é um excelente exemplo... é bonito e ritmado e visual e encantado. mas há sempre um pedaço mais.
um significado. uma comparação. um trocadilho. não queria usar o lugar comum das camadas da cebola mas é mais ou menos isso.
é como se a tua poesia tivesse uma semente de filosofia. gosto muito.
r.

Anabela Brasinha disse...

olá

há bichos
de pulsar azul
há bichos a dançar

joana
seria por causa da música?