quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

o laço branco



a preto e branco
o condicional de uma história brilhante.

cavalo de crina ao vento tropeça no laço invisível.
parte a clavícula de um médico de rosto esquálido,
rugas de bisturi.prenúncio terrível.

um grupo de crianças
oferece ajuda, atira pedras na janela,
a promessa presente de uma escola negra.

a culpa tem origem escura
e morre uma mãe de família de braço curto.

o barão, única autoridade, desvaloriza
a orfã, o orfão, o menino atrasado.
em sua casa há músicas desconcertadas
de piano, de flauta, de um filho em surdina.

na casa ao lado o feitor, na casa ao lado o pastor.
um recém-nascido na corrente de ar.
um espírito maligno que provoca a dor,
a mágoa inocente, a morte de um clássico;
o dependurado num curral onde cede o banco
de toscas tábuas de castanho, a dez passos da igreja
onde ainda, ainda se ouvem as crianças
de vozes finíssimas, a preto e branco.


longe vai a bicicleta. a bicicleta a caminho da cidade,
o menino atrasado, a orfã, o orfão, a viúva e o pecado.
ficou o açoite trágico e um pássaro sem liberdade;
um professor incrédulo de ares enevoados
nos olhos da namorada, claros,
quando os aeroplanos desciam oceanos.
barcos e bombas em quatorze eram tantos.
morreu um prussiano.

a dúvida permanece no último plano
imaculada, nos símbolos de um laço estranho
que atava os braços à volta da cama. as crianças.
o exemplo. o laço branco. a inocência.

ninguém tem culpa formada.por baixo do pano
há um exército de prisioneiros
e uma história brilhante
a preto e branco -

3 comentários:

Joana Espain disse...

Olá José, o poema está muito bonito. Não vi o filme. O diálogo deve ser ainda mais rico se o tivesse visto, mas gostei muito de o ler assim sem passado..ganha mais futuro:)

Anabela Brasinha disse...

Olá José,
gostei do poema, desperta atenção,
tentarei ver o filme,
um abraço.

josé ferreira disse...

Olá Joana e Anabela

OObrigado pelos comentários.é um filme a preto branco imperdível. uma história recheada de pormenores filmados e contados de uma forma tão recta que não há qualquer hesitação no observador; respira o minuto seguinte como se fosse um virar de página de um livro muito interessante do qual não descola até saber o fim.

Abraço