espero-te
plantada no rochedo mais alto
farol solitário
derramo guia luz
fios em prata escorrem
meu corpo de pedra e sal
prolongamento distante
teia tecida
guardiã sem nome
não tens como te perderes
na demanda de me encontrares
claraoliveira12.01.20
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Joanetes de Coentrada
grande ideia a da Ana
transformar os joanetes
para a rima é que é uma porra
só se for com foguetes
em entrada, sim senhor!
ou companhia de um copo
Joanetes de Coentrada
deixa qualquer um louco
origem animal ou vegetal?
é pergunta que fica
mas desde que não saiba mal
estamos todos com uma larica!
à mesa de qualquer um
ricos, assim assim e pé descalço
acompanhado ou sózinho
faz as delícias do moço
muito alho e azeite
alentejano que é o melhor
fossas nasais um deleite
palato mole um primor
grandes segredos não tem
diz a Maria cozinheira
tudo vai da matéria "da prima"
e dos condimentos usados
muito carinho e doçura
muito bem misturados
sai uma dose bem servida
na refeição, como entrada
os comensais até se babam
à vista dos Joanetes de Coentrada
claraoliveira12.01.14
versão melhorada de poema com início promissor
humm!!
come-me!!
sei ser irresistível
no piscar dos teus olhos
espelho de luz vitralizada
cílios redondos
longos
tremeluzem
advento da sensação
humm!!
anda, sim...
trinca-me!!
retorno impossível
não me resistas,
toca-me com veludo de língua
devagar...mais devagar
inspira
expira
não sejas gulosa
take your time
sente o esplendor da doçura
no céu palatino
envolve-me no macio manto vermelho fogo
boca carnuda em botão de rosa.
fecha os olhos
fechado o semblante
em prazer egoísta
dentro rebentam pequenos terminais
explosões de gozo luz
fogo d'artifício em faíscas de prazer.
e eis que chega...orgasmo piramidal dos sentidos
querida! mais um quadradinho de chocolate?
claraoliveira12.01.14
humm!!
come-me!!
sei ser irresistível
no piscar dos teus olhos
espelho de luz vitralizada
cílios redondos
longos
tremeluzem
advento da sensação
humm!!
anda, sim...
trinca-me!!
retorno impossível
não me resistas,
toca-me com veludo de língua
devagar...mais devagar
inspira
expira
não sejas gulosa
take your time
sente o esplendor da doçura
no céu palatino
envolve-me no macio manto vermelho fogo
boca carnuda em botão de rosa.
fecha os olhos
fechado o semblante
em prazer egoísta
dentro rebentam pequenos terminais
explosões de gozo luz
fogo d'artifício em faíscas de prazer.
e eis que chega...orgasmo piramidal dos sentidos
querida! mais um quadradinho de chocolate?
claraoliveira12.01.14
sábado, 22 de janeiro de 2011
dor
doi
quando só encontro a concha
o aglomerado de ossos
a trama de músculos
o lençol de pele
a forma física
e objectiva
e tocável
e visível
de seres tu
doi
quando só encontro o vazio
frio e húmido
de casa desventrada
onde esfolo os nós e a alma
de tanto bater
onde enrouqueço a voz
e a perco de tanto chamar
doi
uma dor fina e funda
de consciência quase desmaia
doi
e não mais deixa
quando só encontro a concha
o aglomerado de ossos
a trama de músculos
o lençol de pele
a forma física
e objectiva
e tocável
e visível
de seres tu
doi
quando só encontro o vazio
frio e húmido
de casa desventrada
onde esfolo os nós e a alma
de tanto bater
onde enrouqueço a voz
e a perco de tanto chamar
doi
uma dor fina e funda
de consciência quase desmaia
doi
e não mais deixa
Fim de tarde
fim de tarde
e de passeio
o dia já vai longo
rocha urbana
procura o céu de cimento
em sobrepostas camadas
paredes nuas, duras
de emoções e formas cruas
transforma-se
em laivos de brilho quente
reflexos de ouro
poiso do olhar de longínquo astro
vejo, não reconheço
o invertido espelho
brinca
em jogos de luz e sombra
formas redondas e esguias
buracos negros
para além da matéria
abrem-se portas
de silêncio
um novo mundo
salto no desconhecido
Clara Oliveira
e de passeio
o dia já vai longo
rocha urbana
procura o céu de cimento
em sobrepostas camadas
paredes nuas, duras
de emoções e formas cruas
transforma-se
em laivos de brilho quente
reflexos de ouro
poiso do olhar de longínquo astro
vejo, não reconheço
o invertido espelho
brinca
em jogos de luz e sombra
formas redondas e esguias
buracos negros
para além da matéria
abrem-se portas
de silêncio
um novo mundo
salto no desconhecido
Clara Oliveira
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
peco
sempre que solto o meu pensamento
e te encontro
no espaço liquido de bolha de sabao
levada no vento a toa
em purpurinas de brilho
peco
sempre que imagino o teu gosto
e te beijo
sorvendo o sal e o doce que de ti se desprende
labios de carne rosada
tintos de sabor
peco
sempre que as minhas maos
desenham o teu rosto
contorno redondo e quente do amor
tatuado a ferro e fogo
no mais fundo de mim
e peco
neste lugar sem pecado
nuvem suspensa e leve
de algodao doce como tu
peco
mas nao tanto
Clara Oliveira
sempre que solto o meu pensamento
e te encontro
no espaço liquido de bolha de sabao
levada no vento a toa
em purpurinas de brilho
peco
sempre que imagino o teu gosto
e te beijo
sorvendo o sal e o doce que de ti se desprende
labios de carne rosada
tintos de sabor
peco
sempre que as minhas maos
desenham o teu rosto
contorno redondo e quente do amor
tatuado a ferro e fogo
no mais fundo de mim
e peco
neste lugar sem pecado
nuvem suspensa e leve
de algodao doce como tu
peco
mas nao tanto
Clara Oliveira
surge assim
sem se fazer notar
discreta
em pezinhos de la
que as noites ja vao frias
instala-se
dominando
algures a meio do tempo
mais coisa menos coisa
e logo apos o zenite
descida primeiro leve
descida depois abrupta
espera-te no contorno da esquina
e vao-se enroscando
as heras pernas fora
num peso monstro
prendem-te raizes de sequoia
e a tela de pintor experimental
enche-se de manchas escuras
ao acaso e ao sabor do artista
e sulcos indeleveis
cada tempo mais profundos e vincados
em altura de terra lavrada a suor
o papel, esse, encarquilha-se
pergaminho amarrotado
desbotado e sem cor
o esqueleto, esse, encarquilha-se
num amontoado mikado
e o chao cada vez mais perto
perde-se altura
tudo se vai virando
com olhos rasos no fundo
atraiçoa-te a concha que ja nao obedece
atraiçoa-te quem comanda que ja nao reconhece
atraiçoa-te
tu a ti
Clara Oliveira
sem se fazer notar
discreta
em pezinhos de la
que as noites ja vao frias
instala-se
dominando
algures a meio do tempo
mais coisa menos coisa
e logo apos o zenite
descida primeiro leve
descida depois abrupta
espera-te no contorno da esquina
e vao-se enroscando
as heras pernas fora
num peso monstro
prendem-te raizes de sequoia
e a tela de pintor experimental
enche-se de manchas escuras
ao acaso e ao sabor do artista
e sulcos indeleveis
cada tempo mais profundos e vincados
em altura de terra lavrada a suor
o papel, esse, encarquilha-se
pergaminho amarrotado
desbotado e sem cor
o esqueleto, esse, encarquilha-se
num amontoado mikado
e o chao cada vez mais perto
perde-se altura
tudo se vai virando
com olhos rasos no fundo
atraiçoa-te a concha que ja nao obedece
atraiçoa-te quem comanda que ja nao reconhece
atraiçoa-te
tu a ti
Clara Oliveira
domingo, 24 de janeiro de 2010
pensando
faz-me pensar
não somos nós mais que muitos?
não somos nós seres únicos? marcas digitais únicas?
reduzidos a números, a estatísticas, a tabelas
decapitados
sem pinga de sangue
faz-me pensar
naquelas órbitas, paradas, sequer névoa
de quem já nada pede, nada quer,
ausente, irreal, na plateia de um filme de cinema
para maiores de nascidos
faz-me pensar
em cada rosto, cada ruga
um contar de histórias sem fim
desconhecidas
em cada perda, um elo se quebra
um nunca mais definitivo
faz-me pensar
todas estas vidas diminuídas em multidão
que nos entram pela casa adentro
sem sequer um "posso?"
e mantens igual o acto maquinal
de levar a comida à boca já tão cheia
de olhos postos em outras tão cheias de
nada
soltas tua culpa com um "coitados!" ocasional
e segues a tua vida
e todos seguem as suas vidas
e o mundo gira e gira e gira
e tu? onde estavas tu?
quando a terra decidiu mostrar as entranhas!
adormeceste em serviço?
esqueceste de proteger os que em ti acreditam?
os poupados agradecem-te!
e os outros? os engolidos pelo cinzento?
esses já nada dizem, só silêncio
faz-me pensar
afinal também tu és
silêncio
Clara Oliveira
não somos nós mais que muitos?
não somos nós seres únicos? marcas digitais únicas?
reduzidos a números, a estatísticas, a tabelas
decapitados
sem pinga de sangue
faz-me pensar
naquelas órbitas, paradas, sequer névoa
de quem já nada pede, nada quer,
ausente, irreal, na plateia de um filme de cinema
para maiores de nascidos
faz-me pensar
em cada rosto, cada ruga
um contar de histórias sem fim
desconhecidas
em cada perda, um elo se quebra
um nunca mais definitivo
faz-me pensar
todas estas vidas diminuídas em multidão
que nos entram pela casa adentro
sem sequer um "posso?"
e mantens igual o acto maquinal
de levar a comida à boca já tão cheia
de olhos postos em outras tão cheias de
nada
soltas tua culpa com um "coitados!" ocasional
e segues a tua vida
e todos seguem as suas vidas
e o mundo gira e gira e gira
e tu? onde estavas tu?
quando a terra decidiu mostrar as entranhas!
adormeceste em serviço?
esqueceste de proteger os que em ti acreditam?
os poupados agradecem-te!
e os outros? os engolidos pelo cinzento?
esses já nada dizem, só silêncio
faz-me pensar
afinal também tu és
silêncio
Clara Oliveira
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
engordando
na escuridão de afectos
há fome, há sede
uma fome faminta de fogo
uma sede sedenta de céu
em partículas de tempo encalho
num corpo do qual me alimento
inspiro odores que da pele se soltam
ferro os dentes alvos na carne rosada
dilacero secretos entremeios que torno meus
e eu engordo
vou engordando
bebo o sangue, grosso e escuro
da cor de reposteiro de sacristia
corpo e sangue d'alguém
alguém sem nome, sem rosto
anónimo, sem identidade
que importa! alguém. ou talvez ninguém
dos olhos sugo a alma
e é dela que me lambuzo
os dedos, o queixo
ponto alto do bródio, delírio do palato
e eu engordo
vou engordando
até nos ossos de marfim afio os caninos
e a seiva leitosa sorvo em orgasmos sacudidos
seca. deixo-te seca.
pele e osso. transparente como um cadáver.
folha seca de Outono que se calca e quebra
num som de estalidos debaixo dos pés
foguetes em dia de festa. sem festa
seca como uma folha de papiro
amarelecida, envelhecida antes do tempo,
com o impiedoso bater dos ponteiros
seca
numa nudez frágil de alma depenada
de um golpe desprendo-me
arrumo desarrumada, num caixote qualquer,
sem etiqueta, na minha memória mais remota
tão mais que já perdi e de vez esqueci
levou-te o vento do norte
em mil grãos de poeira, desfragmentada
outro chão, outro colo.
na escuridão de afectos
um outro corpo do qual me alimento
e eu engordo
vou engordando
Clara Oliveira
há fome, há sede
uma fome faminta de fogo
uma sede sedenta de céu
em partículas de tempo encalho
num corpo do qual me alimento
inspiro odores que da pele se soltam
ferro os dentes alvos na carne rosada
dilacero secretos entremeios que torno meus
e eu engordo
vou engordando
bebo o sangue, grosso e escuro
da cor de reposteiro de sacristia
corpo e sangue d'alguém
alguém sem nome, sem rosto
anónimo, sem identidade
que importa! alguém. ou talvez ninguém
dos olhos sugo a alma
e é dela que me lambuzo
os dedos, o queixo
ponto alto do bródio, delírio do palato
e eu engordo
vou engordando
até nos ossos de marfim afio os caninos
e a seiva leitosa sorvo em orgasmos sacudidos
seca. deixo-te seca.
pele e osso. transparente como um cadáver.
folha seca de Outono que se calca e quebra
num som de estalidos debaixo dos pés
foguetes em dia de festa. sem festa
seca como uma folha de papiro
amarelecida, envelhecida antes do tempo,
com o impiedoso bater dos ponteiros
seca
numa nudez frágil de alma depenada
de um golpe desprendo-me
arrumo desarrumada, num caixote qualquer,
sem etiqueta, na minha memória mais remota
tão mais que já perdi e de vez esqueci
levou-te o vento do norte
em mil grãos de poeira, desfragmentada
outro chão, outro colo.
na escuridão de afectos
um outro corpo do qual me alimento
e eu engordo
vou engordando
Clara Oliveira
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
elevo-me
elevo-me
acima das nuvens
pairo dormente
e corpo
e mente
ausente
nem vivo
nem morto
nem nada
anestesia
ilusão
intervalo
vida que não quero
ser que não sou
enfeito-me
de Natal
efémero no brilho
que não dura
que não muda
nem vivo
nem morto
nem nada
só
acima das nuvens
pairo dormente
e corpo
e mente
ausente
nem vivo
nem morto
nem nada
anestesia
ilusão
intervalo
vida que não quero
ser que não sou
enfeito-me
de Natal
efémero no brilho
que não dura
que não muda
nem vivo
nem morto
nem nada
só
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
solta-se a fera
solta-se a fera
na arena da vida
o círculo do circo
começa ao nascer
a pele derrete
perde identidade
ao ser violada
com o ferro em fogo
estigma como amante
no escuro de cada sol posto
brilham os fios de prata
automatizam os movimentos
rebanhos humanos
sem pensar
fantoches manipulados
sem querer
tão pouco de ti
quase nada de ti
debaixo de comando
sempre
controlado por dentro
em hierarquias patentes
fiel depósito
de corvos negros em ferida
de pesadelos
de medos
impulso dado pelo estribo
entram na jaula
e brilham os fios de ouro
esvoaçam querendo fugir
mas tu fechaste-os
dentro de ti
vestindo-os como uma pele
nos teus olhos fundos
já não há alma
globos brancos sem menina
és besta encurralada
nas arestas da existência
és instinto
sobrevivência
o círculo fecha-se
a fera solta-se
na arena da morte
na arena da vida
o círculo do circo
começa ao nascer
a pele derrete
perde identidade
ao ser violada
com o ferro em fogo
estigma como amante
no escuro de cada sol posto
brilham os fios de prata
automatizam os movimentos
rebanhos humanos
sem pensar
fantoches manipulados
sem querer
tão pouco de ti
quase nada de ti
debaixo de comando
sempre
controlado por dentro
em hierarquias patentes
fiel depósito
de corvos negros em ferida
de pesadelos
de medos
impulso dado pelo estribo
entram na jaula
e brilham os fios de ouro
esvoaçam querendo fugir
mas tu fechaste-os
dentro de ti
vestindo-os como uma pele
nos teus olhos fundos
já não há alma
globos brancos sem menina
és besta encurralada
nas arestas da existência
és instinto
sobrevivência
o círculo fecha-se
a fera solta-se
na arena da morte
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
segundo ensaio sobre a "desinspiração"
deserto de palavras
não as consigo tecer
entrançar umas nas outras
formar imagens de cor
aridez de palavras
mergulho os dedos nestes grãos
escorrem sem dono
por entre as minhas mãos
vazio de palavras
atravessar esta lonjura
por dentro sinto-me rasgar
derrete-me a mente nesta loucura
deserto cheio
de aridez vazio
de palavras
Clara Oliveira
não as consigo tecer
entrançar umas nas outras
formar imagens de cor
aridez de palavras
mergulho os dedos nestes grãos
escorrem sem dono
por entre as minhas mãos
vazio de palavras
atravessar esta lonjura
por dentro sinto-me rasgar
derrete-me a mente nesta loucura
deserto cheio
de aridez vazio
de palavras
Clara Oliveira
terça-feira, 10 de novembro de 2009
duas possibilidades
duas possibilidades de alteração ao meu final:
1º
matas o concreto
viverá para sempre
o devaneio
2º
o corpo cessa de pulsar
e de mim...que sobra...
Clara Oliveira
1º
matas o concreto
viverá para sempre
o devaneio
2º
o corpo cessa de pulsar
e de mim...que sobra...
Clara Oliveira
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
sentia o chegar do fim
sentia o chegar do fim
e eu sem medo...
já te esperava
há tantas auroras atrás
e eu sem medo...
sinto o teu olhar sangrento
de vermelho tinto
inundar o meu de nada
e eu sem medo...
anjo da morte
orla de sombra
negra como carvão
envolves-me no teu aperto
e eu sem medo...
pregam-se ao palco
os meus pés
pesado como chumbo
o meu corpo
leve com brisa morna
de final de tarde
o meu coração
alada
desprende-se de mim
a alma
e eu...
sem medo...
entrego-me
matas o homem
mas não matas nunca
o IDEAL
Clara Oliveira
e eu sem medo...
já te esperava
há tantas auroras atrás
e eu sem medo...
sinto o teu olhar sangrento
de vermelho tinto
inundar o meu de nada
e eu sem medo...
anjo da morte
orla de sombra
negra como carvão
envolves-me no teu aperto
e eu sem medo...
pregam-se ao palco
os meus pés
pesado como chumbo
o meu corpo
leve com brisa morna
de final de tarde
o meu coração
alada
desprende-se de mim
a alma
e eu...
sem medo...
entrego-me
matas o homem
mas não matas nunca
o IDEAL
Clara Oliveira
e naquele dia
e naquele dia
de manto negro se veste
sol flamejante
antes vermelho
como sangue fresco
cobre-se de denso nevoeiro
pardo escondido
baço pasmado
ponta de vento
se não sente
barulho ao longe
se não ouve
hastes verdes
olham o chão
indolentes
arado fértil
em crosta dura e pó
escorre a vida
gota a gota
rega o leito ainda fresco
e das entranhas da terra
um tumultuoso lamento:
- Meu Deus, por que me abandonaste
Clara Oliveira
de manto negro se veste
sol flamejante
antes vermelho
como sangue fresco
cobre-se de denso nevoeiro
pardo escondido
baço pasmado
ponta de vento
se não sente
barulho ao longe
se não ouve
hastes verdes
olham o chão
indolentes
arado fértil
em crosta dura e pó
escorre a vida
gota a gota
rega o leito ainda fresco
e das entranhas da terra
um tumultuoso lamento:
- Meu Deus, por que me abandonaste
Clara Oliveira
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
eis
eis
os novos guerreiros
a proteger os vivos
da fragilidade humana
eis
os novos organismos
a viver para além
do entender humano
é alvo sobreviver
é prémio sobreviver
eis
os novos cientistas
de uma luta incurável
de uma vida anunciada
vestem a pele de Deus
em busca de um código
em busca da imortalidade
Clara Oliveira
os novos guerreiros
a proteger os vivos
da fragilidade humana
eis
os novos organismos
a viver para além
do entender humano
é alvo sobreviver
é prémio sobreviver
eis
os novos cientistas
de uma luta incurável
de uma vida anunciada
vestem a pele de Deus
em busca de um código
em busca da imortalidade
Clara Oliveira
amo-te
amo-te
o dia nasce
com ele...tu
luz de mulher
em pele de leite
sonho de mulher
sempre presente
mãe de mulher
minha semente
submissa mulher
sou rei sempre
pudera
numa só
as duas
Clara Oliveira
o dia nasce
com ele...tu
luz de mulher
em pele de leite
sonho de mulher
sempre presente
mãe de mulher
minha semente
submissa mulher
sou rei sempre
nasce o dia
tu...com ele
desejo-te
a noite cai
com ela...tu
cristal de fêmea
em pêlo queimar
potro de fêmea
teu lombo montar
cio de fêmea
minha fome matar
orgulhosa fêmea
altivo olhar
cai a noite
tu...com ela
pudera
numa só
as duas
Clara Oliveira
domingo, 25 de outubro de 2009
CAIM
A alma içada no teu rosto
invadida de terror e sangue,
e exangue o corpo de Abel.
Em ti, Caim, se abate o céu,
e a voz de Deus.
– Por que mataste a inocência?
Errarás então por esse oriente
e serás penitente
no castigo.
– Morrerei, Senhor, onde lavrar.
– O Sol de ti: o meu sinal.
Clara Oliveira e José Almeida da Silva
invadida de terror e sangue,
e exangue o corpo de Abel.
Em ti, Caim, se abate o céu,
e a voz de Deus.
– Por que mataste a inocência?
Errarás então por esse oriente
e serás penitente
no castigo.
– Morrerei, Senhor, onde lavrar.
– O Sol de ti: o meu sinal.
Clara Oliveira e José Almeida da Silva
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
(exercício aula 14out09)
palavras em branco
sobre a mesa
à espera de nascer
por entre os dedos
de eus
de outros
que se calam
sem saber
solta-se no vento
a janela
e o seu corpo
e a alma
e tudo
como uma selva
e encontra o céu
clara e ana lúcia
sobre a mesa
à espera de nascer
por entre os dedos
de eus
de outros
que se calam
sem saber
solta-se no vento
a janela
e o seu corpo
e a alma
e tudo
como uma selva
e encontra o céu
clara e ana lúcia
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