Vem ver meu amor
As estrelas lá longe
Piscando-nos os olhos
Como um círio a arder!
Vem ver meu amor
As estrelas lá longe
Vestidas de mar
Cantam melodias
Como as sereias
Nas marés vazias
Canções de encantar
Por dentro da gente
E do sofrimento!
Vem ver meu amor
As estrelas lá longe
Morrem de cansadas
Caindo no mar
E nas enseadas
Como peixes de prata
Nas altas marés
Ondas encrespadas
Por dentro da gente
E aos nossos pés!
Vem ver meu amor
Lá longe as estrelas
Vem comigo vê-las!
José Almeida da Silva
In " Amanheceste em mim pelo poente"
Publicado por Maria Celeste Carvalho
Nota: E é assim, com este lindíssimo poema,
que dou por terminada a minha participação
neste blog, dedicado à Poesia!
M.C.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Éden da Memória
Queria falar-te da minha
Cerejeira florida e dos
Brincos de princesa
Que são o orgulho do meu
Jardim terreal:
- Não sei agora onde colher
Cerejas nem onde fica o meu reino!
Queria falar-te do meu
Diospireiro
Que ilumina o outono
(como a minha infância a árvore de natal)
E acende o bico e o desejo aos melros
- Não sei agora onde colher o
Pôr-do-sol da minha vida!
Queria falar-te do
Sonho e da vida
E dos sabores e aromas
Que ainda habitam esse espaço verde
E grato da minha memória
-Não sei agora onde colher o
Cheiro quente do incenso e fresco do alecrim;
Não sei agora onde colher os sabores
(Do limão e do kiwi
Do tamarilho e do maracujá
Do pêssego e da laranja
Da ameixa e do alperce
Da pêra da nêspera da maçã)
- Não sei agora onde fica o éden da minha vida!
Queria falar-te da minha Palmeira magistral
Vigiando maternal as Buganvílias ali entrelaçadas
De cores serenas e aleluias primaveris
E lá mais adiante
A flor e a folha e o cheiro
Da lúcia-lima e do loureiro
- Não sei agora onde colher
O verde sadio do olhar e a coroa
Da vitória e do saber!
[ E estava lá a nossa vida toda e até
Os nossos corpos nus
No coração de Agosto.]
Ah! O meu paraíso perdido! Outra vez!
José Almeida da Silva
In " Amanheceste em mim pelo poente"
Cerejeira florida e dos
Brincos de princesa
Que são o orgulho do meu
Jardim terreal:
- Não sei agora onde colher
Cerejas nem onde fica o meu reino!
Queria falar-te do meu
Diospireiro
Que ilumina o outono
(como a minha infância a árvore de natal)
E acende o bico e o desejo aos melros
- Não sei agora onde colher o
Pôr-do-sol da minha vida!
Queria falar-te do
Sonho e da vida
E dos sabores e aromas
Que ainda habitam esse espaço verde
E grato da minha memória
-Não sei agora onde colher o
Cheiro quente do incenso e fresco do alecrim;
Não sei agora onde colher os sabores
(Do limão e do kiwi
Do tamarilho e do maracujá
Do pêssego e da laranja
Da ameixa e do alperce
Da pêra da nêspera da maçã)
- Não sei agora onde fica o éden da minha vida!
Queria falar-te da minha Palmeira magistral
Vigiando maternal as Buganvílias ali entrelaçadas
De cores serenas e aleluias primaveris
E lá mais adiante
A flor e a folha e o cheiro
Da lúcia-lima e do loureiro
- Não sei agora onde colher
O verde sadio do olhar e a coroa
Da vitória e do saber!
[ E estava lá a nossa vida toda e até
Os nossos corpos nus
No coração de Agosto.]
Ah! O meu paraíso perdido! Outra vez!
José Almeida da Silva
In " Amanheceste em mim pelo poente"
domingo, 5 de outubro de 2008
Amanheceste em mim pelo poente
Um fim de tarde azul e sorridente
Rosa e jasmim sem tempo era novembro
O caminho sorria-me por dentro
Rumei com os teus passos no meu peito
Amor e riso de silêncio feito.
Maio chegou cresceu fez-se gigante
A flor desabrochou e foi ternura
Roxos os lírios belos girassóis
Infinitos os sonhos terna amante
Abriram mares de luz em terra pura.
Da vida gesto abraço beijo mosto
Aurora boreal e dom de agosto.
Colhemos horizontes céus fagueiros
O mar veio oferecer-nos loira areia
Sempre que os nossos olhos se tocaram
Tendo por fundo apenas o luar
A vida e o futuro a conquistar.
E as searas sorriram sóis e luas
Sentimentos jardins loiras espigas
Infinitos efémeros nuvens nuas
Ligando estrelas girassóis e lírios.
Vesperal é o canto do amor
Amanhecido em nós e feito flor.
José Almeida da Silva
In "Amanheceste em mim pelo poente"
Um fim de tarde azul e sorridente
Rosa e jasmim sem tempo era novembro
O caminho sorria-me por dentro
Rumei com os teus passos no meu peito
Amor e riso de silêncio feito.
Maio chegou cresceu fez-se gigante
A flor desabrochou e foi ternura
Roxos os lírios belos girassóis
Infinitos os sonhos terna amante
Abriram mares de luz em terra pura.
Da vida gesto abraço beijo mosto
Aurora boreal e dom de agosto.
Colhemos horizontes céus fagueiros
O mar veio oferecer-nos loira areia
Sempre que os nossos olhos se tocaram
Tendo por fundo apenas o luar
A vida e o futuro a conquistar.
E as searas sorriram sóis e luas
Sentimentos jardins loiras espigas
Infinitos efémeros nuvens nuas
Ligando estrelas girassóis e lírios.
Vesperal é o canto do amor
Amanhecido em nós e feito flor.
José Almeida da Silva
In "Amanheceste em mim pelo poente"
De tarde
Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela,
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela,
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa ( Ortónimo)
("o fingimento poético")
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa ( Ortónimo)
("o fingimento poético")
sábado, 4 de outubro de 2008
Amar o verbo amar é demasia
Amar o verbo amar é demasia
Basta amar quanto baste
A vida, o mar e a maresia
As estrelas, o céu e a imensidão
Amar o Homem na sua exactidão
Nos gestos menores
Do dia-a-dia
Na sua breve alegria fugidia
No seu longo penar
De lenta agonia.
Amar o verbo amar é demasia.
José Almeida da Silva
In " Amanheceste em mim pelo poente"
Basta amar quanto baste
A vida, o mar e a maresia
As estrelas, o céu e a imensidão
Amar o Homem na sua exactidão
Nos gestos menores
Do dia-a-dia
Na sua breve alegria fugidia
No seu longo penar
De lenta agonia.
Amar o verbo amar é demasia.
José Almeida da Silva
In " Amanheceste em mim pelo poente"
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