quinta-feira, 16 de abril de 2009

Dias de Abril

O tempo incerto tem tempestades
nuvens cinzentas e largas outras de dedadas
buracos de meia onde espreita o Sol.
Nas carapaças qual tartaruga aquece
fecha-se os olhos no espaço de luz
sugando o astro nas precisas
tão quentes energias.

Assim se sente da natureza as temperaturas
abrem pétalas e polens de voos mínimos
febres de fenos espirros de resfrios
e sempre o calor descendo de dossel
no rosto silente imóvel querendo
sentir as mensagens do vento no bronze
da pele.

Nestes dias de Abril estendo palmas abertas
recebo as outras mãos distantes do Paraíso
a dança breve de uma brisa nos cabelos
que entra nos meandros da cabeça
onde me sento de almofada nos sentidos
desvendando segredos nos altares inconscientes.

A surpresa de um novo filme numa trama de seda
um casulo nascente de folhas de amoreira
deslumbrante improvável resplandecente
só nossa tão dentro

4 comentários:

Joana Espain disse...

Olá José, venho só lembrar que é muito bom vir aqui a este cantinho e encontrá-lo sempre vivo com alguma coisa nova sua. Gostei muito desta entrada dos dias de Abril...

josé ferreira disse...

Olá Joana muito obrigado! Agradeço o teu olhar nas minhas palavras e os teus poemas que sempre gostei!
Guardo sempre um cantinho do dia para que surja um raio de luz.
Não olho para os lados, nem sequer atrás, nas folhas vazias gravo as impressões de um dia, de uma árvore inclinada, de uma indisposição melancólica, de uma recordação tardia e por isso surpreendente. Junto tudo e sem o dizer muitas das vezes há verdades, outras puras invenções e papéis ensaiados de outros personagens, que se o lessem provavelmente se reconheceriam.
No blogue vou lançando estes poemas na expectativa de não vos cansar e de manter sempre vivo este "mar de azeite" que todos criámos!

Bjo.

António Pinto Oliveira (António Luíz) disse...

Caro José,é um texto muito bonito.
Seu poema reflecte bem a interdependência, e tb o fatal mas positivo intercâmbio entre nós e a Mãe-natureza. De facto, os nossos sentidos/sentimentos (com suas reacções muitas xs radicais)podem ser equiparados aos "dons da natureza" (tb maléficos por xs) , porque não?...Que seria de nós sem a mesma? A amálgama que somos também em parte depende (além da genética, da família,da escola, da sociedade que tanto nos educa como tb desinforma!) de tudo o que a natureza possui. Ainda bem que assim é. Ainda há pouco li que "nascemos sem pedir, morremos sem querer; aproveitemos bem o intervalo"! Deixemo-nos tb inundar pela força e energia empolgante da natureza. Observêmo-la com serenidade como o José mostra no seu poema; seremos (ou poderemos ser) desta forma mais felizes, se conseguirmos descobrir (ou preferencialmente redescobrir) os benefícios vitais desta intima relação e soubermos aceitar e sentir em total disponibilidade o companheirismo da mesma. Parabéns. António

josé ferreira disse...

Obrigado António! A Natureza, a boa natureza sempre esteve ali e nós distraídos!Quanto mais guio os meus passos através destes sinais, destes "achamentos" mais me arrependo dos mares de ruído que ocultaram as preciosas vozes, as companheiras ìntimas de muitas viagens que agora me preenchem e completam!

Abraço