domingo, 1 de fevereiro de 2009

A altura exacta da dor

Hora só
Só uma hora neste desencontro de ti
O ramo alto da árvore alta onde sorris
A janela do teu rosto
Toda ela luz e vento
Como uma torre alta junto ao mar

O mar não espera por mim
A torre não mexe, não dança nem sente
Alta, bela e vazia
O mar dissolve esta dúvida mascarada de ausência
A escuridão do mar embala-me
Sem saudade

A torre parada não se move
Espera o tempo
Toda ela luz e vento
Ri da tempestade vã que empurra a pedra
Imóvel
É noite
Só uma hora neste desencontro de ti
Aspiro à torre mais alta
Alta, bela e vazia
Como se fosse todo o meu ar.

1 comentário:

Marlene disse...

Reconheço essa altura exacta da dor - Uma torre tão alta que mede exactamente o tamanho da dor que não cabe no corpo
E reconheço essa altura exacta da dor - Uma hora tão certa que acerta toda a dor das horas do desencontro

Um poema lindíssimo. E está lá tudo, a altura e a altura exactas de uma dor.
Gostei muito, muito, muito.